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Aqui, os preguiçosos não têm desculpa

Aqui, os preguiçosos não têm desculpa
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É ao encontro da natureza e do património que vamos. E temos muito por onde ir. Na Beira Baixa, há quase meia centena de trilhos e percursos pedestres. Há, portanto, escolhas para todos os gostos e feitios, dos mais preguiçosos aos mais atletas. Seguem-se seis possibilidades, para recuperar da paragem imposta pelo confinamento. E para desfrutar.

Difícil é encontrar melhor início. Na charmosa e belíssima aldeia histórica de Monsanto (Idanha-a-N0va), a Rota do Barrocais oferece ao caminhante uma imensidão de formas geológicas esculpidas pela erosão. Na verdade, o passeio pela "Aldeia mais Portuguesa" desvenda-nos a evolução que as rochas sofreram, desde a sua formação, ainda no interior da Terra, até à exposição num imponente arquipélago de granito.

Os Penedos Juntos, bolas graníticas de grande dimensão, são o ponto de partida. Caminhamos de seguida até à "pedra tartaruga" (designação local), uma malha de fraturas na rocha que a força da água trabalhou até formar uma espécie de côdea de pão. Vamos colocando o olhar na campina que se estende até ao horizonte, para aliviar o peso de tanto rochedo. Chegamos ao Tor, uma espécie de boneco desengonçado que acumula camadas de blocos de pedras na vertical (parece ficção científica, mas não é). E eis-nos nas Lages das 13 Tigelas, conjunto de pias que mais não são do que cavidades abertas na superfície rochosa. Diz a lenda que uma fidalga alimentava os pobres usando estas 13 tigelas.

Haveremos de passar pelo miradouro das ruínas da Igreja de S. João, antes de subir ao Castelo, cujo miradouro permite rodarmos 360 graus, para não perdermos nada desta deslumbrante paisagem. Já na descida, eis-nos perante a Casa de uma só telha, exemplo de harmonia perfeita entre paisagem e construção humana. Olharemos ainda o Penedo do Frade e da Freira (mais uma lenda: os dois terão ficado petrificados como castigo por serem infiéis aos votos), antes de concluirmos o trajeto na Pedra Bolideira. O equilíbrio deste bloco é fim perfeito, porque foi necessário muito equilíbrio para aqui chegarmos. Vale bem a pena.

Sete mirantes, 400 hectares

É também de pedregulhos feito o fantástico Trilho do Parque do Barrocal, em Castelo Branco.

Inaugurado em 2020, o parque tem 40 extensos hectares, sete mirantes temáticos, que chegam aos 425 metros de altitude, múltiplas formações geológicas, ponte suspensa, passadiços e trilhos naturais, além de um parque infantil e um observatório de aves. O novo pulmão verde albicastrense integra os territórios classificados do Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO e da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Tejo Internacional.

Carregado de enormes rochas resultantes da dança constante das placas tectónicas, o Barrocal faz parte da cidade, uma vez que alguns dos monumentos mais antigos da capital de distrito foram construídos a partir dele.

No Parque, a paisagem fascina e a biodiversidade deixa-nos atónitos. Em alguns dos mirantes, o horizonte não se esgota sem mostrar Espanha, do lado de lá da fronteira. As aves aproveitam os carvalhos, os sobreiros e as azinheiras para soltar cantos inebriantes. Os passadiços levam-nos à descoberta do fantástico Túnel do Lagarto e do não menos fantástico Observatório dos Abelharucos. Exigência para de tudo tirar proveito: tempo e um dia ameno, porque aqui o calor aperta.

Os cheiros e as cores da Malcata

Tempo é justamente o que estamos obrigados a ter, para desfrutar da maravilhosa Serra da Malcata, em Penamacor. A exuberante paleta de cores que nos acompanha caminho fora é mirífica. Amarelos, roxos, brancos, verdes, rosas, castanhos, vermelhos e dourados de tonalidades várias: eis a composição de uma vegetação luxuriante.

A mochila é companhia obrigatória, porque sem binóculos, bússola e mantimentos ficaremos longe de tirar desta reserva natural o muito que ela oferece. Já não vislumbraremos o lince ibérico, mas há, entre outros, o abutre-negro, a cegonha-preta, o rouxinol-do-mato, o corvo e a cegonha para nos fazerem companhia.

E há os cheiros: a esteva, a urze, a carqueja, a madressilva, a rosa-albardeira. E há, ao longo das principais linhas de água, bosques com amieiros e freixos, salgueiros brancos e pretos.

PR5 = resistência

Em Proença-a-Nova, o percurso da Rota dos Recantos e Encantos (PR5) exige resistência: são 11 quilómetros de andamento, para quem quiser fazer todo o percurso. Mas o esforço tem forte recompensa.

Partindo da praia fluvial de Alvito da Beira, caminha-se por um vale verdejante ao longo de antigas levadas que ligavam as povoações de Alvito, Lameiro da Mó e Cova do Alvito. O percurso atravessa por três vezes a ribeira, de onde salta à vista a vegetação. Com sorte, uma lontra há de cumprimentar o viajante.

Os vestígios de pequenas pontes que ligavam margens nos períodos de Inverno, quando o caudal era bastante superior, juntam-se à paisagem antes rica em olivais.

Encontraremos a aldeia da Cova do Alvito, que ganha vida aos fins-de-semana, graças à chegada de proprietários que aqui adquiriram algumas das casas da terra. Retemperadas as forças na fonte da aldeia, seguimos a marcha, já de volta à praia fluvial de Alvito da Beira.

Os Trilhos do Estreito

O percurso pedestre que leva a sigla PR4, em Oleiros, faz parte dos Trilhos do Estreito. Trata-se de um itinerário circular que contempla a passagem por incríveis locais ao longo da Ribeira de Pêro Beques e pelas localidades de Estreito, Retaxo, Ameixoeira e Roqueiro (sim, é aqui que se come um divino cabrito estonado, na Adega dos Apalaches).

Os aromas libertados pelo pinheiro, pela urze e pelo medronheiro (a viagem nunca ficará completa sem provarmos o licor de medronho, ícone deste concelho) acompanham-nos durante o trajeto. Olivais (como não?), pomares e lagares pontuam o percurso, embelezado pelas inúmeras passagens por cima da Ribeira, feitas através de pontões que mostram, à direita e à esquerda, hortas. Apetece "assaltá-las" e recolher os vegetais que as enchem de cor.

A Capela da Senhora da Penha, a fonte e Capela de S. João, a Torre, o Cruzeiro da Ordem de Malta, ou o casario centenário de xisto existente no lugar de Espinheiros, integram-se no périplo, dando-lhe ainda mais sainete.

Fechar em grande na Grande Rota

Este é, simplesmente, o maior trilho contínuo de pegadas humanas do Mundo - o Trilho Internacional dos Apalaches (3.500 quilómetros de caminho). O percurso português faz-se na Grande Rota (cerca de 37 quilómetros), situada por inteiro na serra do Muradal (Oleiros). Chama-se Grande Rota Muradal-Pangeia, numa alusão, respetivamente, à montanha quartzítica e ao grande continente que há 200 milhões anos reunia todo o espaço terren0.

O serpentear pela linha de cumeada que se estende ao longo da Serra do Muradal encontra, nas zonas de maior elevação, miradouros que mostram paisagens de cortar a respiração. Se o tempo ajudar, nos miradouros avistam-se com nitidez as Serras da Estrela, Gardunha, Açor, Alvelos, Cabeça da Rainha e Monsanto. E há bosques verdejantes, ladeados por imensos cursos de água, que nos atacam as emoções.
Os mais bravos podem escolher a "via ferrata" (um percurso de 150 metros cravado na parede rochosa), ou andar pelos trilhos de BTT, ou simplesmente pedalar pelos extensos cumes aplanados.

O património geológico é brutal. A Pedreira da Penha Alta, o Picoto do Muradal, a Fraga da Água D"Alta e o Cabeço Mosqueiro são guardiões de fósseis. O "quadro" é todo pintado com cores de encher o olho. Há um extenso verde com pigmentos amarelos, vermelhos, rosas e brancos.

Não saia daqui sem descer à indizível Cascata da Fraga de Água D"Alta: três véus de água esperam que nele meta as mãos, para de seguida refrescar a cara. Este é um sítio de beleza incrível. Como incrível é o Poço de Fervença, no sopé da serra do Muradal. Uma cascata enche o poço: meta os pés na água fresca.

Percebe agora por que não têm desculpa os mais preguiçosos? Este local é lindo, é revigorante e é idílico. Como toda a sub-região Beira Baixa, de resto.

Bons passeios!

P.S. O que ver, o que fazer e onde ficar durante a visita a estes paraísos? Está tudo aqui, aqui e aqui.

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