Economia

Trabalhadores dos estaleiros de Viana pedem ajuda a Cavaco e a Passos Coelho

Trabalhadores dos estaleiros de Viana pedem ajuda a Cavaco e a Passos Coelho

Os trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo apelaram esta quinta-feira ao primeiro-ministro e ao presidente da República para intercederem pela empresa e pararem o "crime social" que considera estar a ser praticado pelo ministro da Defesa.

"A única garantia é que o senhor ministro confirmou hoje o despedimento coletivo de 620 trabalhadores. Ficámos muito desiludidos porque há ano e meio a esta parte, o ministro pegou num diploma do Governo socialista e disse que ia pôr na gaveta 420 despedimentos. Agora está a fazer melhor, está a despedir de uma só vez 620", afirmou o dirigente da comissão de trabalhadores dos ENVC António Costa.

O responsável, após cerca de duas horas e meia de reunião com o ministro da Defesa Nacional, em Lisboa, anunciou que vai realizar-se na sexta-feira um "plenário geral às 15 horas para ver todas as formas de luta que se possam encetar no futuro".

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"Fazemos um apelo ao primeiro-ministro e ao presidente da República. Parem este processo da subconcessão dos ENVC. Não deixem que o ministro faça este crime social em Viana do Castelo. É criminoso o que estão a fazer. É inadmissível", continuou.

Os 609 trabalhadores dos ENVC vão ser despedidos até janeiro de 2014, processo que vai custar ao Estado cerca de trinta milhões de euros em indemnizações, disse fonte ligada ao processo de subconcessão citada pela agência Lusa .

Em causa em todo o processo está a adjudicação à Martifer da subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos ENVC, que anunciou a criação, no período de três anos, de 400 postos de trabalho, mantendo a atividade de construção e reparação naval na região.

"Nota-se nos olhos e nas palavras dele (ministro). Não está convicto da adjudicação que está a fazer a este grupo (Martifer). Não tem segurança no futuro, na continuidade da construção naval em Viana do Castelo. Viemos aqui pedir trabalho e não reivindicações nem aumentos salariais. Viemos pedir trabalho e não queremos dinheiro para rescisões", disse ainda António Costa.

Este processo deverá estar concluído até janeiro, altura em que a Martifer, indicou fonte daquele grupo privado português, prevê assumir a subconcessão, que vigorará até 2031.

Por esta subconcessão, segundo a mesma informação, o grupo pagará 415 mil euros por ano, envolvendo a mesma "única e exclusivamente", a utilização dos terrenos, edifícios, infraestruturas e alguns equipamentos afetos.

O concurso da subconcessão, anunciado em abril pelo Governo, previa em paralelo o encerramento da empresa e o despedimento dos trabalhadores.

Esta foi a solução definida pelo Governo português depois de encerrado o processo de reprivatização dos ENVC, devido à investigação de Bruxelas às ajudas públicas atribuídas à empresa entre 2006 e 2011, não declaradas à Comissão Europeia, no valor de 181 milhões de euros.

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