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Loulé: O segundo sol

Loulé: O segundo sol

A chegada do outono e das primeiras chuvas apenas fazem que o verão de São Martinho seja ainda mais desejado. É uma espécie de segunda oportunidade, já fora de tempo, para rumar a sul, ao Barrocal algarvio. É lá que fica o Vila Monte.

Entre a serra e o mar. O Barrocal, no Sotavento algarvio, fez-se graças a um clima muito particular que favoreceu o aparecimento da cultura de sequeiro, com a predominância de hortas e de pomares. À margem de maiores cuidados, muitas vezes entregues a si mesmas, amendoeiras, figueiras, oliveiras, alfarrobeiras e romãzeiras dão o tom à paisagem e delas, não mais como antes, ainda se tira o sustento.

Moncarapacho, entre Olhão e Tavira, não tem praia, mas o oceano não anda longe. Na verdade, está tão perto que fazem dele uma promessa no Vila Monte Farm House - com transporte assegurado até à ilha da Fuseta. De portas abertas desde julho, o resort que começou por ser de inspiração mourisca passou por uma remodelação de cinco milhões de euros e pela reconversão de toda a sua área de construção e demais espaços envolventes. Os jardins rústicos já compõem, mas são uma aposta a médio prazo.

A atual versão apresenta-se assumidamente mais campestre e algarvia, mas há quem encontre aqui referências subliminares à Comporta e até às ilhas gregas. O facto é que a cal branca, as açoteias ou as treliças, já para não falar de elementos distintivos como as chaminés recortadas, são inequivocamente locais. No fundo, da decoração ao conceito, da restauração aos serviços, a DHM (Discovery Hotel Management), que agora se ocupa da gestão e é também responsável por outros hotéis-boutique, empenhou-se a fundo para que o novo Vila Monte seja sinónimo de uma experiência acima dos padrões na região.

Para isso foi determinante a intervenção do arquiteto Jorge Guimarães e da designer de interiores Vera Iachia. Os dois reinterpretaram o ADN algarvio, mas não ficaram presos aos cânones. Desde a primeira hora salta-nos à vista uma sofisticação despojada ao melhor estilo boho-chic. Além dos 55 quartos, distribuídos por quatro edifícios separados por pátios, escadarias e alpendres, o resort conta com duas piscinas exteriores, dois restaurantes (outra novidade é a possibilidade de reservar a mesa do chef Adérito de Almeida, junto à horta, para uma degustação mais personalizada), court de ténis, ginásio, um spa (por concluir) e até uma mercearia gourmet na receção - onde estão expostos e à venda vários produtos usados na decoração como os panos da Futah e da Anti-Mosquito, as cerâmicas João de Deus, as facas Ivo Cutelarias, os tachos de ferro Chasseur, mantas da Burel Factory ou ainda as tábuas de cozinha desenhadas pela dinamarquesa Muubs. Tudo coisas que encaixam na lógica inspiracional, mas a componente de incentivo ao que é da terra está igualmente presente no recurso a vários objetos-desejo produzidos por artesões algarvios ao abrigo do projeto TASA.

O restaurante Terra, com um excelente buffet de pequeno-almoço e uma vertente de cozinha de mercado, é uma escolha segura para quem não deseja sair dos limites da propriedade, mas o chef Adérito de Almeida é o primeiro a incentivar uma ida às compras.

Na verdade, com ou sem chef por perto, os mercados algarvios, como os de Loulé ou Tavira, constituem uma excelente surpresa para quem vem das grandes cidades. Pelo preço, pela arrumação e pela variedade de produtos - que vão desde as especiarias à alfarroba em pó, sem esquecer iguarias como as ostras (quando não são da ria Formosa chegam da ilha de Tavira) ou as muito apreciadas, mas pouco conhecidas, ovas de polvo.

Entre os restaurantes não muito distantes, destaque para o rústico Monte da Eira, em Clareanes-Loulé. Instalado no que foi outrora o estábulo de uma casa agrícola, o restaurante faz da rusticidade um atrativo a mais a somar à sua cozinha regional. Já em Tavira, aproveitando a proximidade das salinas que constituem um belíssimo pretexto de passeio, o Orangea Bistro do hotel Ozadi encontra-se aberto ao público e vale bem uma incursão - pela arquitetura premiada e pelo conceito descontraído sobre as piscinas, sendo possível optar por pratos mediterrânicos ou por petiscos e tapas com vinhos. Além de que possui uma carta de cocktails à base de Orangea, o licor com laranjas algarvias

Já a tocar a fronteira, ainda sob o signo do sal marinho, Castro Marim tem na Quinta da Fornalha mais um motivo de evasão construtiva pela sua abordagem ecológica e sustentável. Esta quinta funciona como ecoturismo rural, organiza atividades e visitas, faz mecenato, produz sal e frutas e, desde há cinco anos, mantém de portas abertas uma loja com vários produtos biológicos de lavra própria ou de parceiros que se encaixem nesta filosofia como compotas, trufas, chutneys e até licores. Afinal, esta é uma das vantagens de já não ser mais verão. No regresso, na mala poderá trazer, sem culpas maiores, mais do que apenas o ar da renovação.

Vila Monte Farm House. Sítio dos Caliços, Moncarapacho. Tel.: 289790790. Web: vilamonte.com. Quarto duplo a partir de 220 euros por noite (inclui pequeno-almoço)

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