Economia

Último gestor PS dos Estaleiros de Viana diz que plano de 2011 não apontava para fecho

Último gestor PS dos Estaleiros de Viana diz que plano de 2011 não apontava para fecho

O último presidente do conselho de administração dos estaleiros de Viana nomeado pelo PS afirmou esta quarta-feira que o plano de reestruturação apresentado em 2011, suspenso pelo atual Governo, não previa o encerramento da empresa, como foi agora anunciado.

"Na altura, o plano não era para fechar os estaleiros, mas para viabilizar a empresa. Quem criticou esse plano deve estar hoje muito arrependido", apontou, em declarações à agência Lusa, Carlos Veiga Anjos.

No verão de 2011 este responsável abandonou a administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), cargo para o qual tinha sido nomeado pelo Governo socialista. A saída aconteceu pouco depois de apresentar um plano de reestruturação que assentava no despedimento de 380 dos 720 trabalhadores em funções à data.

Essa reestruturação foi apresentada por Veiga Anjos ao Governo socialista, em fevereiro de 2011, mas só teve o aval meses mais tarde, depois das eleições legislativas desse ano. Contudo, o atual ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, acabaria por suspender este plano pouco tempo depois de tomar posse.

"Não foi feita justiça, na altura, ao plano de reestruturação. Até disseram que não havia proposta, que era apenas para fechar os estaleiros, o que não é verdade", afirma agora Carlos Veiga Anjos, recordando nomeadamente as críticas de que foi alvo por parte do presidente da Câmara, José Maria Costa (PS), sobre os despedimentos anunciados.

O ex-administrador insiste que o plano de reestruturação de então envolvia a "redução de trabalhadores fixos" dos estaleiros, em várias especialidades, as quais passariam a ser contratadas ao exterior, em regime de subcontratação.

"Poderíamos até ter mais trabalhadores na empresa. Por isso, hoje, sinto-me muito pesaroso pela situação a que isto chegou, por Viana do Castelo e pelos vianenses. Estou muito triste", atirou Veiga Anjos, natural precisamente daquele concelho.

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Devido à investigação lançada pela Comissão Europeia às ajudas públicas atribuídas aos ENVC, entre 2006 e 2011, no valor de 181 milhões de euros, o Governo anunciou em abril o abandono da reprivatização da empresa, a solução alternativa então definida.

O ministério da Defesa Nacional avançou já em 2013 com o concurso internacional para a subconcessão dos terrenos, equipamentos e infraestruturas dos ENVC, decorrendo em paralelo o encerramento dos estaleiros e o despedimento de todos os trabalhadores.

O grupo Martifer anunciou que vai assumir em janeiro essa subconcessão, pagando ao Estado uma renda anual de 415 mil euros, até 2031, conforme concurso público internacional que venceu.

A nova empresa West Sea deverá recrutar 400 dos atuais 609 trabalhadores, que estão a ser convidados a aderir a um plano de rescisões amigáveis que vai custar 30,1 milhões de euros, suportado com recursos públicos.

Ao longo de 69 anos de atividade, os ENVC já construíram mais de 220 navios, mas apresentam hoje um passivo superior a 300 milhões de euros.

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