JN North Festival

Capicua é o megafone das mulheres fortes, livres e espontâneas

Capicua é o megafone das mulheres fortes, livres e espontâneas

Ela é "toda tripeira como a ribeira" e o sonho dela é "enterrar o machismo num museu". Esta sexta-feira, no JN North Festival, a rapper Capicua foi a voz de uma cidade conhecida "pelas mulheres fortes, livres e espontâneas". Antes de Don Diablo e Robin Schulz, o palco foi todo dela.

O segundo dia do JN North Festival chegou ao anoitecer com as batidas e poemas de um megafone de causas femininas. De globo multicolor no palco, vestida de roxo, dançante e em sucessivos apelos para o público fazer barulho, Capicua foi dona e senhora da Alfândega. A produção visual e o jogo de luzes foram os melhores de todos os espetáculos até ao momento. A garra também não lhe ficou atrás.

O espetáculo começou com "Planetário", do álbum homónimo. "Muito obrigado por estarem aqui hoje", agradeceu, para depois lembrar que "foi muito tempo" de pandemia: "Um grande aplauso ao JN North Festival por não ter desistido e um grande aplauso aos trabalhadores da cultura que mantiveram a esperança, mesmo nos dias mais difíceis". Foi o momento melancólico de uma guerreira que lançou o disco "Madrepérola", que fala sobre a maternidade, pouco antes de começar a pandemia.

No alinhamento não faltaram êxitos como "Vayorken", "Circunvalação" ou "Alfazema", mas o melhor estava guardado para o fim. "Mátria", o raivoso tributo ao antimachismo, teve uma alma gigante acompanhada pelo público. "Madrepérola", tema do disco homónimo, encerrou um espetáculo que primou pela dedicação, embora faltasse público para agigantar a mensagem.

Um jovem romântico

Antes de Capicua, houve um romântico chamado Domingues. Que bela surpresa deve ter sido este jovem e muito promissor artista de Gaia para quem não o conhecia. Entre músicas, quase sempre se desfazia em elogios ao público e ao cenário. "Se eu disser que ficava aqui três horas seguidas a tocar, vocês acreditam?", questionou, logo após "Romance de Cinema", um dos singles. Domingues apanhou o belíssimo crepúsculo e os primeiros sopros de vento de uma tarde que chegou a estar insuportavelmente quente.

Ele saltita entre rimas e melodias. Canta o amor, dobra a dose de elogios ao público e assume com uma humildade incomum o início de uma carreira que tem potencial para brilhar muito. Prova disso é a quádrupla platina do tema "Fica", que obviamente constou do alinhamento. "É mesmo um privilégio, é mesmo um sonho estar a tocar aqui para vocês", elogiou, antes de "Café em Paris", outro dos sucessos recentes.

Esta sexta-feira ainda há Robin Shulz e Don Diablo, dois espetáculos que prometem fazer da Alfândega uma grande pista de dança ao ar livre. O JN North Festival termina sábado com The Jesus and Mary Chain e The Waterboys como cabeças de cartaz.

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