Economia

Vítor Gaspar garante que acesso ao mercado não é opção única para Portugal

Vítor Gaspar garante que acesso ao mercado não é opção única para Portugal

O ministro das Finanças português garantiu este sábado, em Tóquio, que o acesso ao mercado "não é opção única" para Portugal e que o Governo está a explorar instrumentos que permitam melhorar o acesso ao financiamento não oficial.

"O acesso ao mercado, ao contrário do que a maioria das pessoas entende, não é a única opção", disse Vítor Gaspar durante um seminário, no âmbito das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, na capital japonesa, dedicado ao tema "Reforçar a zona euro".

O ministro explicou que Portugal está no "processo de reconstruir uma curva de rendimentos passo a passo, alargando gradualmente a gama de instrumentos a que se pode recorrer".

Ao salientar que "para um país sob pressão, a prioridade é fazer ajustamentos bem sucedidos e conseguir fazê-los de forma credível", Vítor Gaspar destacou o "apoio dos parceiros europeus e das instituições multilaterais", destacando o FMI, para "tornar o ajustamento possível" de países como Portugal.

Neste processo, indicou, a "credibilidade e confiança são fundamentais para a sua viabilidade política, porque as populações vão apoiar o ajustamento se acreditarem que ele será bem sucedido e que o seu peso será partilhado de forma justa".

"Portugal tem feito progressos muito significativos e um dos pontos do programa que está a correr bem é a correção do desequilíbrio externo, estamos a aproximar-nos do equilíbrio das contas e prevemos que o Governo registe um excedente no próximo ano", declarou.

Esta situação faz com que Portugal tenha "uma série de possibilidades de alcançar fontes não oficiais de financiamento", constatou o ministro.

A "agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) está a explorar os instrumentos que estão disponíveis para melhorar o acesso ao financiamento não oficial, e para reconstruir os instrumentos de gestão de dívida para o Tesouro português", indicou.

Questionado sobre quando pensa que Portugal poderá voltar a ter acesso completo ao mercado, Gaspar disse "não saber ao certo", mas que "o BCE (Banco Central Europeu) certamente sabe".

Um membro do Conselho Executivo do BCE, Jörg Asmussen, que participava no mesmo seminário respondeu, indicando que países como Portugal e a Irlanda poderão tornar-se elegíveis para o novo programa de compra de obrigações (OMT), "quando voltarem a ter acesso pleno ao mercado das obrigações".

"Portugal deu passos significativos, mas para já isso não é suficiente para participar no OMT. Mas claro que, no futuro, não está excluída essa possibilidade", concluiu.

Jörg Asmussen realçou que "muitas medidas foram tomadas ao nível nacional na União Europeia e que muito já foi alcançado, mas o caminho ainda é longo para a recuperação".

"A maioria dos países ainda está a meio caminho e o OMT não é nenhuma bala de prata que vai resolver todos os problemas da zona euro, não há balas de prata e cabe aos Governos da zona euro agir de forma individual e coletiva, porque a ação do BCE não pode substituir a ação dos Governos", sustentou.

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