Economia

Valorização do euro ocultou problemas fiscais

Valorização do euro ocultou problemas fiscais

A valorização do euro ocultou aos países da zona da moeda única os problemas fiscais subjacentes, segundo o presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy.

Numa entrevista publicada hoje, segunda-feira, no “Financial Times”, o político belga critica os mercados financeiros pela reacção, que considera excessiva, às dificuldades económicas actuais e por se guiarem por "rumores e preconceitos".

"Os mercados mostraram-se excessivamente indulgentes na primeira década, mas agora a maior parte do tempo reagem de modo excessivo aos mínimos incidentes", critica Van Rompuy.

"O erro não ocorreu este ano. O erro produziu-se nos onze primeiros anos da história do euro", sublinha ainda o presidente da UE. 

"O euro converteu-se numa moeda forte com muito pequenas diferenças das taxas de juro (nos bilhetes do Tesouro). Foi como um remédio para dormir, como uma droga. Não nos prevenimos dos problemas subjacentes", explica.

Segundo Van Rompuy, o bloco de 16 países que integram a zona euro esteve à beira da ruptura no mês passado, o que teria originado uma crise mundial.

Agora, em contrapartida, os dirigentes europeus compreenderam que a única forma de avançar é aplicar reformas económicas que resultarão politicamente impopulares, mas que são necessárias, como a flexibilização dos mercados laborais e o prolongamento da idade da reforma.

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Van Rompuy presidirá na próxima quinta-feira em Bruxelas a uma cimeira de chefes de Estado e de Governo da UE que deverá aprovar um programa de reforma económica para os próximos dez anos.

Um dos temas em debate será seguramente a proposta da Comissão Europeia para que cada Estado submeta o projecto de orçamento de Estado ao exame dos restantes países da União Europeia antes deste ser adoptado a nível nacional.

Esta proposta já foi rejeitada pelo governo britânico, que insiste que o projecto de orçamento de Estado tem de ser visto primeiro pelo Parlamento britânico.

Na entrevista, Van Rompuy mostra-se favorável a uma maior regulação dos mercados financeiros, especialmente no que respeita às agências de classificação do risco e aos mercados de derivados.

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