Passeio

Descobrir as novidades de Braga

Descobrir as novidades de Braga

Novos restaurantes, bares, espaços de arte e comércio estão a dar uma movida fresca a Braga. A Cidade dos Arcebispos, tradicional e muito antiga, está em ebulição criativa. Cada vez mais diversificada nos gostos, mais aberta e cosmopolita, tem agora uma vibração mais profana. Os novos restaurantes, lojas e a vida noturna feita com muita música ao vivo convivem lado a lado com a cidade tradicional, que nunca perde o encanto de granito.

COMPRAR

Uma loja, uma galeria e um palácio

Do Arco da Porta Nova à Sé multiplicam-se espaços de comércio, arte e diver­são em Braga. Mas a dinâmica conti­nua a ser um pouco «imprevisível». Quem o afirma é Andreia Vieira, que, jun­tamente com Glória de Carvalho, abriu em abril passado a primeira concept store da ci­dade. «Em Braga abrem coisas que, à parti­da, se pensa que podem ter sucesso e acabam por não ter e vice-versa», explica. Mas a sua B-Concept, diz, «está a ter muito mais acei­tação» do que pensaram.

O espaço ocupa um edifício com pelo menos 200 anos e está di­vidido em dois andares. Salas abertas e grandes intercalam com recantos mais pequenos. E todos estão repletos de produtos das marcas parceiras. Estão representadas várias mar­cas de roupa, desde a arrojada Boombap, de streetwear, até a projetos de design de moda de autor, lojas de objetos utilitários e decorativos, de vinhos e produtos gourmet. Existe também uma galeria de arte e um café - Ao Pé da Sé - que serve refeições leves ao almoço.

Em frente, estão estantes com especiarias, er­vas aromáticas e leguminosas secas - o Mer­cadinho Feijão & Companhia. Mas Andreia quer dar mais ênfase às artes. «Em breve, va­mos criar dinâmica com, por exemplo, ateliês de design e arte sempre em funcionamento. Queremos ter aqui um tatuador, cabeleireiro, barbeiro, massagista, em rotatividade.» An­dreia admite que quer que o B-Concept sir­va também para democratizar a arte, torná-la acessível: «Gostava que viessem cá com­prar arte com a naturalidade de quem compra roupa», afirma.

Aproximar arte e público é o objetivo de outro projeto que está a ganhar força em Bra­ga, a Galeria Emergentes DST - Shairart. É, ao mesmo tempo, uma galeria de arte com espaço físico na Rua do Raio e plataforma online composta por artistas e compradores. Joana Neves, responsável pela comunicação do projeto, explica que a galeria começou por ser direcionada apenas para a divulgação de artistas emergentes. Depois, e «porque as pessoas também estavam interessadas em adquirir obras de consagrados», ampliaram o âmbito do projeto.

PUB

Mesmo considerando que «espaço físico é uma espécie de mostra do que existe na plata­forma», este tem uma vida própria. A entrada de Rafaela Ganga para desenvolver trabalho de curadoria veio dar outro fôlego à galeria. Até agora, as exposições eram feitas a partir da votação do público da plataforma, mas este modelo «não estava a gerar o valor» que dese­javam, admite Joana Neves.

A primeira expo­sição comissariada por Rafaela reuniu diver­sos artistas do Porto, emergentes e consagra­dos, numa viagem pela diversidade estética e conceptual da arte contemporânea. Agora, está a ser preparada a primeira exposição in­dividual da galeria: Viagem ao Simbólico por Sobral Centeno, a inaugurar no dia 12 de mar­ço. A galeria conta também com um progra­ma cultural e de educação artística.

Quem passear por ali pode aproveitar pa­ra conhecer o renovado Palácio do Raio, que abriu ao público depois de obras de reabilita­ção durante o ano passado. Este palácio cons­truído em meados do século XVIII, onde fun­cionaram, em finais de oitocentos, serviços do Hospital de São Marcos, pertence à Santa Casa da Misericórdia e recebe agora um núcleo in­terpretativo do acervo da instituição. Em dez salas é possível ver objetos antigos ligados a cuidados de saúde e também alguma arte sa­cra, como o grupo de esculturas Visitação.

Comprar

B-CONCEPT. Rua de São João, 15. Tel.: 253033549 Web: bconcept.pt Das 10h00 às 19h00. Encerra ao domingo e à segunda.

Visitar

PALÁCIO DO RAIO. Rua do Raio. Tel.: 253206520 Das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h00. Encerra à segunda. Entrada gratuita.

GALERIA EMERGENTES DST - SHAIRART. Rua do Raio, 175. Tel.: 253116620. Das 11h00 às 13h00 e das 14h00 às 20h00; sábado, a partir das 15h00. Encerra ao domingo e à segunda. Entrada gratuita.

COMER

O outro lado internacional

O bacalhau à Narcisa, também conhe­cido como bacalhau à Braga, as pa­pas de sarrabulho ou o famoso pu­dim Abade de Priscos são alguns dos clássicos da gastronomia regional desta zona do país. Não faltam em Braga bons restauran­tes tradicionais, mas agora existe uma von­tade de conhecer outras latitudes culinárias. A tendência são mesmo propostas interna­cionais. «Braga aprendeu a gostar de sushi. Há uns tempos, comia-se por ser moda , agora as pessoas já conseguem avaliar e distinguir o bom sushi do mau», diz o chef Nuno Peixoto, que, com mais dois sócios abriu, em dezem­bro passado, a mais recente casa de sushi da cidade: o Alma d'Eça, virado para o jardim de Santa Bárbara.

O chef e sushiman veio do res­taurante Alma, de Guimarães, para abrir um Alma em Braga. Antes, para comerem bom sushi, «os bracarenses tinham de ir ao Porto diz. A dinâmica incerta da cidade não assus­tou os sócios. Em pouco tempo, o restaurante «superou as expetativas». Aqui, o sushi é de fusão, mas pouca. «Tento fazê-lo o mais tradi­cional possível, mas está na fronteira, tive de adaptar algumas coisas», admite. Alma d'Eça não é apenas um restaurante de sushi, serve também comida mediterrânica, entre pas­ta e risotti, pratos portugueses e vários bifes.

A meia dúzia de passos, outras propostas vêm do Oriente. Lakkana «é o primeiro res­taurante tailandês no Norte do país», acredi­ta José Gomes, que há alguns anos se apaixo­nou pela tailandesa que agora trata da cozi­nha do restaurante e lhe dá nome. José Gomes e Lakkana conheceram-se na Tailândia. Ela geria o resort onde ele estava a passar férias. «Quando veio cá a primeira vez, assustou-se com o inverno», diz José. Mas regressou e decidiu com ele abrir o restaurante no cen­tro histórico. «Tinha muita vontade e conhe­cia bem a cozinha tradicional do seu país», conta. «A ideia de restaurante fascinou-a logo e começou a fazer jantares ao fim de semana para amigos.» Aqui pode apreciar-se vários tipos de caril, saladas, massas, sopas, saltea­dos e mariscos. O restaurante, com três anda­res, tem grande oferta na carta de vinhos e de cervejas internacionais.

Outro «forasteiro» que acabou por se habituar às bátegas bracarenses foi Alex Davico, italiano de Turim que abriu o res­taurante La Piola no centro histórico. Es­te arquiteto e agora cozinheiro ficou em Portugal também por amor. O seu «canti­nho italiano», como o próprio diz, está re­pleto de referências à cultura portuguesa. Quadros de sua autoria (que também estão à venda) com referências a trajes minho­tos são homenagens às tradições, «à terra que me recebeu», diz. De resto, cheira tudo a Itália nesta pequena e confortável sala de jantar.

A ideia inicial era ter piadine, mas rapidamente passou a ser restaurante pa­ra servir várias especialidades das várias regiões do país. A casa é fiel aos produtos italianos, também disponíveis para venda, pois funciona igualmente como mercea­ria. O vinho é de Itália, assim como as cer­vejas, os queijos e os enchidos. «A comi­da italiana é muito simples, não vale a pe­na inventar», diz Alex, que considera que as pessoas estão mais conscientes no que toca à alimentação.

Da cozinha saem pra­tos como linguini neri com tinta de choco e camarão, fondue de trutas, várias pizas e risotti. «Sempre tive gosto pela cozinha, o meu pai já cozinhava», explica Alex, que acredita que daqui a três ou quatro anos o centro histórico de Braga estará cheio de propostas diversificadas. «A câmara está a apostar no centro, em espaços e em even­tos e nota-se que a cidade está a crescer», diz. No La Piola há prato do dia ao almoço, e o jantar é à carta, num ambiente que se torna mais intimista.

Para um lanche entre as refeições ou pa­ra um reforço de sobremesa, basta andar al­guns passos para encontrar a Tíbias de Bra­ga, uma confeitaria charmosa, inaugurada em 2015, onde se pode experimentar do­çaria tradicional. Das mão do chef paste­leiro João Benjamim Araújo saem as famosas tíbias, um bolo recheado que lembra o éclair francês.

Comer

LAKKANA RESTAURANTE TAILANDÊS. Rua Dom Gualdim Pais, 34. Tel.: 964994604. Das 12h00 às 16h00 e das 19h30 às 23h30. Encerra à segunda e terça ao almoço. Preço médio: 20 euros.

LA PIOLA. Rua D. Afonso Henriques, 25. Tel.: 253096926. Das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 00h00; encerra terça ao jantar e domingo ao almoço. Preço médio: 15 euros.

ALMA D"EÇA. Rua Eça de Queirós, 28. Tel.: 253251081. Das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 00h30; sexta e sábado, até às 02h00; encerra segunda ao jantar. Preço médio: 30 euros.

SAIR

A noite em volta da Sé

Há três ou quatro anos, pouca gente se aventurava a ir passear à noite para a zona da Sé. O coração da zona histó­rica era pouco iluminado e não muito convidativo, havendo apenas o Rossio e o bar-galeria Estúdio 22, que continua a ser uma referência. Agora, com a abertura de vários espaços de diversão noturna, a realidade é outra. Que o diga Susana Carvalho, que no ano passado abriu aqui o seu negócio.

A Do­na Petisca não é um bar, é uma casa de pe­tiscos e mercearia onde, durante o fim de se­mana, é possível confortar o estômago até às duas da manhã. A proprietária é testemunha das mudanças nos últimos anos nesta zona da cidade. O pai tinha uma loja de antiguida­des precisamente onde está o Dona Petisca, um espaço que alia o conceito de café, wine bar, petisqueira e mercearia. «Começámos por vender produtos DOP de várias regiões, mas alargámos o conceito.»

Os produtos re­gionais continuam a ser a aposta da casa, que também serve refeições simples à hora do al­moço e aposta numa boa garrafeira. Chouriça, alheira e pataniscas são algumas das propos­tas. Mas o ex-líbris da casa são mesmo as bifa­nas, servidas em pão de trigo, pita ou wrap, e conforme os gostos regionais. O espaço man­tém uma certa ligação com a sua história. As­sumidamente contemporâneo, está decora­do com cerâmicas vintage de várias fábricas portuguesas.

É aqui que alguns começam a sua noite pe­la Sé, petiscando algo antes de ir para os co­pos. Um dos bares mais frequentados fica al­guns metros abaixo. Chama-se Sé la Vie e tem música ao vivo e DJ todos os fins de semana. Estreou-se em março de 2015 e é um espaço «aberto a todos», nascido da vontade de «fa­zer cultura» de Luís. Frequentado por estu­dantes, professores universitários e turistas, consegue juntar, acima de tudo, os amantes de música. A boémia pode ser acompanhada com diversas cervejas especiais estrangeiras. Para petiscar há tortilhas, bolas, salsicha ale­mã e saladas. Aqui ouve-se um pouco de tudo, com destaque para rock, funk, jazz ou soul.

Na porta ao lado, a música é outra, mas também alternativa. O Notre Dame, aber­to no verão passado, é um espaço para os amantes da música gótica, post-punk, new wave e aposta nas cervejas especiais e artesanais. Mas o inquilino mais recente da zo­na é o Altar, vocacionado para o revivalismo musical a par das jam sessions de jazz, blues e outros géneros. A ideia nasceu «numa noi­te de copos entre amigos», explica Jorge Fer­ro, um dos proprietários. «Queríamos que viesse preencher o que não havia aqui, uma linha musical que satisfizesse o público mais adulto.»

Quando não há sessões de improvi­so, abre-se a pista com pop revivalista. A revi­são da noite bracarense não estaria completa sem se falar do Convento do Carmo, «sagra­do», hoje, para quem gosta de dançar até de madrugada. Com salas para concertos, pis­tas para diversos tipos de música - da eletró­nica ao rock - espaço de restaurante e até uma piscina, nos claustros, o espaço polivalente irá apresentar novidades no início da primavera, quando a noite ganha novo fôlego.

Sair

SÉ LA VIE. Rua Dom Paio Mendes, 37 (Largo da Sé). Das 15h00 às 02h00; sexta e sábado, até às 03h00. Encerra ao domingo.

NOTRE DAME. Rua Dom Paio Mendes, 41 (Largo da Sé). Tel.: 915818363. Das 21h00 às 02h00; sexta e sábado, até às 04h00. Encerra ao domingo.

ESTÚDIO 22. Rua Dom Paio Mendes, 22 (Largo da Sé). Tel.: 253053751. Das 18h00 às 02h00; sexta e sábado, até às 04h00.

ALTAR. Rua do Forno, 1 (Sé). Tel.: 927175084. Das 22h00 às 02h00; sexta e sábado, até às 04h00. Encerra à segunda e à terça.

CONVENTO DO CARMO. Travessa do Carmo (São Vicente). Tel.: 929255229. Das 21h00 às 02h00; sexta e sábado, das 18h00 às 06h00. Encerra de domingo a quarta.

Comer

DONA PETISCA. Rua Dom Paio Mendes, 32 (Largo da Sé). Tel.: 253052480. Das 11h00 às 23h00; sexta e sábado, até às 02h00; domingo, a partir das 17h00. Preço médio: 8 euros.

Bom Jesus a Património Mundial

Em meados do ano passado, foi apre­sentada à UNESCO a candidatura do Santuário do Bom Jesus a Patri­mónio da Humanidade e este clássi­co de Braga continua a ser um lugar incon­tornável de passeio. O complexo, sobran­ceiro à cidade, é composto por uma igreja, uma escadaria, um funicular - o mais anti­go da Península Ibérica a utilizar o sistema de contrapeso de água -, parques e jardins.

Foi entre finais do século xviii e o início do seculo xix que se ergueu o complexo, que continuou a crescer nas décadas seguintes, com vários edifícios religiosos e de apoio aos muitos viajantes que por lá passavam. O Hotel do Parque, renovado em 2014, co­meçou, no século xix, como convento. Em 1974, foi abrigo para quem regressou das antigas colónias africanas e, em 1987, foi integrado na estância dos hotéis do Bom Jesus, da qual fazem parte outras três uni­dades - Lago, Templo e Elevador.

Na mais recente renovação, a receção regressou ao sítio original, cobriram-se os claustros pa­ra que pudessem ser utilizados como salas de estar e instalou-se spa e ginásio. O ho­tel, de quatro estrelas, tem quarenta quar­tos e quatro suites, e funciona em interli­gação com os outros três. Quem quiser ex­perimentar as especialidades culinárias do Bom Jesus terá de andar alguns metros até ao Hotel do Elevador, onde se encon­tra o restaurante Panorâmico, com vistas privilegiadas para a cidade e propostas de comida regional. Porque aqui ainda man­da a tradição

Ficar

HOTEL DO PARQUE. Bom Jesus do Monte. Tel.: 253603470. Preço: quarto duplo a partir de 70 euros (inclui pequeno-almoço).

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG