Roteiro

Pela ria e pelas margens

Pela ria e pelas margens

Aos encantos antigos da cidade como os ovos-moles e a arte nova juntam-se lugares com propostas gastronómicas diferentes e um hotel renovado acabado de estrear.

Até meados da década de 1980, os barcos moliceiros navegavam pe­la ria carregando toneladas de mo­liço, uma mistura de algas e outra plantas marinhas que aduba­vam as terras agrícolas da cida­de. Hoje, as pequenas embarca­ções continuam a deslizar pe­las águas. Não com moliço, mas com turistas. Aos barcos junta-se o movimento arte nova, a do­çaria e os novos espaços que es­tão a pôr a cidade a mexer.

Maria João, sócia do restau­rante Alzuleich - More Than Food, concorda. «Desde que os moliceiros voltaram a circular, há cinco anos, começaram a aparecer mui­tos turistas», diz. Não perfazem a maior par­te do público do restaurante, mas já come­çam a frequentar esta casa de hambúrgue­res inaugurada há um mês. Na carta que está a conquistar os aveirenses contam-se ham­búrgueres de bovino, alheira, bacalhau e ve­getarianos, que podem ser acompanhados de sangria ou limonada de frutos vermelhos. Os nomes dos hambúrgueres, como Carte­la ou Rococó, sempre relacionados com ar­te, explicam o nome do espaço. «Foi uma palavra que deu ori­gem a azulejo», que «é um dos símbolos da cidade».

Neste ano, o jornal The Guar­dian considerou Aveiro como uma das dez melhores cidades europeias para ver arte nova. E é no Museu de Arte Nova, ape­nas a cinco minutos a pé, na Rua Barbosa de Magalhães, que me­lhor se pode entender este mo­vimento artístico. O museu está num edifício de três pisos cuja fachada pinta­da de azul-turquesa - e respetivos detalhes em ferro forjado - fazem que a observação se prolongue por alguns minutos. Ao todo, há 28 lugares na cidade onde se podem ver ex­pressões deste estilo influenciado largamen­te pela natureza. O museu funciona como um centro interpretativo, onde é possível perce­ber a origem do movimento que está presen­te não só na arquitetura mas também no ves­tuário, no design e na publicidade.

Saindo do museu, os moliceiros aguar­dam por um passeio. A viagem dura 45 mi­nutos e é repleta de história, mas antes de se pular a bordo vale a pena observar as ilustrações românticas, outras religiosas e ain­da algumas bem atrevidas que decoram as embarcações. «Olha que a pássara quer mi­nhoca» e «Ai que rica fruta menina» são al­guns exemplos avulsos. Num tom menos jo­coso, durante o passeio fica-se a saber qual é a ponte mais antiga da cidade, veem-se as salinas e as pequenas casas tradicionais em madeira. Uma delas é a Salineira Aveirense, a única salina que resta na cidade.

No fim do passeio, se a fome já apertar, é altura para se provar a doçaria regional - a tripa e os ovos-moles. O primeiro, mais recente, é nada mais do que massa de bolacha america­na mal cozida, que pode levar diversos re­cheios. Já os ovos-moles têm cerca de 500 anos e são revestidos por folha de hóstia e re­cheados com gema de ovo e açúcar. Na Ofi­cina do Doce, além de os visitantes apren­derem a sua história, têm a possibilidade de experimentar a arte de doceiro, reche­ando e cortando algumas peças. Não tão re­gional, mas nem por isso menos importan­te em Aveiro, é o sushi, que continua a levar à abertura de novos espaços. Um dos mais recentes é o Subenshi, em frente ao Lago da Fonte Nova, ideia de Bernardo Embaixador. Apaixonado por peixe cru, Bernardo apostou num lugar que servisse sushi tradicional e de fusão. É o último que mais clientes traz e, em breve, graças ao crescente número de adeptos, o espaço vai tornar-se maior.

A última paragem não é recente mas teve direito a remodelação neste ano. O Meliã Ria Hotel & Spa fica no Cais da Fonte Nova, mesmo no centro da cidade. Está lá desde 2006. Completados dez anos sobre a sua abertura, decidiu renovar-se. No restaurante e bar, no lobby, no health club, no spa. E nos 128 quartos, grandes e confortáveis, decorados de forma sóbria com tons neutros. A mesma simplicidade está no luminoso Restaurante do Lago, com serviço à carta, onde são preparados pratos de cozinha portuguesa e outros de inspiração internacional. Na hora de desligar do mundo, o El Spa disponibiliza uma considerável lista de massagens e tratamentos, assim como duche Vichy, spa jet, sauna, banho turco, hidromassagem e piscina aquecida com vista para o Lago da Fonte Nova, no extremo do canal do Côjo. Em Aveiro, a ria está mesmo no centro de tudo.

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ONDE FICAR

HOTEL MELIÃ RIA AVEIRO. Cais da Fonte Nova. Tel.: 234401000. Quarto duplo a partir de 90 euros por noite.

ONDE COMER

ALZULEICH. Rua Conselheiro Luís de Magalhães, 46 A. Tel.: 234133512. Encerra domingo ao jantar e à segunda. Preço médio: 10 euros.

SUBENSHI. Rua Carlos Aleluia, Edifício Aveiro Centrum, 29, Loja 16. Tel.: 938032398. Não encerra. Preço médio: 25 euros.

O QUE CONHECER

PASSEIO DE MOLICEIRO. Aveitour & Cale do Oiro. Partida: Rua João Mendonça (Em frente ao Posto de Turismo). Preço: 8 euros por pessoa.

MUSEU DE ARTE NOVA. Rua Barbosa de Magalhães, 9-11. Tel.: 234406485. Das 09h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00. Fim de semana, a partir das 14h00. Encerra à segunda.

OFICINA DO DOCE. Rua João Mendonça, Galeria Rossio. 23, Letra JKL. Tel.: 234098840. Das 10h00 às 19h00. Não encerra.

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