Adeus e até já, Bolhão
Mercado histórico do Porto fechou as portas, 104 anos após a inauguração.
Reabre de cara lavada daqui a dois anos.

TEXTOS: Alfredo Teixeira

FOTOS Global Imagens: Leonel de Castro e Pedro Granadeiro

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As origens do Mercado do Bolhão, um dos edifícios mais emblemáticos do Porto, remontam a 1838, quando a Câmara decidiu construir uma praça em terrenos adquiridos ao cabido. Nesse local existia um extenso lameiro, atravessado por um regato que ali formava uma bolha de água, de que resultou o nome "Bolhão".

Alguns anos depois, esta praça foi melhorada com a construção de rampas de acesso e barracas de madeira no corredor central do mercado. No início do século XX, os dirigentes da cidade decidiram construir fora do burgo um novo mercado, de forma a assegurar o abastecimento de alimentos que permita a expansão da cidade.

Seis momentos históricos
CONSTRUÇÃO A Câmara Municipal do Porto decide construir o mercado público, adquirindo em 1838 dois lameiros. Dois anos depois, o mercado já ali estava instalado, mas só em 1851 o espaço foi organizado com barracas.
INAUGURAÇÃO A construção do atual edifício remonta a 1914 por iniciativa do vereador da altura, Elísio de Melo. Para tapar o lameiro, recorreu-se ao entulho proveniente da então demolida Igreja do Convento dos Lóios.

Seis momentos históricos
PROJETO O desenho do espaço comercial pertence ao arquiteto Correia da Silva e em 1915 eram colocadas a concurso as primeira lojas, traduzindo na época um grande desenvolvimento da Baixa portuense
POPULARIDADE Desde o 25 de Abril de 1974 que o Bolhão é local de passagem obrigatória para os candidatos a eleições. Por lá passaram quase todos os presidentes da República, primeiros-ministros (na imagem, António Guterres) e autarcas eleitos.

Seis momentos históricos
DEGRADAÇÃO Há mais de 30 anos que o espaço apresenta problemas, mas a situação agravou-se na última década. Pedras começaram a cair do teto e da fachada, colocando em risco a segurança de comerciantes e clientes.
RESTAURO Em 1990, a Autarquia lança concurso para efetuar obras. O projeto vencedor, do arquiteto Joaquim Massena, não avançou. Em 2008, nova tentativa de restauro, desta vez por privados, também fracassa. Dez anos mais tarde, avança enfim.
Rostos do Bolhão
Há quem tenha começado a trabalhar no mercado desde criança. Foram dezenas de anos de sacrifício e memórias. A alma do espaço emblemático do Porto que fechou portas a 27 de abril para entrar em obras são os vendedores. Para uns, acaba aqui. Para outros, é apenas um até já
Marília Brandão
76 anos

Há 66 anos a vender frangos e coelhos
D. Cindinhao
83 anos

A vender animais vivos desde criança
Amélia Babo
60 anos

Há 35 anos a vender pão
Ana Maria Ferreira
63 anos

Há 50 anos a vender peixe
Maria Emília Santos
59 Anos

Desde criança a vender fruta
Ana Cardoso
73 anos

Desde os 10 anos a vender fruta
Hugo Silva
38 anos

Há 20 anos no mercado, tem uma wine house
Paulo Ferreira
47 anos

Há 20 anos a vender carne
Hilda Magalhães
63 anos

Há mais de 30 anos a vender fruta
Fátima Teixeira
54 anos

Há vários anos a vender fruta
Maria Olinda
63 anos

Há 43 anos a vender enchidos
Rosa Branca
58 anos

A vender queijos desde criança
Rosa Maria Castro
54 anos

Há 41 anos a vender peixe
Zaida Silva
54 anos

Há 41 anos a vender peixe
Cecília Barbosa
55 anos

Há 21 anos a vender fruta
Paula Viana
47 anos

Há 34 anos a vender fruta
Alberto Ferreira
55 anos

Há mais de 30 anos a vender carne
Carlos Cerqueira
67 anos

Há 60 anos a vender plantas
Alice Ferreira
67 anos

Há 50 anos a vender peixe
Laurinda Araújo
67 anos

Há 50 anos a vender legumes
O futuro mercado
22 milhões de euros. É quanto vai custar o restauro do futuro Mercado do Bolhão. As obras terão a duração de 24 meses. A gestão da empreitada pertence à empresa municipal GO Porto.
No exterior do mercado, prevê-se a construção de um túnel de oito metros de largura e quatro de altura entre as ruas do Ateneu Comercial e de Alexandre Braga.
Atual mercado temporário
55 comerciantes mudam-se para o piso -1 do centro comercial La Vie. Terá acesso por escadas rolantes e elevador.
As áreas do mercado de frescos estão agrupadas por cores. Haverá uma zona de cafés, de restauração e outra para as lojas que estavam no exterior do mercado original. Foi inaugurado esta quarta-feira por Marcelo Rebelo de Sousa