Economia

Trabalhadores das cantinas do Politécnico do Porto em protesto

Trabalhadores das cantinas do Politécnico do Porto em protesto

Cerca de duas dezenas de trabalhadores dos bares e cantinas do Instituto Politécnico do Porto (IPP) manifestaram-se, esta terça-feira, junto ao polo de Vila do Conde, reivindicando a reaberturas dos equipamentos, que foram encerrados em abril deste ano.

Os trabalhadores, que pertenciam aos quadros da empresa que explorava os bares e cantinas do IPP, estão sem trabalhar desde abril. E desesperam.

"Temos contas para pagar. Tenho dois filhos menores", diz Alcinda Silva. Era funcionária da cantina no "campus" 2 do Instituto Politécnico do Porto (IPP), na fronteira da Póvoa de Varzim com Vila do Conde. Em abril, a StatusVoga entregou a concessão. Desde então, Alcinda não tem trabalho nem é desempregada.

A situação afeta todos. No IPP, há mais de 20 mil alunos, professores e funcionários há quase sete meses sem cantinas e bares. "Estou farta de andar dois quilómetros para ir comer! Estou a pagar propinas para quê? E vocês também têm famílias para sustentar", atira Sofia Laranjeira. Estuda, há dois anos, na Escola Superior de Hotelaria e Turismo, no "campus 2". Esta manhã, tinha à porta uma manifestação de trabalhadores. Parou, ouviu, está "solidária".

Com a entrega da concessão, diz Nuno Coelho, do Sindicato dos Trabalhadores de Hotelaria do Norte, "o IPP tinha que assumir os trabalhadores". Nunca o fez. Alcinda era "efetiva", como outros 18 colegas. De nada lhe valeu.

"É muito complicado", explica Sandra Sousa, funcionária da cantina do Instituto Superior de Engenharia (ISEP). O filho, de 11 anos, é hiperativo e tem asma. Vale-lhe o ordenado do marido e a ajuda da família.

Em março, a StatusVoga, que explorava as oito cantinas e as dezenas de bares do IPP, nos seus três "campus" universitários - Asprela e Baixa (Porto), Póvoa de Varzim/Vila do Conde e Tâmega e Sousa (Felgueiras) -, desistiu do negócio. A partir de 1 de abril, cantinas e bares deixaram de funcionar e a concessão retornou ao IPP.

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Os trabalhadores ficaram "em terra de ninguém". O Politécnico abriu novo concurso e prometeu reintegrá-los na empresa que vencesse. Ficou deserto. Novo concurso. Em setembro e em outubro, as duas empresas melhor classificadas já recusaram pegar no negócio.

A última diz que equipamentos e instalações "não têm as condições mínimas". O IPP está, agora, a fazer obras. Já abriu novo concurso, mas, até lá, há 19 trabalhadores com a vida em suspenso e mais de 20 mil alunos e professores sem acesso a "uma refeição decente".

"A 15 de setembro, depois de muita luta, começaram a pagar-nos um subsídio equivalente ao subsídio de desemprego. Mas foram seis meses sem salário", conta Sandra, que só quer "voltar a trabalhar".

O Sindicato lamenta que o IPP esteja "há sete meses a empurrar com a barriga", numa "falta de respeito pelos trabalhadores e pelos alunos, funcionários e professores", a quem restam, agora, máquinas de "vending" para "se desenrascarem" ou, no caso do "campus 2", uma longa caminhada até ao centro da cidade. Tudo "bem mais caro do que a cantina", num orçamento que já é, muitas vezes, demasiado apertado.

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