Enoturismo

Vinho, natureza e bom-gosto

Vinho, natureza e bom-gosto

A Quinta do Ameal é sobretudo conhecida pelos seus monovarietais da casta Loureiro, mas desde há pouco mais de um ano ganhou outro interesse, com um projeto de enoturismo que tira partido do vinho e de um terroir único.

A o contrário dos vinhos Loureiro que por ali se fazem e que estão constante­mente na boca da crítica, nacional e internacional, o Ameal Wine & Tourism Terroir ainda é um segre­do (mais ou menos) bem guarda­do. E Pedro Araújo, que está à fren­te da marca Quinta do Ameal des­de 1998 e mais recentemente do enoturismo, gosta que assim seja.

Há muito que o produtor e ges­tor de empresas queria receber turistas na propriedade de 30 hectares, mas a recuperação de du­as das casas da quinta foi feita nas calmas. Com tempo e paciência, Pedro foi procurando peças em feiras de velharias - entre elas, a Vandoma, no Porto - e em lojas de mobiliário em segunda mão. Ou­tras encomendou-as, fornecendo aos carpinteiros o desenho do que pretendia e a madeira dos pinhei­ros que iam caindo no Ameal. Na decoração, também há coisas de família, como a porta que veio de casa da avó, filha de Adriano Ra­mos Pinto. Tudo a colorir paredes de um branco imaculado.

O resultado cabe no que podemos chamar de estilo rústico e industrial, um dois em um chi­que mas muito acolhedor. Ao todo, são cinco os quartos disponíveis: três generosíssimas suites na Casa Grande, cujos registos mais anti­gos remontam a 1710, e dois quar­tos na Casa Entre Bambus e Vi­nha. Todos têm sala e kitchenet­te e bases de chuveiro gigantes e um dos quartos até tem chuveiro exterior, voltado para os bambus. Os produtos frescos para o peque­no-almoço são colocados, numa cesta, nos quartos; o resto, os hós­pedes encontram no frigorífico. «Não há cá pequeno-almoço das oito às dez, como noutros hotéis», orgulha-se Pedro Araújo.

A ideia de ligação à natureza está por todo o hotel, e Pedro trouxe-a dos cinco anos em que estu­dou e viveu no Brasil. E a mais- -valia desta casa está mesmo «lá fora». A quinta oferece vários ce­nários memoráveis, todos dife­rentes e sempre com o elemen­to água presente. Para além da vinha, há um bosque com vá­rias espécies arbóreas (pinhei­ros-mansos, nogueiras, casta­nheiros, carvalhos e outras), uma praia fluvial - a proprieda­de acompanha o rio Lima por 800 metros -, uma convidativa pisci­na, voltada a sul, um deck junto ao tanque com água de mina que convida a ler ou a namorar, uma cheirosa pérgola coberta de gli­cínias e o tal canavial que dá no­me a uma das casas.

No meio disto tudo, a equipa do Ameal Wine & Tourism Terroir é pequena - são quatro faz-tudo -, mas incansável. Seja qual for a al­tura do ano, há sempre trabalhos a decorrer na quinta e os hóspedes são convidados a assistir. A experi­ência no Ameal inclui ainda as vi­sitas, as provas de vinho - com ou sem refeição - e programas como a descida do rio Lima em canoa ou passeios de bicicleta junto ao rio - pela ecovia são seis quilómetros até ao centro de Ponte de Lima.

QUINTA DO AMEAL. Refóios do Lima. Tel.: 258947172. Suites a partir de 195 euros por noite (estada mínima.

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