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Vieira nega incumprimento com o Novo Banco: "Se não fosse presidente do Benfica não estava cá"

Vieira nega incumprimento com o Novo Banco: "Se não fosse presidente do Benfica não estava cá"

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, foi esta segunda-feira ouvido na comissão de inquérito ao Novo Banco, enquanto figura central da Promovalor, no âmbito das audições que os deputados estão a fazer aos grandes devedores do banco.

Nunca entrou em incumprimento para com o Novo Banco, nunca teve perdões de juros e, no tempo do BES, não lidava diretamente com Ricardo Salgado. Foram estas as principais garantias dadas nesta segunda-feira por Luís Filipe Vieira, no Parlamento, à comissão de inquérito sobre o NB (que pode rever ao minuto aqui). O presidente do Benfica, presente enquanto homem-forte da Promovalor - empresa que chegou a dever 760 milhões de euros ao Novo Banco (NB) -, também se mostrou convicto de que, se não liderasse o clube da Luz, nunca teria sido chamado a depor. E, num momento insólito, afirmou que quem vendeu o NB - Mário Centeno, então ministro das Finanças - deveria ser "enforcado".

"A minha vida não foi criada com o BES ou com a vinda para o Benfica", afirmou Vieira aos deputados. Em 2003, ano em que se tornou presidente encarnado, já era "um empresário de renome da área dos pneus e do imobiliário", referiu.

Vieira esclareceu que, em 2017, a dívida da Promovalor ao NB era de 227,3 milhões de euros. Destes, 217 milhões eram referentes a capital, 8,9 milhões a juros e 1,4 milhões a comissões bancárias. "Não estou em incumprimento com o NB, nunca fugi e, quando chegar a altura, se estiver em incumprimento estarei presente e saberemos negociar", afirmou.

O empresário referiu ainda que os valores em causa "não incluem os empréstimos obrigacionistas, que ainda não venceram, e cujo capital ascende a 160 milhões de euros". O líder encarnado, essa operação tem pagamento "assegurado", devido ao "desenvolvimento imobiliário dos ativos da Promovalor entregues ao fundo".

Arrasou Centeno: "Quem assinou contrato com a Lone Star devia ser enforcado"

O líder da Promovalor foi fazendo várias críticas ao processo de venda do NB à Lone Star. Em resposta à deputada Filipa Roseta, do PSD, atirou: "Quem assinou esse contrato devia ser enforcado". A parlamentar lembrou quem o fez: "Está agora no Banco de Portugal e chama-se Mário Centeno...".

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Questionado por Cecília Meireles, do CDS, sobre se o NB "vai algum dia reaver tudo o que lhe emprestou", Vieira disse que tem de haver "prazos" para o fazer. Mas "entre 10 a 15 anos vai reaver tudo", garantiu.

Mariana Mortágua, do BE, lembrou que, segundo um parecer de 2019 do NB, o único património em nome de Vieira era "uma casa para palheiro". O empresário negou: "Tenho outros negócios, uma boa reforma... Vivo bem". A parlamentar perguntou por que motivo não tinha pago antes as dívidas, já que, afinal, não faltava dinheiro. Vieira apenas disse que não o fez porque "não tinha para pagar".

O empresário aludiu ao "aparato" que viu à porta do Parlamento para dizer ter "a noção exata" de que só foi chamado à comissão por ser presidente do Benfica. Reforçando ser, há décadas, um empresário respeitado, afirmou que a sua ida para a Luz foi "um pedido de várias instituições financeiras", que disse estarem "interessadas na viabilização" do clube.

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