Economia

Trabalhadores precários são já 1,8 milhões em Portugal

Trabalhadores precários são já 1,8 milhões em Portugal

A maioria da população ativa portuguesa é precária ou está desempregada. Um cenário transversal quer à Função Pública, quer ao sector privado, que foi este sábado dado a conhecer pela Associação de Combate à Precariedade, no dia em que se assinala o Dia Europeu de Ação Contra a Precariedade e a Injustiça Social.

Segundo João Camargo, dos Precário Inflexíveis, dos 5,481 milhões que representam a força de trabalho nacional, 1,809 milhões sofrem de instabilidade laboral (valor superior aos desempregados). "E, neste análise dos dados do INE (Instituto Nacional de Estatística) não estão contabilizados os trabalhadores em part-time", alerta o ativista, que revelou tal realidade esta tarde, em frente ao centro comercial 'Armazéns do Chiado'.

"Já estamos num novo paradigma: o trabalho precário e o desemprego são a norma neste país. Algo que vínhamos anunciando há algum tempo. Está em andamento um plano de precarização generalizada. O tão propalado projeto em marcha de flexibilização, que foi prometido, é a precariedade", alerta.

Camargo frisa ainda que "todas as pessoas que estão a entrar no mercado de trabalho estão a fazê-lo de forma precária. São uma minoria irrisória os trabalhadores que não são precários".

Nas contas da Associação de Combate à Precariedade (ACP-PIA), há ainda uma diminuição dos que contam com maior estabilidade laboral. Desde 2006, os trabalhadores com contrato a tempo inteiro passaram de 4,6 para 3,990 milhões. Os por conta de outrem, desde 2008, de 4 para 3,640 milhões. E, os com contratos sem termo de 3,123 para 2,869 milhões.

O rosto dos 'Precários' - que reúne todos os que estão a Recibos Verdes, com Contratos a Prazo, trabalhadores familiares não remunerados ou em subemprego - garante que o Ministério da Solidariedade e Segurança Social "nada tem feito para alterar estes dados".

"O ministro (Pedro Mota Soares) já mostrou qual é o seu lado: a perseguição dos Recibos Verdes. E rejeita averiguar se são ou não falsos Recibos Verdes. Quando o senhor ministro persegue as amas da Segurança Social, que estão a ser alvo de penhoras....", denuncia.

A conferencia de imprensa da ACP-PIA em frente aos 'Armazéns do Chiado' surge depois de ter denunciado, na última Greve Geral, que houve ameaças aos funcionários daquele centro comercial para que não faltassem ao trabalho.

"Este espaço simboliza também o que muitos centros comerciais representam nesta época de Natal: são templos da precariedade máxima, onde não se cumprem horários de trabalho, não se pagam horas extraordinárias, não se respeitam os horários de descanso, de almoço ou até de uma simples ida à casa de banho. Para piorar, é numa altura em que entram sempre trabalhadores temporários, que são ainda mais precários, para suprimir a necessidade extra de uma exploração", salienta.

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