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Trabalhadores lamentam "delapidação" dos Estaleiros em leilões de material

Trabalhadores lamentam "delapidação" dos Estaleiros em leilões de material

A comissão de trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo classifica os leilões de material, que esta segunda-feira renderam cerca de 120 mil euros, como "mais um episódio" na "delapidação" daquela empresa pública.

"É mais um episódio daquilo que é uma intenção muito antiga, de vários governos, no sentido de delapidar, destruir e aniquilar esta empresa. Como é óbvio não poderemos estar contentes", lamentou, em declarações aos jornalistas, Abel Viana, da comissão de trabalhadores.

A generalidade dos 596 trabalhadores dos estaleiros que em fevereiro aceitaram rescindir os contratos por mútuo acordo já saíram da empresa, decorrendo agora a venda de equipamentos dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), antes da entrada do grupo Martifer, novo subconcessionário dos terrenos e infraestruturas.

Esta segunda-feira, decorreu a venda em leilão de 11 viaturas de serviço da empresa, que renderam mais de 25700 euros, e de um de guindaste de 466 toneladas, por 93500 euros, neste caso adquirido precisamente pela West Sea, após vários lances.

Todos os bens móveis dos estaleiros - segundo a administração mais de 20 mil itens - estão fora da subconcessão e terão de ser vendidos em concurso público no âmbito do processo de liquidação da empresa.

Para assegurar a subconcessão, a Martifer criou a empresa West Sea, que já anunciou que pretende recrutar 400 trabalhadores para a empresa de Viana do Castelo, "prioritariamente" entre os agora ex-funcionários dos ENVC.

"No meio da desgraça toda, que no mínimo se criem bastantes postos de trabalho. Se isso não acontecer será bastante danoso para a economia e para a empregabilidade na região de Viana do Castelo", apontou Abel Viana.

Aquele dirigente considera como "perfeitamente legítimo e natural" que os trabalhadores que agora estão de saída procurem uma oportunidade no novo projeto, tendo em conta a "destruição da estrutura" entretanto realizada. Ainda assim sublinha que a "emigração" destes trabalhadores será também um "cenário inevitável".

A comissão de trabalhadores dos ENVC quer ainda ver esclarecida a situação do fundo de pensões, na iminência de ser extinto por estar descapitalizado, que ainda paga complementos de reforma a cerca de 500 antigos funcionários da empresa.

"É um assunto de extrema importância, do ponto de vista social. Estamos a falar de largas centenas de ex-trabalhadores que poderão estar em vias de verem as suas condições de vida ainda mais difíceis", apontou Abel Viana.

Por isso mesmo, a comissão de trabalhadores apela ao Ministério da Defesa, que tutela os ENVC, para definir uma solução para este caso. "Depois de todas as maldades que nos fizeram nos últimos tempos, pelo menos que acautelem a situação dos antigos trabalhadores", rematou Abel Viana, ainda funcionário dos estaleiros.

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