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Entrevista

Vendas da Skoda cresceram 45% apesar da guerra

Vendas da Skoda cresceram 45% apesar da guerra

Com o setor automóvel a enfrentar desafios que nunca se lhe haviam colocado, Luís Mateus, diretor-geral da Skoda Portugal, explicou, ao JN, que "desde o início da pandemia, em 2020, que o setor tem vindo a ser sucessivamente afetado por um conjunto de circunstâncias que lhe têm colocado sérias dificuldades", mas confia num ligeiro aumento das vendas em 2022.

Este ano apresenta-se cheio de desafios para o setor automóvel cujo crescimento teima em não arrancar após a crise pandémica. O que explica um crescimento tão morno deste setor?

Desde o início da pandemia, em 2020, que o setor tem vindo a ser sucessivamente afetado por um conjunto de circunstâncias que têm colocado sérias dificuldades à indústria automóvel.

Numa primeira fase, que durou até meados de 2021, a quebra abrupta de mercado foi uma consequência direta do confinamento pandémico necessário para controlar uma eminente crise sanitária.

Com o aumento exponencial da vacinação e, consequentemente, da imunidade de grupo era expectável uma recuperação da procura de automóveis por parte dos consumidores, o que veio a acontecer, numa dimensão muito superior ao previsto.

Essa elevada procura veio, no entanto, esbarrar numa súbita escassez de semicondutores que foram direcionados para outras indústrias cuja procura de produtos subiu exponencialmente durante o confinamento e que teve como consequência a interrupção das tradicionais cadeias de abastecimento obrigando os fabricantes de automóveis a interromper a produção durante várias semanas.

Esta situação de escassez, que se arrastou ao longo da segunda metade de 2021, foi duramente agravada pelo cenário de conflito que se vive atualmente na Ucrânia já que naquele país estão situadas algumas das maiores fábricas de componentes da Europa.

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Assim, tendo em conta o atual enquadramento, a indústria automóvel não terá capacidade, apesar da elevadíssima pressão na procura, de satisfazer as encomendas que se acumularam pelo que é expectável que o mercado cresça apenas ligeiramente face a 2021.

Quais são os objetivos da Škoda para esta segunda metade de 2022 e qual o balanço que faz do primeiro semestre?

A Škoda está em excelente forma e a atravessar um ótimo momento tirando partido da maior ofensiva de produto da sua já longa história com 125 anos.

Naturalmente que a escassez de componentes que afeta a indústria automóvel tem condicionado fortemente as entregas de automóveis aos nossos clientes. Ainda assim, apesar das dificuldades nas entregas a marca cresce, até abril, cerca de 45% face ao período homólogo do ano transato.

Por outro lado, importa mencionar que a excelente aceitação dos modelos Škoda está igualmente refletida numa carteira de encomendas robusta muito bem distribuída pelos diversos modelos que comercializamos.

Para o segundo semestre é expectável uma aceleração da capacidade de produção das fábricas da marca que decorre da implementação, com sucesso, dos planos de contingência desenvolvidos para fazer face à escassez de componentes.

Por esse motivo prevemos um forte aumento das entregas a clientes ainda que os prazos de entrega, para novas encomendas, continuem a ser anormalmente longos por mais algum tempo devido à elevada carteira de encomendas entretanto acumulada.

O Fabia ganha agora uma nova geração. Numa tendência cada vez mais orientada para os SUV (e a Škoda também os tem), o que distingue este Fabia e a quem se destina?

A nova geração é mais um excelente produto desenvolvido pela Škoda. Destaca-se não só por apresentar um novo design, mais emocional e capaz de gerar paixão, mas igualmente por uma enorme evolução do seu comportamento dinâmico devido à utilização da já conhecida plataforma MQB A0. Destaco ainda a nova gama de motorizações que, em conjunto com o coeficiente aerodinâmico mais reduzido da sua classe, permite ao novo Fabia ser uma referência ao apresentar baixíssimos custos operacionais (a título de exemplo tem uma autonomia até 900 quilómetros).

Por outro lado, o novo modelo manteve todas as características que fazem parte do ADN Škoda e que são tão apreciados pelos nossos clientes. Refiro-me a uma elevada qualidade de construção e à muito procurada habitabilidade e espaço de bagageira que, uma vez mais, é a referência da sua classe ao atingir 380 litros.

Com estes excelentes argumentos, entende-se porque é que apesar de existir, de facto, uma tendência de procura crescente por SUV´s, o Fabia gera tanta procura e satisfação por parte dos nossos clientes. É compacto, é dinâmico, é jovem e é extremamente económico...

A procura por este modelo tem uma forte incidência de famílias jovens que não abdicam do espaço e da segurança (o novo Fabia tem até nove airbags e sete sistemas de assistência à condução) mas igualmente por clientes singulares que procuram uma viatura dinâmica para as suas deslocações diárias.

A sustentabilidade tem sido tema central de várias marcas. Como se distingue a Škoda nesse campo e que novidades teremos a médio prazo?

A sustentabilidade faz parte da agenda Škoda estando elencada pela marca como uma prioridade na sua estratégia de crescimento e expansão.

Essa sustentabilidade passa por garantir a redução sucessiva da sua pegada de carbono, desde a produção nas suas fábricas até aos modelos que comercializa, de modo a atingir a neutralidade em 2030.

Assim, para além dos modelos com propulsão híbrida já disponíveis, a aposta passará por reforçar a sua oferta de modelos elétricos puros.

Para além do primeiro elétrico da marca, o ENYAQ cujo lançamento recente tem sido acompanhado de um extraordinário sucesso, estão planeados mais três novos modelos elétricos que serão lançados nos próximos anos.

Num momento em que as marcas apostam numa identidade cada vez mais própria e diferenciadora face à concorrência, como é que a Škoda se posiciona no mercado português?

A Škoda tem uma abordagem aos seus clientes muito focada nos seus valores de marca. Os nossos automóveis são pensados com base nas necessidades dos nossos clientes com o objetivo de tornar a sua mobilidade fácil e descontraída. Os detalhes Simply Clever que ajudam a melhorar o dia-a-dia dos nossos clientes são um bom exemplo da paixão com que a marca constrói os seus automóveis.

Mas facilitar o quotidiano dos nossos clientes passa também por desenvolver automóveis com uma excelente habitabilidade e um enorme espaço de bagageira e ainda por oferecer, nesses automóveis, o conforto, a qualidade, a segurança e a tecnologia que fazem parte do ADN da marca. Tudo isto por um preço justo e acessível que habitualmente designamos por "Value for Money".

Está há cerca de cinco anos como diretor-geral da marca em Portugal. Qual o balanço que faz?

Tenho a felicidade de trabalhar uma marca que apaixona e pela qual eu estou também apaixonado. No início deste projeto, em meados de 2017, encontrei uma marca que seguia por um rumo diferente daquele que era a nossa visão para o futuro.

A decisão por um novo rumo teve o mérito de reequacionar tudo e deu oportunidade à equipa Škoda de trabalhar, de raiz, tudo o que define uma marca nomeadamente o seu posicionamento estratégico, a sua imagem e a sua notoriedade, os seus produtos, os seus processos e, muito importante, a sua rede de concessionários.

Hoje posso afirmar, com convicção, que a marca Škoda já está no caminho que planeámos para o seu sucesso. Esta convicção é também confirmada pelo elevado apreço que os nossos clientes nos transmitem nos inquéritos de satisfação.

Finalmente não posso deixar que relevar que os excelentes resultados de satisfação que nos são atribuídos pelos nossos clientes se devem ao extraordinário trabalho que tem sido desenvolvido pela nossa rede de concessionários que tem sabido interpretar e aplicar na perfeição a estratégia desenhada pela marca.

Naturalmente que os desafios ainda não terminaram e ainda existe um duro trabalho pela frente, mas estou seguro de que a equipa excecional que hoje me acompanha será capaz de levar a Škoda ao próximo nível.

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