As três vagas
do primeiro ano
de covid-19
em Portugal

 

Miguel Conde Coutinho

Bastaram 15 dias para a covid-19 chegar a todo o território e fazer a primeira vítima mortal. A pandemia tomou conta do país, em três vagas. Um ano depois do primeiro caso, Portugal percebeu que a primeira onda que nos assustou a todos não foi, afinal, o pior que o novo coronavírus nos trouxe.

 

 

 

Os dois primeiros casos de covid-19 foram reportados pela ministra da Saúde a 2 de março de 2020. Mas o novo coronavírus entrou em território nacional a 21 de fevereiro, trazido porum homem de Nogueira, concelho de Lousada, que ficou infetado numa feira de calçado, em Milão, Itália. (veja a reportagem em Nogueira, freguesia onde, um ano depois,o medo ainda persiste).

A partir desse primeiro anúncio, a Direção-Geral da Saúde (DGS) começou a emitir um boletim diário com os dados conhecidos sobre a doença (ver o primeiro relatório, de 3 de março, aqui).

Inicialmente, os relatórios ainda assinalavam os casos importados do estrangeiro, as cadeias de transmissão ativas, o número de casos suspeitos, os sintomas declarados e até o número de portugueses infetados fora do país (ver exemplo aqui).

A 8 de março, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, entra em quarentena de 14 dias após receber em Belém uma turma de Felgueiras. Foram entretanto suspensas visitas a lares, prisões e hospitais.

No dia seguinte, começam a ser anunciados em todo o país cancelamentos de eventos, feiras e festas. Em Felgueiras e Lousada, a situação agudizava-se e a DGS recomendou a limitação de deslocações. A 11 de março, a Organização Mundial de Saúde decreta o surto como pandemia mundial.

O Governo anuncia dia 12 o fecho das escolas até ao fim das férias da Páscoa. Nesta altura, havia apenas pouco mais de 100 casos em Portugal e a doença não estava sequer ainda em todo o território.

A primeira morte aconteceu a 16 de março. Um dia depois, a covid-19 chegava oficialmente a todas as regiões.

 

Evolução de casos até chegarem a todas a regiões
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A partir daqui, os acontecimentos precipitaram-se.

Depois de ser decretada uma "quarentena geográfica" em Ovar, o Governo suspende as ligações aéreas de fora e para fora da União Europeia. A 18 de março, é decretado o primeiro "estado de emergência" da democracia portuguesa, que foi renovado por mais dois períodos de 15 dias sucessivos: a 3 e a 18 de abril.

Começou aí o primeiro confinamento, que durou até ao inicio de maio. A curva achatou-se e os portugueses respiraram de alívio.

A situação estabilizou-se durante o verão, com exceção para a região de Lisboa e Vale do Tejo, onde vários surtos preocuparam governo e as populações.

Mas tudo se agravou no outono e a segunda vaga chegou em outubro. Depois de muita discussão pública, o Governo decretou a 26 desse mês a obrigatoriedade do uso de máscara na rua e em locais públicos. A segunda onda durou até ao início de dezembro.

Depois do natal, chegou o pior: a terceira vaga arrasou todos os indicadores anteriores e colocou o país à beira do colapso. A 21 de janeiro, começou um novo confinamento geral.

 

Evolução e distribuição de casos durante 1 ano
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As diferenças entre as três vagas notam-se bem, avaliando os dados sobre o casos e óbitos diários, para além dos números de internados e internados em Cuidados Intensivos (UCI).

A terceira vaga, que começou a partir do natal, e que se estendeu por janeiro até ao pico de 16.500 casos e 303 mortes num só dia, no final do mês, empalideceu todos os números das vagas anteriores. A vacinação arrancou a 27 de dezembro, mas a um ritmo baixo. Os números não pararam de crescer.

Só o novo confinamento geral conseguiu travar uma escalada que fez de Portugal um dos países mais afetados pela covid-19 no Mundo.

Os gráficos abaixo mostram a força da pandemia. As cores mais carregadas significam os dias em que os indicadores estão em situação mais grave.

 

Força da pandemia ao longo do ano

 

 

 

 

Houve mais casos entre as mulheres, mas a mortalidade afetou mais os homens.

A DGS registou acima de 358 mil casos do sexo masculino e de 434 mil do sexo masculino.

Morreram por covid mais de 8200 homens e de 7500 mulheres.

 

 

NOTA: À exceção da primeira, todas as visualizações referem-se a dados até 19 de fevereiro de 2021. Existem ainda 271 casos de infeção em que o sexo não foi registado corretamente e permanece desconhecido.

FONTE: Direção-Geral da Saúde

Jornal de Notícias | 21 de fevereiro de 2021