Economia

Ulrich: Plano da "troika" para a banca não faz sentido

Ulrich: Plano da "troika" para a banca não faz sentido

O presidente do BPI, Fernando Ulrich, pediu, esta segunda-feira, uma revisão completa do programa da 'troika' para o sector financeiro português, que considera não ter qualquer sentido e que não responde às necessidades da economia.

"Lamento dizer isto (...) mas tenho que dizer que o plano da 'troika' para o sector financeiro não tem sentido, portanto é conveniente e é urgente que aproveitemos esta altura mais calma, de Verão, para o repensar. Para o conjunto da país e para o sector público penso que é bom, mas para o sector financeiro não faz sentido", disse o banqueiro numa conferência promovida pelo "Diário Económico", em Lisboa.

Fernando Ulrich deixou fortes criticas à meta dos bancos de aumentarem o seu core capital em tão curto prazo para os níveis exigidos, de 9% este ano e 10% no próximo ano, e que se as autoridades continuarem a aumentar o limite mínimo de capital que os bancos portugueses têm de deter, irá sempre faltar capital.

"O que é que estas regras têm a ver com os problemas, e as dificuldades da economia portuguesa? A meu ver, nada", disse.

O banqueiro lembra que perto de 50% da carteira de crédito dos bancos portugueses é composta por empréstimos de médio prazo e que foram feitos quando o rácio de capital mínimo era de 4% na altura.

"O Comité de Basileia ao definir agora as novas regras de Basileia III não foi por acaso que deu um prazo de quase 10 anos para os bancos se adaptarem", sublinhou.

Ulrich disse ainda que a seu entender as metas que os bancos portugueses têm de cumprir neste sentido estão num campo completamente oposto às decisões tomadas na cimeira do Eurogrupo da passada semana, que "não tem rigorosamente nada a ver com as necessidades de Portugal" e que tem apela à sua revisão "de alto a baixo".

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