Porto

Trabalhadores da Soares da Costa protestam em vários idiomas

Trabalhadores da Soares da Costa protestam em vários idiomas

Cerca de 100 trabalhadores da empresa Soares da Costa realizaram, na principal avenida do Porto, uma manifestação a reivindicar salários em atraso, com cartazes em várias línguas para os turistas entenderem.

"'Travail sans salaire (Trabalho sem salário em francês)", "Bienvenue au Portugal, nous nous battons pour nos salaires" (Bem vindos a Portugal, estamos em luta pelos nossos salários em francês), "Welcome to Portugal, we are struggling for our wages", a mesma mensagem inglês, mas também em idioma alemão e português eram as frases nos cartazes de luta que se destacavam no protesto, que teve início às 08 horas na Avenida dos Aliados, onde passam diariamente centenas de turistas.

"Decidimos vir hoje para a frente da obra que a Soares da Costa tem em curso para dar visibilidade pública da luta pelos ordenados em atraso, que em Portugal vai de três a cinco meses" e "em Angola vai até oito meses. É dramático, porque o desespero já começa a tomar conta de nós, porque não vemos qualquer tipo de resposta", explicou José Martins, da Comissão de Trabalhadores da Soares da Costa, à Lusa.

José Martins afirma, emocionado, que há trabalhadores que já meteram baixa psiquiátrica e outros que meteram baixa médica por nem sequer terem dinheiro para ir trabalhar.

"Estamos a falar de muitos dramas pessoais de muitas famílias", avisou aquele trabalhador, recordando que recentemente houve um caso de um trabalhador que sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) em pleno horário laboral e que ainda está em reabilitação física.

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Elsa Sá, trabalhadora na Soares da Costa há 32 anos, contou à agência Lusa que a falta do pagamento do salário na totalidade estava em falta desde março e que estava a viver "muito mal", "sem dinheiro para pagar as contas, a comida, o condomínio".

"Eu não sei para que lado me hei-de virar, estou a ficar desesperada, porque vou pedir dinheiro emprestado e vou dizer que pago quando, se o administrador no sábado, disse-me a mim, na cara, que não tem dinheiro ", desabafou Elsa Sá, recordando que uma colega da Soares da Costa viu esta semana ser-lhe cortada a eletricidade de casa por falta de pagamento.

Elsa continua a ir trabalhar, entra às 07.30 horas todos os dias, e diz que tem de cumprir com o seu serviço, porque senão não sabe o que é que me pode acontecer.

"Está muito difícil e tem tendência a piorar. (...) Se não dá que fechem as portas", sugere aquela trabalhadora, afirmando que assim "estão a enganar os trabalhadores".

Na terça-feira, dia 12 de julho, a Comissão de Trabalhadores da Soares da Costa foi recebida pelo adjunto do secretário de Estado do Emprego e da Economia e, posteriormente, os trabalhadores foram à sede da empresa em Lisboa e conseguiram falar com a administração.

Mas, "em termos resolutivos não trouxemos aquilo que acharíamos que era o justo, que era ter uma data final de algum pagamento", recordou à Lusa José Martins, da Comissão de Trabalhadores.

Em dezembro passado, a empresa anunciou um despedimento coletivo de 500 pessoas devido às "repercussões nefastas" para a empresa da crise e da "estagnação do mercado de construção" em Portugal e em Angola, seu principal mercado.

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