Diogo Vasconcelos

Um empreendedor do Norte que tocou o futuro

Um empreendedor do Norte que tocou o futuro

Nasceu no Porto em maio de 1968 e partiu há dez anos, mas nem por isso a sua marca na inovação se apagou com o tempo. Um livro sobre Diogo Vasconcelos recorda agora todo o seu legado.

Já lá vão dez anos que Diogo Vasconcelos partiu, deixando uma marca indelével no panorama da inovação em Portugal. A sua memória revive agora com a publicação do livro "Diogo Vasconcelos. O homem que tocou o futuro", da autoria de Ana Rita Ramos e Teresa Ribeiro. A sua apresentação pública decorre esta segunda-feira no CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento, em Matosinhos.

Coincidência ou não, Diogo Vasconcelos nasceu em maio de 1968, ano de ruturas sociais em França com repercussões em toda a Europa. Sendo um homem do Norte, nascido mais precisamente no Porto, é natural que o livro escrito em sua homenagem tenha tido como supervisor Jaime Quesado, um economista nortenho com amplo currículo na inovação. Carvalho Guerra, reitor da Universidade Católica do Porto quando Diogo Vasconcelos era aí estudante de Direito, Angelo Ramalho, CEO da Efacec, o jornalista Carlos Magno, seu amigo, e Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, são algumas das personalidades que se dispuseram a relembrar, esta segunda-feira, o legado de Diogo Vasconcelos.

Formação e profissão distintas

Sendo um empreendedor que deixou a sua marca no domínio da inovação, não deixa de ser curioso que tenha cursado Direito. "Achei que era um curso mais adequado porque abria, em vez de fechar, possibilidades", afirmou muitos anos depois, ao passar esses tempos em retrospetiva. Em 2007, começou a trabalhar como diretor na tecnológica Cisco, mudando-se para Londres. Aliás, em 2011, ano do seu falecimento, Diogo Vasconcelos comentaria de novo o assunto da sua formação. "Em Inglaterra, o meu chefe tem formação em Filosofia. Há muitos diretores de empresa licenciados em História, Estudos Clássicos. Em Portugal isso seria um escândalo. Tinha de ser um gestor, um engenheiro, um jurista. Continuam a identificar-se muito os cursos com a profissão".

O seu percurso é extremamente diversificado. Foi colaborador do canal por cabo NTV, mas muito antes disso, quando estava prestes a terminar o curso de Direito, em 1992, Diogo foi convidado por Rui Marques para integrar a revista Fórum Estudante, como diretor-adjunto. Na prática, foi o seu primeiro emprego.

UMIC e as sementes da inovação atual

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Como lembram as autoras, Durão Barroso, que foi primeiro-ministro entre 2002 e 2004, quis apresentar uma orgânica de Governo que fosse coerente com a ideia de que era preciso poupar a todo o custo. Por isso, tratou de reduzir o número de ministérios e de secretarias de Estado. Mas para conseguir governar, precisou de compensar este défice através da criação de várias unidades de missão. A Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC) foi uma delas e Diogo o homem certo para a liderar.

A UMIC pretendia, como sublinha o próprio Durão Barroso, ter uma ação transversal. Em vez de existir um ministério para aquela função, o que se pretendia era por os diferentes ministérios e toda a Administração Pública a mobilizar-se para a sociedade de inovação e descobrir as sinergias que existiam nas diferentes áreas. Daí resultaram a Biblioteca do Conhecimento Online (b-on), a Iniciativa Nacional de Banda Larga e ainda o Portal do Cidadão. Muita da inovação que tomamos hoje como garantida nasceu, na verdade, com as sementes lançadas por Diogo Vasconcelos.

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