Economia

Transportadoras ponderam sair de Portugal para não pagar portagens

Transportadoras ponderam sair de Portugal para não pagar portagens

Deslocalizar empresas para Espanha ou França, despedir funcionários e reduzir a frota são algumas das opções que as maiores empresas de transportes do distrito de Viseu equacionam como resposta à introdução de portagens nas autoestradas A23, A24 e A25.

Júlio Fernandes, administrador da Patinter, a maior empresa de transportes do país, com 1200 camiões e com sede em Mangualde, admitiu, esta quinta-feira, que a concentração das operações em Espanha "é uma das opções em estudo".

"Concentrar as operações em Espanha é uma das opções em estudo no curto, médio prazo. E reduzir trabalhadores é outra das opções, embora essa possibilidade não nos seja de todo agradável, mas a situação(introdução de portagens nas ex-SCUTS) para isso nos encaminha", adiantou.

O administrador da Patinter sublinhou que a empresa ainda não quer ponderar despedimentos, "mas isso será inevitável, se não conseguirmos fazer transitar os custos acrescidos com as portagens para o cliente final"

Em média, por dia, a Patinter tem cerca de 200 dos seus 1200 camiões a circular nas autoestradas A23 (Guarda/Torres Novas), na A24 (Viseu/Chaves) e principalmente na A25 (Aveiro/Vilar Formoso), via que cruza Mangualde, onde se encontra a sede.

Para já, a intenção da Patinter, sinaliza Júlio Fernandes, é "falar com os clientes para aceitarem a revisão dos preços, incorporando os custos das portagens, mas todas as opções estão em cima da mesa. Visto que é uma empresa já instalada em França e em Espanha, facilmente poderemos avançar para a deslocalização".

Nelson Sousa, proprietário e administrador da JLS, com mais de 250 camiões, admite que a introdução de portagens nestas vias "vai implicar um impacto negativo de cerca de 1,5 milhões de euros por ano".

Uma das respostas que a empresa, com sede em Viseu, está a ponderar é "deslocar o centro de negócios para França", embora, para já, esteja em curso a procura de soluções que permitam refletir os custos para o cliente. Mas sabemos que a economia não tem margem de manobra para absorver esses custos".

Quanto ao impacto social das portagens, a JLS, segundo Nelson Sousa, ainda não tem "uma noção clara", mas garante que tudo fará "para evitar despedimentos".

Também Jorge Lemos, proprietário da empresa Transportes Lemos, com cerca de 40 camiões e com sede em Mangualde, equaciona a sua deslocalização como resposta aos mais de 250 mil euros que as portagens na A23 e A25, essencialmente, vão custar.

"Não somos contra as portagens desde que existam alternativas credíveis, o que não é o caso EN 16", aponta.

Reduzir a frota em cerca de 20 por cento é um passo de Jorge Lemos vê como quase incontornável: "Já ponderei a dispensa de 10 funcionários e a redução de 20% na frota".

No entanto, não são só as transportadoras que vão sentir o peso dos custos das portagens. José Luís Quental, proprietário da empresa de frio Solar Quente, admite que estas vão custar à empresa entre 20 e 30 mil euros por ano, o que torna "insuportável a sua manutenção".

Mas José Luís Quental dá um exemplo de como esse impacto pode ir ainda mais longe: "Deslocar uma viatura a Aveiro para fazer a manutenção de um aparelho, trabalho que é média é de uma hora, devido à insustentabilidade de optar pela A25, pode demorar mais de sete horas, visto que entre Viseu e Aveiro pela EN 16 pode demorar três horas, quando pela autoestrada é menos de uma".

"O problema é que não temos alternativa", lamenta José Luís Quental.