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Do queijo ao plangaio: este destino é para os bravos

Do queijo ao plangaio: este destino é para os bravos
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É nos restaurantes e tascas da Beira Baixa que ganha forma e sabor a enorme e deliciosa paleta de produtos locais e regionais. Misturado com a arte que vem de tempos imemoriais e com talento de jovens chefs, este destino gastronómico merece cuidado e atenção crescentes. Entra-se no território a salivar. Sai-se do território a salivar.

A palavra a quem sabe. Diz o chef José Avilez, conquistador de estrelas Michelin, um dos mais distintivos galardões da gastronomia mundial: "Os restaurantes de autor são os mais divulgados, por estarem em listas internacionais, e acabam por ter mais mediatismo. Mas, para conseguirmos construir um destino gastronómico, temos que ter e preservar os restaurantes tradicionais e as tascas. O conjunto destes vários tipos de restaurantes é que cria um destino gastronómico."

Ora, na sub-região da Beira Baixa (Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Penamacor, Proença-a-Nova, Oleiros e Vila Velha de Ródão) há produtos de excelência q.b. para fazer do território um ímpar destino gastronómico. O azeite, os queijos, o mel, as carnes, os enchidos, o pão, os condimentos e os vinhos, tudo é de truz. Se, para retomar José Avillez, "o que as pessoas procuram hoje é identidade", é justamente identidade que, antes de tudo o mais, a gastronomia beirã oferece.

Verdade que nem sempre assim foi. Mas, felizmente, os tempos em que vaguear pelos restaurantes da Beira Baixa era uma aventura pouco conseguida já lá vão. Nas últimas décadas, a região soube reinventar-se e configurar-se mais de perto com a natureza, o produto local e o imenso talento que a tem povoado mais e melhor, de lés-a-lés.

O que se segue é, apenas, um pequeno roteiro por algumas das mais apelativas mesas da sub-região. Se quiser complementar a informação, basta ir aqui.

Atenção a dobrar

Ter atenção ao produto servido e à explicação a dar. Estes dois mandamentos de todo o restaurante que se preze são cartão-de-visita no Cabra Preta, em Castelo Branco. A energia de quem nos serve quadra na perfeição com a inovação do que há de chegar à mesa. A cozinha é jovem e esclarecida. Entregamo-nos ao petisco no delicioso jardim: provados os enchidos e queijos, chegam uns fantásticos ovos mexidos com farinheira da aldeia. Está o palato pronto para uma das estrelas da casa: a prova de chouriço à contrabandista, uma mistura divinalmente condimentada das carnes tradicionais da matança do porco. Finaliza-se com um luxo: o manjar do pastor, sobremesa com direito a prémio em concursos, é tão magnífico quanto enigmático (tem um ingrediente secreto - há que ir ao Cabra Preta para saber qual).

A cozinha de raízes e proximidade do Dona Ferreirinha, ainda em Castelo Branco, é outro "spot" incontornável. Depois de provados uns gulosos maranhos à Beira com couves da horta, arriscámos avançar com um arroz de peixes em coentrada. Em boa hora o fizemos: foi uma festa para as papilas gustativas. Fechámos com tigelada e arroz doce, ambos impecáveis.

Se puder, passe pelo irreverente Capelo"s, pequeno templo enogastronómico em que tudo se passa ainda em família.

Duas mesas, dois estilos

Em Idanha-a-Nova, duas mesas especiais proporcionam experiências complementares, mas igualmente fundadoras: na Casa da Velha Fonte, em Idanha-a-Velha, tudo acontece como no tempo do império romano, à maneira da recriação quase histórica, incluindo o recurso a intensificadores naturais de sabor, em detrimento do sal e do açúcar.

Em Idanha-a-Nova (vila) está aquele que é, porventura, o mais esclarecido dos restaurantes da Beira Baixa, o Helana, onde oficia o chef Mário Rui Ramos. Amante do pormenor, o grande arsenal técnico e criativo de que dispõe resulta numa cozinha requintada. Os cogumelos silvestres, as migas de espargos e o borreguinho grelhado que testámos foram prova provada da excelência que aqui mora.

Cabrito, pois claro

A ida à Adega dos Apalaches, em Oleiros, faz-se com as expetativas elevadas. O cabrito estonado deu fama ao restaurante. A fama é justa: a carne é incrível e a pele tostada até ao limite é acrescento de truz. Convém marcar antecipadamente. E, se possível evitar sábados e domingos, para fugir às enchentes.

D. Alice, a simpática proprietária d" O Tear, ali colado à belíssima zona de lazer da Meimoa, em Penamacor, é um tratado. Afadiga-se com o pormenor e debita a ementa. Provámos o bacalhau assado - e haveremos de voltar para o testar uma outra vez, desde que esteja tão bom como o primeiro.

Mais duas excelências

É no posto de abastecimento de Catraia Cimeira, em Proença-a-Nova, que somos verdadeiramente surpreendidos. A excelência sublime da Catraia mostra-se na prova: sopa de peixe de antologia, a regionalíssima chanfana e os beirões bucho recheado e maranhos. Fecha-se o manjar com uma merengada de limão. E saímos felizes e contentes. Obrigado, chef Adelino Martins.


De excelência é também o plangaio que se prova na Casa Ti"Augusta (aldeia de xisto de Figueira, Proença-a-Nova). O que é o plangaio? É isto: arroz, ossos da suã, febras de porco, alho, colorau, cominhos, hortelã, sal, sangue líquido, salsa, vinho. E isto é fantástico, mais ainda quando acompanhado pelo pão feito, logo pela manhã, no forno comunitário.

Na Herdade da Urgueira, em Vila Velha de Ródão, está um restaurante imperdível, curiosamente chamado Meio do Nada, onde sabores, queijo e azeite se declinam em uníssono num registo de excelência. Fizemo-nos ao cabrito no forno - e ele mostrou-se à altura. Fechámos com uma arrojada tigelada com gelado de arroz doce. O arrojo valeu bem a pena. Haveríamos de encontrar semelhante ousadia no belíssimo Vale Mourão, na Foz do Cobrão. Tigelada com coulis de laranja parece bem à partida, mas pode ser mau à chegada, se o equilíbrio dos sabores não estiver no ponto. Esteve.

A viagem não ficará completa sem provarmos os fabulosos queijos (há que procurar os DOP Castelo Branco, Amarelo da Beira Baixa e Picante da Beira Baixa), os igualmente fantásticos azeites (impera a DOP Azeite da Beira Baixa, variedades Galega, Bical de Castelo Branco e Cordovil) e os cada vez mais atrativos vinhos da região: frescos, copiosos e salinos, provêm de granitos velhos, os mais duros do País. As castas que lhes estão na base (destaque para a Fonte Cal e Rufete), dão vinhos de grande elegância e longevos.

Tchim, tchim!

P.S. Procure aqui alternativas a este roteiro gastronómico. E aqui os alojamentos disponíveis nos seis concelhos da Beira Baixa.

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