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Visita surpresa do juiz Carlos Alexandre deu a perceção de nacionalização iminente

Visita surpresa do juiz Carlos Alexandre deu a perceção de nacionalização iminente

O ex-presidente do Banco Português de Negócios Miguel Cadilhe afirmou, esta terça-feira, ter ficado com a "perceção" de que este banco seria nacionalizado quando recebeu uma "visita surpresa" do juiz Carlos Alexandre e do procurador Rosário Teixeira.

Miguel Cadilhe, ex-ministro das Finanças, falava em resposta ao deputado do CDS-PP João Almeida na comissão de inquérito parlamentar sobre a nacionalização e a reprivatização do BPN.

Nas respostas, Miguel Cadilhe, tal como se esperava, apresentou-se sempre crítico da decisão do Governo socialista de optar pela nacionalização do BPN, defendendo, em alternativa, a criação de "uma barreira de fogo" para responder ao problema de liquidez do banco.

"Mas os processos estavam imparáveis e não foi possível pôr uma pedra ou um pedregulho em cima", sustentou o ex-presidente do BPN, antes de aludir a um episódio que se registou "dias antes da nacionalização".

"Inesperadamente [no andar da administração da sede do BPN] fomos visitados antes das 9 horas pelo senhor juiz Carlos Alexandre, pelo senhor procurador Rosário Teixeira e por uma equipa de investigação. Eles ficaram cientes da nossa determinação em pôr tudo nos eixos da licitude e de apurar a verdade e as responsabilidades, tendo em nós não um antagonista, mas um aliado", referiu Miguel Cadilhe.

Neste contexto, Miguel Cadilhe adiantou que, durante a conversa, pediu ao juiz e ao procurador para que a sua intervenção não tivesse aparato - estavam lá fora carros da investigação da polícia -, "o que eles compreenderam, porque o aparato da operação poderia levar para o abismo a confiança dos depositantes e dos quadros do banco".

"Estabeleceu-se ali uma consideração e uma compreensão recíprocas, mas houve também naquele momento a clara perceção de que aquela vinda de surpresa dos senhores juiz e procurador era porque tinham a noção de que a nacionalização poderia vir a acontecer e queriam recolher elementos de informação antes que a nacionalização viesse", disse.

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Antes de terminar, Miguel Cadilhe reforçou a sua convicção.

"Essa perceção [de que a nacionalização iria ocorrer em breve] foi de tal modo clara que os meus colegas da administração e eu próprio conversámos sobre essa mesma perceção", acrescentou, antes de frisar ao deputado do CDS que estava a fazer sobre este episódio uma apreciação "subjetiva, sem confirmação da outra parte".

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