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Utentes esperam horas pelos comboios em estações apinhadas

Utentes esperam horas pelos comboios em estações apinhadas

O Sindicato estima em 100% a adesão à greve dos revisores da CP. Fonte da empresa admitiu que praticamente não houve comboios urbanos nas primeiras horas do dia. As estações estão a abarrotar e multiplicam-se as queixas dos utentes.

Na estação das Mercês, na Linha de Sintra, o JN constatou que às 9 horas, havia pessoas à espera de comboio há mais de duas horas.

"Não passou nenhum comboio, nem para Sintra nem para Lisboa. Estou à espera desde as 6.24" horas, disse ao JN uma utente da CP, Alexandra Baltazar, que esperava comboio para se deslocar para o trabalho nas Olaias, em Lisboa.

Fernanda Heitor, na mesma plataforma apinhada, falava ao telefone, a explicar porque estava atrasada. "Estou na estação e ainda não há comboio. De táxi? Quanto é que vou gastar de táxi?".

A interrogação ficou no ar quando a chamada terminou. Fernanda trabalha na Pontinha e pôs-se a fazer contas à vida, mas sem ver comboios a passar.

As bilheteiras estão fechadas e a estação das Mercês, constatou o JN, está a abarrotar de gente, muita indignada pela falta de serviços mínimos, que as deixa sem transporte e sem alternativa.

Um indicador de que a adesão à greve está a ser forte. Segundo o Sindicato, é total. "Todos os trabalhadores afetos ao serviço de comboios referentes ao turno que começou às 23 horas e terminou às 8 horas estão com uma adesão de 100%. Há, sim, alguns trabalhadores que não são associados do sindicato que estão a fazer alguns comboios de longo curso", disse à Lusa o presidente do Sindicato Ferroviário da Revisão e Comercial Itinerante.

Na estação de Aveiro, dezenas de pessoas esperavam por comboio, mas quase nenhum passava. No caso de quem queria viajar para o Porto, houve quem tivesse esperado mais de duas horas, tendo tido como única hipótese comprar bilhete para o Alfa Pendular, que chegou à estação à hora esperada, às 10.21 horas, pondo fim à espera de quem já estava atrasado para ir trabalhar ou para ir a consultas médicas. Muitos passageiros optaram mesmo por outras soluções, abandonando a estação.

Joaquim Rodrigues, de Aguada de Cima, Águeda, saiu de casa de manhã bem cedo e dirigiu-se à estação dos comboios de Oliveira do Bairro, com a esposa e a irmã. Esperou uma hora, sem efeito. Teve que ser o filho, então, a levá-lo de carro à estação de Aveiro, onde esperou quase mais uma hora por uma ligação para o Porto. O destino era Braga, onde vai passar o fim de semana da Páscoa com uma sobrinha. "Com estes atrasos todos vamos só de Aveiro ao Porto e a minha sobrinha vai de Braga lá buscar-nos. Se soubéssemos que era isto não tínhamos vindo", adiantou. Ao lado, outra passageira acenava com a cabeça. "Tenho que ir a uma consulta ao Porto, já tinha que lá estar, tive que pagar o bilhete mais caro e estou há duas horas à espera", contou Evangelina Ferreira, de Águeda. Ao contrário do que era esperado, o comboio Intercidades das 10.01 horas, com destino ao Porto, foi suprimido, e o suburbano proveniente da mesma cidade continuava largos minutos atrasado, sem hora prevista de chegada, anunciavam os operadores da estação. Só Alfa salvou as viagens.

Em Braga, a greve apanhou de surpresa sobretudo os turistas estrangeiros que esta semana estão na cidade no âmbito da Semana Santa. É o caso de Rosa Maria e Joaquina, espanholas que se preparavam para aproveitar o dia para conhecer o Porto. "Queríamos ir dar um passeio, mas agora não sabemos como fazer", desabafaram ao JN.

José Vilaça saiu fora porta da estação de Braga por volta das 10 horas, após mais de uma hora à espera de um comboio para regressar a casa, em Tadim. "Já desisti, porque estou há muito tempo à espera e estão todos os comboios suprimidos".

O mesmo aconteceu a Fátima Carvalho, que todos os dias utiliza este meio de transporte e fazia contas ao dinheiro extra que ia ter que pagar para comprar um bilhete de autocarro. "Deveria haver comboios pelo menos para dar resposta a quem tem passe. Assim vou gastar dinheiro numa viagem de autocarro e depois ninguém me devolve essa quantia", lamentou.

O responsável pelo bar da estação revelou ao JN que, até às 10 horas, nenhum comboio urbano com destino ao Porto tinha arrancado. Apenas saiu o Alfa Pendular e o Intercidades para Lisboa. A verificar pelo ecrã informativo na estação, as perturbações vão continuar durante todo o dia, com a indicação de vários comboios suprimidos.

A empresa mostrou números contundentes. "Entre a meia-noite e as 6 horas só circularam seis comboios em 63. Nenhum urbano do Porto circulou e em Lisboa tivemos apenas um", disse à agência Lusa a porta-voz da CP - Comboios de Portugal, Ana Portela. Apesar de não terem sido decretados os serviços mínimos, a maioria dos Alfa Pendular e Intercidades vão circular durante esta sexta-feira, acrescentou.

À paralisação dos revisores vem juntar-se a greve ao trabalho em dia feriado convocada pela Federação do Sindicato dos Transportes e Comunicações (FECTRANS) para os dias 3 e 5 (sexta-feira Santa e domingo de Páscoa).

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