Mulheres
que se fizeram
notáveis

Reportagem: Sara Gerivaz
Vídeo: Eduardo Fortunato

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não são supermulheres mas têm o poder de inspirar. Pioneiras, abriram caminho e quebraram estigmas. Destacam-se, mas fazem questão de frisar que o sucesso não é explicado pelo género. No Dia Internacional da Mulher, o JN conta as histórias de cinco mulheres que construíram percursos notáveis. Com garra, determinação e vontade.
Joana Santiago
Produtora de vinho
Capicua
Rapper
Manuela Mota
Cientista
Vanessa Gomes
Árbitra
Paula Peneda
Polícia

 

 

 

 

 

 

Foto: Artur Machado / Global Imagens
Foto: Artur Machado / Global Imagens
VONTADE DE MUDAR
O MUNDO

Joana Santiago nasceu com a vontade de mudar o Mundo. Produtora de vinhos em Monção, a antiga jurista abraçou o legado deixado pela avó Mariazinha e transformou-o num projeto de vida. Uma paixão pelo campo e pela natureza passada de geração em geração, com respeito pelo passado e irreverência para projetar o futuro. Quer fazer História e deixar a Quinta de Santiago no mapa dos vinhos de referência.

AVÓ MARIAZINHA: UMA MULHER À FRENTE DO SEU TEMPO

O amor por aquele pedaço de terra plantado junto ao Rio Lima, no extremo Norte de Portugal, foi cultivado ao longo dos anos. A cada lavar dos cestos, no final de cada vindima, Joana Santiago foi aprendendo a respeitar a vinha e a tradição.

O que conquistou até hoje foi graças à coragem da avó paterna, uma mulher rigorosa e elegante, casada com um aristocrata, que contrariou a norma e comandou as lides do campo, lado a lado com os trabalhadores.

Na família Santiago desde 1899, a quinta sempre foi um projeto matriarcal autosuficiente gerido por uma mulher exigente e cheia de vida. Apesar de passear na vila vestida com as últimas tendências da moda parisiense, era com os pés na terra que a avó Mariazinha se sentia completa. “Eu não me lembro da minha avó ter uma alegria imensa, mas sei que os netos lhe traziam essa alegria. Passei grandes temporadas cá no verão, na Páscoa e no Natal e criei um apego à quinta e uma ligação muito forte com a minha avó”.

Quando lhe perguntam onde vai buscar a energia inesgotável, Joana não tem dúvidas de que é mais uma herança da avó Mariazinha. Uma “força da natureza” que pensou sempre à frente do seu tempo.


PAIXÃO QUE PASSA DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO

Influenciada pelos avós paternos, Joana formou-se em Direito na Universidade de Coimbra com a ambição de ajudar os outros. “Se a minha avó tivesse a passar uma temporada no litoral onde nós vivíamos, ela vinha comigo para todo o lado. Cheguei a levá-la para os julgamentos”.

Desafiada pela avó Maria, na altura com 86 anos, a neta interrompeu a carreira de advogada e mergulhou no vinho e na vinha para criar um projeto mais rentável. A quinta de nove hectares, que até então se dedicava à venda de uva, ganhou uma nova identidade com o objetivo de criar um Alvarinho diferenciado com o selo da família Santiago. “Um vinho elegante como a minha avó era, com a frescura e a boa acidez da região, e ao mesmo tempo com tensão e com a estrutura da neta legada por ela”, descreve a produtora de vinhos.

Joana passou de mera espectadora ao rosto principal da Quinta de Santiago. O primeiro vinho da família foi feito com a avó Maria, em 2011, na adega antiga debaixo de casa.

ARTISTA DE VINHOS ALÉM-FRONTEIRAS

“De Ovar a Monção são três telefonemas”. Apesar de continuar a viver no Litoral, com o marido e com as duas filhas, Joana ruma ao Minho todas as semanas para visitar os pais e inteirar-se do seu “projeto de vida”. A “artista de vinhos”, como gosta de ser chamada, trata da comunicação e marketing da Quinta de Santiago e viaja pelos quatro cantos do Mundo para promover o Alvarinho da família.

A mãe, antiga professora, é responsável pelo enoturismo e faz as delícias dos visitantes, contando histórias cheias de pormenor. O pai reformou-se do mundo da banca e trata da parte financeira da quinta, e embora o irmão esteja no estrangeiro, Joana já tem planos para quando ele voltar.

Enérgica e dedicada, a produtora aprendeu que o “jogo de cintura” e o humor são duas armas poderosas para lidar com os olhares curiosos e com alguns comentários inusitados que recebe por ser uma mulher à frente de uma empresa de vinhos. “Não vou dizer que existe igualdade, mas de uma forma inteligente acabamos por nos impor. Há cada vez mais mulheres enólogas e produtoras”.

 

 

 

 

 

Foto: Igor Marins / Global Imagens
MUDAR MENTALIDADES
SEM PEDIR LICENÇA

Capicua entrou no mundo do rap sem pedir licença. O fascínio de criança por jogos de palavras traduziu-se nas rimas maduras que debita há mais de 15 anos. Vê a música como uma arma para mudar mentalidades. Ter o microfone na mão é uma responsabilidade para tornar homens e mulheres mais determinados, independentes e livres.

DA PLATEIA PARA O PALCO NAS FESTAS DE HIP-HOP

Rejeita o pioneirismo a que é constantemente associada. É a primeira mulher a conseguir estabelecer-se com uma carreira consistente e longeva no rap, mas não foi a primeira a tentar. “Se eu fosse uma mulher negra de um contexto mais desfavorecido e com tantas prioridades de sobrevivência, provavelmente não teria feito esse caminho”, sublinha.

Em criança, engraçou com as rimas. Formou-se adolescente acompanhada pelos cantautores de abril e ganhou noção do poder da palavra. Entrou na cultura hip-hop através do grafitti e daí viajou para os concertos, numa altura em que os amantes do estilo se esgotavam numa sala. Inspirada pelas bandas do Porto, Capicua lançou-se aos palcos acompanhada da amiga e rapper M7 e levantou a sobrancelha aos negacionistas. “Tinha a oportunidade de fazer música e chegar a uma audiência com as minhas palavras. E isso é ganhar um super-poder”.

De postura aguerrida e sem esperar a aprovação de terceiros, a rapper dissipou os desafios iniciais e em 2012 estreou-se a solo. No primeiro disco deu um novo significado à sigla MC (Mestre de Cerimónias) associada aos rappers com a música “Maria Capaz”.

MEGAFONE PARA DEFENDER O FEMINISMO

Utilizou o “super-poder” alcançado através do microfone para dar voz às causas que defende com garra de mulher do Norte. A afirmação do feminismo sempre foi um tema pelo qual se interessou, mesmo antes de fazer rap, e que transportou para as suas letras. “Era óbvio que sendo importante para mim teria que estar espelhada na minha música, especialmente porque a vida fez com que eu exercesse a minha atividade num meio bastante masculino”.

Habituada a priorizar os seus interesses desde cedo, Capicua faz música para despertar consciência e quebrar estigmas. Perde-se muito potencial humano ao fazer com que as mulheres se orientem para a validação masculina e estejam sempre a trabalhar para essa validação, e não em prol dos seus talentos e vontades reais”.

Rapper militante pela igualdade de género e pela defesa do planeta, Capicua fez por tornar o seu rap “adulto, interessante, político e social”.

RAP SEM PRAZO DE VALIDADE

Orgulha-se em ter conquistado um público diversificado de todas as idades, mas não quer ficar na História como a primeira mulher a singrar no mundo do rap. É na intemporalidade que está a ambição. “Fico toda contente quando as pessoas me mandam mensagem a dizer que quando ouvem a minha música ou saem dos meus concertos têm vontade de mudar o Mundo”.

Com um longo repertório reconhecido pela crítica, a rapper portuense lançou “Madrepérola” no início de 2020, um disco positivo e bem-disposto com temas mais dançáveis. A pandemia adiou os concertos de apresentação, mas subir ao palco meses depois do planeado “transformou e valorizou” a oportunidade de atuar para a plateia. Por isso, Capicua editou “Encore” em fevereiro, um EP com cinco músicas gravadas durante os concertos do ano passado. “É mais um bocadinho de palco que queremos guardar para sempre”.

 

 

 

 

 

Foto: Paulo Spranger / Global Imagens
CIÊNCIA PARA QUESTIONAR O MUNDO

Maria Manuel Mota vive a questionar o Mundo, sobretudo aquele que não é visível a olho nu. Pragmática e descontraída, fala da Ciência com um entusiasmo cativante. Com sal e pimenta. É uma das mais prestigiadas cientistas portuguesas e é na pesquisa da malária que está o seu centro de gravidade. Defensora do feminismo e da educação, não quer ser vista como uma supermulher.

O MUNDO PARA LÁ DE UMA CASCA DE CEBOLA

Ver uma casca de cebola através do microscópio foi o ponto de partida. Com apenas 10 anos e sem qualquer ideia do que era ser cientista, Maria viu um mundo que não sabia que existia e isso fascinou-a. “Aquilo que não vemos a olho nu foi sempre aquilo que me entusiasmou imenso”.

Apesar de ser adepta de números e equações, escolheu a Biologia inspirada por dois professores do Secundário. A licenciatura trouxe-lhe o rigor e a disciplina, e antes do curso terminar começou a trabalhar no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), no Porto. “Foi a primeira vez que tive noção da importância da pergunta e isso acompanhou-me para o resto da vida”.

Queria andar atrás de perguntas. Inscreveu-se no mestrado em Imunologia organizado por Maria de Sousa, nome incontornável da Ciência que Portugal perdeu há um ano para a covid-19. “Mudou a minha vida. Acho que não teria sido cientista se não me tivesse cruzado ela”.

Seguiu-se o doutoramento. Viveu em Londres e em Nova Iorque experiências únicas e viu a paixão dos cientistas manifestar-se de muitas formas. Descobriu a sua forma de estar na Ciência: pouco contida e entusiasmada.

CIENTISTA-ATIVISTA PELA DIVERSIDADE E EDUCAÇÃO

É diretora do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM) e orgulha-se em liderar uma equipa multidisciplinar composta por investigadores que pensam diferente. Embora haja mais mulheres do que homens na instituição, a cientista aponta um "calcanhar de Aquiles”. “A diretora-executiva é uma mulher e sempre foi, mas ao nível dos líderes de grupo, dois terços são homens e nós não gostaríamos que assim fosse”.

Conhecida por ser “cientista-ativista”, Maria dá voz a temas que transcendem a Ciência. O ativismo mais imediato está ligado às diferenças entre homem e mulher, mas com o passar dos anos estabeleceu a luta pela educação como matriz. “Eu acho que uma sociedade é mais justa quando a escola está no centro”. Acredita que a escola tem o dever de ajudar as crianças a descobrirem o seu talento para poderem encaixar-se na sociedade, com espírito crítico, conhecimento e proatividade.

Assumidamente dedicada e apaixonada, Maria defende que as mulheres não podem ser vistas como casos de sucesso só pelo facto de serem mulheres. “É bom haver ‘role models’ não com a ideia de supermulheres, mas sim pelo que foram conseguindo fazer”.

A MALÁRIA COMO UM VÓRTEX QUE NÃO PÁRA DE GIRAR

Tal como milhares de cientistas, Maria pôs o seu conhecimento ao serviço do combate ao vírus que assolou o planeta: o SARS-CoV-2. Destaca o poder “altamente eficaz” das vacinas descobertas em tempo recorde e defende uma distribuição mais igualitária pelo Mundo para vencer a pandemia.

A cientista quer voltar a dedicar-se ao complexo parasita que estuda há mais de 25 anos: o plasmodium, responsável pela doença da malária. “A malária foi descoberta há mais de 100 anos, já temos três prémios Nobel sobre a doença, um fármaco que tem salvado milhões de vidas, mas a verdade é que não nos conseguimos ver livres do parasita nem desenvolver uma vacina que seja efetiva”.

Ainda assim, a luta continua com sede de descoberta através de perguntas inteligentes. Maria Manuel Mota é um nome de referência mundial na investigação da malária e conta com inúmeras distinções, entre as quais os prémios Pessoa, em 2013, e o Sanofi-Pasteur, em 2018.

 

 

 

 

 

Foto: gERARDO sANTOS / Global Imagens
PRIMEIRA ÁRBITRA
NO FUTEBOL MASCULINO

Vanessa Gomes faz da disciplina o motor para o sucesso. Dentro das quatro linhas, a imprevisibilidade dá-lhe rasgo para decidir em poucos segundos. Fez história no futebol português ao tornar-se na primeira árbitra a atuar nas competições profissionais masculinas. Conquistada a II Liga, o próximo objetivo passa por chegar à I Liga e à fase final de uma grande competição internacional.

DO ECRÃ PARA O RELVADO

Em frente ao televisor ou no interior do estádio, a admiração pelo futebol cresceu em miúda por causa do pai. As movimentações velozes dentro de campo aguçaram-lhe a curiosidade. Um dia perguntou-lhe: “Como é que será que os árbitros são árbitros?”.

Vanessa Gomes queria entrar no jogo e participar, mas “para jogar nunca houve muito jeito”. Depois de uma rápida pesquisa descobriu um curso de arbitragem da Associação de Futebol de Lisboa e anunciou à família que se ia inscrever. Os pais só acreditaram no primeiro dia de aulas.

Ao início, foi a teimosia que lhe valeu. “Se calhar é melhor desistir porque isso é mesmo uma coisa de homens”, disseram-lhe no final do seu primeiro jogo como estagiária. Seguiu em frente e transformou o “assunto tabu” em algo natural.

CONQUISTA INÉDITA NA HISTÓRIA

Passado o nervoso “mais do que miudinho” do primeiro jogo, Vanessa prosseguiu no curso de arbitragem que começou aos 19 anos, enquanto estudava Psicologia na universidade. Depois de 13 anos como árbitra assistente nos campeonatos femininos, a jovem de Loures levou a “bandeirola” para outro patamar. No início da época foi nomeada pela Federação Portuguesa de Futebol para marcar presença no Estoril Praia-Arouca da II Liga, algo que nunca antes tinha acontecido.

Apesar de não ter sido a única mulher a subir de escalão, a sorte do calendário fez com que fosse a primeira a estrear-se em campo. Um marco que lhe deu visibilidade e que guarda com especial orgulho. “Quando recebi a nomeação fiquei muito contente, claro que foi muito emocionante e especial. É um processo para poder progredir”.

Vanessa sublinha que as oportunidades para as mulheres na arbitragem estão a surgir e acredita que em breve poderá ser juíza num jogo da I Liga. Para já continua nos campeonatos femininos dentro e fora de portas e na II Liga.

PORTUGAL EM LINHA COM A EUROPA

Os centros de treino encerrados pela pandemia não impedem que o trabalho se faça todos os dias. Vanessa concilia o emprego na área de Recursos Humanos com a arbitragem e treina com afinco, muitas vezes acompanhada pelo marido, também ele árbitro assistente. Em casa, as conversas vão invariavelmente parar ao futebol. “Tentamos ver os jogos um do outro para dar opinião sobre o que correu menos bem ou o que podemos fazer melhor”.

Além da preparação física exigida nos campeonatos masculinos, o trabalho também é feito ao nível técnico e mental. Vanessa considera que por ser mulher “tem de provar um bocadinho mais”, mas os bloqueios vão desaparecendo e os avanços feitos lá fora abrem a porta do futuro em Portugal.

“As mulheres têm aparecido não só porque fica bem, mas porque têm mérito. As coisas têm corrido bem”, aponta a árbitra, lembrando as apostas da FIFA e da UEFA. Em 2019, por exemplo, a Supertaça Europeia entre o Liverpool e o Chelsea foi dirigida por um trio de mulheres. Uma vitória que Vanessa ambiciona poder um dia alcançar.

 

 

 

 

 

Foto: Leonel de Castro / Global Imagens
LIDERAR COM FIRMEZA
E ORGULHO

Paula Peneda admite sem rodeios o orgulho farto no seu percurso. Ao longo da carreira foi pioneira inúmeras vezes, embora não consiga olhar para trás dessa forma. A conquista mais recente foi no Porto. É a primeira mulher a chefiar um dos dois comandos metropolitanos do país e assumiu o cargo em março, uma semana antes de o país confinar. De olhar firme e postura segura, a superintendente gosta de liderar e admira pessoas com ideias.

FILHA ÚNICA AVENTURA-SE LONGE DE CASA

Uma mão só não chega para enumerar as cidades pelas quais já passou durante as mais de três décadas ao serviço da PSP. A primeira viagem começou em 1985, quando Paula Peneda se despediu dos pais, no Porto, e rumou à capital para integrar o curso na então Escola Superior de Polícia.

A possibilidade de se tornar uma oficial de polícia surgiu numa conversa entre amigas no liceu, e apesar de não ter na família alguém que tivesse seguido a carreira policial ou militar, inscreveu-se. “Eu achei que era capaz de ser um curso engraçado, sem conhecer muito bem no que consistia. Quando temos 17 anos não pensamos a sério sobre o que vai ser o futuro”. A verdade é que treinou com todas as forças para ser a melhor numa prova que tinha sido desenhada para homens.

Os pais foram apanhados de surpresa. Imaginar a única filha a 300 quilómetros de casa num mundo que nunca antes tinha lidado com a presença feminina assustou-os. “O curso era em regime de internato e eu só ia a casa aos fins de semana. Sempre que vinha eles diziam-me: se quiseres desistir, já sabes que podes desistir”.

DE NORTE A SUL E ATÉ FORA DO PAÍS

Paula Peneda tornou-se numa das primeiras mulheres formadas pela Escola Superior de Polícia. Depois de terminar o curso em Lisboa, o primeiro desafio foi marcado a Norte, onde foi destacada para chefiar a esquadra de Espinho. A jovem comandante causou uma inevitável estranheza entre a população, que pouco a pouco se foi habituando à nova realidade.

Mais tarde regressou a Lisboa e continuou a sua carreira, até chegar a 2006 e abraçar um dos projetos que mais a marcou. A convite da antiga ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, esteve à frente de um gabinete de segurança escolar. “Sair da nossa zona de conforto faz-nos ver a polícia de fora. Quando estamos no meio, pensamos que todos pensam o mesmo que nós, o que não é verdade. Alarga-nos os horizontes e faz-nos ser mais capazes”.

Em Santarém, Paula Peneda tornou-se na primeira mulher a chefiar um comando distrital da PSP e, antes de estacionar no Porto, foi a primeira mulher destacada como chefe de ligação na Embaixada de Portugal em Marrocos. Quando confrontada com o pioneirismo inerente ao seu percurso, a superintendente desvaloriza, embora reconheça que abriu caminho para que mais mulheres procurassem um futuro no mundo da polícia.

VOLTAR AO PORTO PARA ENFRENTAR A PANDEMIA

A ausência de sotaque do Norte é a prova de que esteve longe da Invicta durante muito tempo, mas desde março de 2020 que vê o Douro desde a janela do escritório. Paula Peneda deixou as duas filhas e o marido em Lisboa sem saber que viria a enfrentar o maior desafio da carreira: a pandemia.

Confortável com a liderança, a superintendente comanda uma “equipa fantástica” que se adaptou aos constantes contratempos do vírus. “Desde março que temos tentado fazer o melhor que sabemos e podemos. Fazendo agora um balanço, acho que nos organizamos bem”.

Perante o cenário atípico, a comandante da PSP do Porto foi gradualmente conhecendo os agentes e as rotinas. Entre as reuniões intermináveis em frente ao ecrã e as visitas às sub-unidades que gere, o trabalho começa às 9 horas da manhã sem hora para acabar.

 

 

 

 

 


JN | 8 de março de 2021