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Jogar para ganhar a vida

Início Profissionais do videojogo Sporting pioneiro nos clubes O treinador de videojogos O "boom" dos eSports Dicas dos pros Conselhos aos pais

 

REPORTAGEM Catarina Cruz
COORDENAÇÃO EDITORIAL Miguel Conde Coutinho


JORNAL DE NOTÍCIAS 12-Dez-2016

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Jogar para ganhar a vida
Os videojogos já não são apenas jogos. São eSports, desportos-espetáculo com jogadores profissionais, treinadores e espectadores
REPORTAGEM Catarina Cruz
Jogar para ganhar a vida
Os videojogos já não são jogos. São desporto-espetáculo com jogadores profissionais, treinadores e espectadores

REPORTAGEM Catarina Cruz

 

 

Os percursos de Ricardo “Fox” Pacheco, Francisco “Xico” Antunes, João “KillDream” Ferreira e Francisco “Quinzas” Cruz fazem sonhar muitos jovens portugueses apaixonados pelos videojogos, que dariam tudo por um salário para jogarem a tempo inteiro.

Ao longo dos últimos anos, o que parecia uma miragem tem-se tornado realidade, com os eSports (competições profissionais de jogos eletrónicos) a transformarem-se numa indústria que movimenta milhões e cujos profissionais, em alguns países já considerados atletas de alto rendimento, chegam a auferir ordenados milionários.

Portugal começa agora a dar os primeiros passos neste desporto, que ainda é uma palavra difícil em território nacional, e os raros jogadores que ascendem ao patamar profissional só o conseguem fazer plenamente no estrangeiro.

FOTO Jorge Amaral/Global imagens

Profissionais do videojogo

FOTO Jorge Amaral/Global Imagens

Nome Ricardo "Fox" Pacheco
Idade 30
Naturalidade Guimarães
Habilitações 9.º ano. Trabalha como jogador profissional e empresário
Jogo Counter-Strike: Global Offensive
Remunerado desde 2007
Vencimento último ordenado variava entre os 8 e os 12 mil euros/mês

"Ganhava entre oito e 12 mil euros por mês nos Estados Unidos"

Considerado o “Cristiano Ronaldo dos eSports”, Ricardo “Fox” Pacheco, de 30 anos, é um pioneiro no panorama dos desportos eletrónicos em Portugal.

Quando se fala num caso de sucesso, é o nome de “Fox” que todos citam. Famoso pela forma como maneja a sniper (AWP) no “Counter-Strike: Global Offensive” – conhecido no meio por “CS:GO” –, “Fox” foi amealhando prémios nacionais e dando nas vistas no estrangeiro.

Em 2007, com 20 anos, começou a ser remunerado em Portugal, a jogar pelos K1ck: “Variava entre os 350 e os 600 euros. Nunca era muito certo, dependia dos resultados.” E estes eram notáveis, com a equipa lusa de “CS:GO” dos K1ck a chegar ao Top10 mundial em 2013.

As propostas começaram a bater à porta de Ricardo Pacheco, que não se deixou seduzir facilmente. Pedro Fernandes, dono do clube K1ck eSports, recorda: “O 'Fox' jogou por nós durante oito anos e deve ter recebido umas 30 propostas ao longo desse tempo, das quais nove ou dez eram com valores mesmo muito interessantes. Só que nunca quis ir. No fundo, estava a valorizar-se. Estava numa equipa forte, cá ganhava todos os torneios e lá fora fazia bons resultados. Teve o bom senso de esperar até surgir a proposta certa.”

E a proposta certa surgiu no início de 2015, quando foi convidado por outro jogador para integrar uma equipa internacional nos Estados Unidos: os FaZe Clan. Deixou o trabalho numa empresa de segurança privada e rumou ao outro lado do Atlântico, com um contrato que lhe garantia um rendimento que oscilava entre os oito e os 12 mil euros por mês.

Esta emigração intermitente foi marcada pelo ritmo das competições. “Ia um mês e meio para fora, voltava duas semanas a Portugal...andei um ano e sete meses assim”, explica. Insatisfeito com os últimos resultados, abandonou a equipa há cerca de três meses e começou a investir na sua marca, uma aposta a pensar na carreira curta que antevê nos eSports, apesar de garantir querer jogar até aos 35 anos.

No início de dezembro, voltou aos palcos internacionais com a camisola da equipa brasileira SK Gaming.

FOTO Hugo Pereira/ Fraglíder

Nome João "Killdream" Ferreira
Idade 23
Naturalidade Porto
Habilitações 12.º ano. Trabalha como jogador profissional
Jogo Counter-Strike: Global Offensive
Remunerado desde 2015
Vencimento não chega aos mil euros/mês

Do Porto para Las Vegas com o “CS:GO”

Las Vegas, a meca do jogo e da diversão, é a nova morada do portuense João “KillDream” Ferreira, de 23 anos, que em setembro deste ano saltou da portuguesa AlienTech eSports para a brasileira paiN Gaming, sediada nos Estados Unidos.

Se há tendência no mundo dos eSports é a compra de equipas inteiras por outras Multigamings (clubes de eSports) e a paiN é disso exemplo. A equipa de “CS:GO” que “KillDream” integra era a equipa brasileira da AlienTech, comprada pela paiN Gamining e que recrutou os talentos de “KillDream” após uma baixa na equipa.

A viver numa “Gaming house” (casa onde residem os jogadores das equipas de eSports), João Ferreira tem um contrato com valores bastante inferiores aos de “Fox”. “Posso dizer que não chega aos mil euros porque a nossa organização acabou de investir numa equipa fora do país. Agora temos de ser nós a mostrar que realmente merecemos este investimento e que merecemos receber mais”. E João está a apostar todas as fichas nesta mesa.

A família apoia-o a 100%. Para trás ficaram os puxões de orelhas por se deitar tarde para jogar, os dias em que chegava às aulas cheio de sono ou as horas divididas entre o trabalho e a equipa da AlienTech, que lhe rendia cerca de 150 euros por mês. A jogar de forma competitiva desde os 19 anos, cumpriu o primeiro sonho aos 23 – jogar no estrangeiro – e prepara-se agora para “abater” a concorrência e fazer carreira fora de portas.

FOTO Jorge Amaral/Global imagens

Nome FRANCISCO “XICO” ANTUNES
Idade 18 anos
Naturalidade Mercês, Sintra
Habilitações 11.º ano. Trabalha como jogador profissional
Jogo League of Legends
Remunerado desde 2015
Vencimento contrato exige sigilo, mas "bem mais do que o salário mínimo nacional"

tem 18 anos e jÁ tem contrato

Aos 18 anos, Francisco “Xico” Antunes assinou o primeiro contrato de trabalho. Um contrato de um ano com a organização turca HWA Gaming, como “Mid Laner” do famoso jogo “League of Legends” (LoL). Cobiçado por várias equipas espanholas, aceitou a proposta turca que lhe vai render “bem mais do que o ordenado mínimo nacional” e possibilita participar em grandes torneios internacionais.

“Sinto-me um sortudo por, em tão pouco tempo de vida, já estar onde estou”, confessa. O miúdo que volta e meia ia ao computador do irmão mais velho jogar com os amigos deste vai agora viver para Istambul, para uma “Gaming house” com mais quatro jogadores, o manager e o treinador.

Uma das muitas exigências do contrato, que o obriga também a acordar todos os dias até às 11 horas, ir ao ginásio, treinar diariamente na “Gaming house” e ir para os estúdios da Riot Games – a empresa criadora do LoL – ao fim de semana. Em Portugal ficam a namorada, os amigos e a família. O preço a pagar para seguir o sonho de ser jogador profissional de eSports.

Um sonho que, no 7.º ano, inspirou preocupações à psicóloga da escola, que convocou uma reunião com a mãe para debater esta ambição. Os pais, que chegaram a cortar-lhe a Internet a meio da noite para que não ficasse a jogar até de madrugada, começaram a perceber que os videojogos eram mais do que um hobby quando foi convidado pelos K1ck para ir à DreamHack Valência, aos 15 anos, com tudo pago. Hoje, compreendem que ir jogar para a Liga turca de “League of Legends” é uma oportunidade que o filho não pode desperdiçar.

FOTO Jorge Amaral/Global imagens

Sporting pioneiro com campeão do mundo ao comando

FOTO Jorge Amaral/Global Imagens

Nome Francisco "Quinzas" Cruz
Idade 22 anos
Naturalidade Trofa
Habilitações Estudante do 2.º ano de Economia
Jogo FIFA
Remunerado desde 2010
Vencimento cerca de 500 euros por mês


Francisco “Quinzas” Cruz, de 22 anos, tem um palmarés invejável aos comandos do FIFA.

Chegou a campeão nacional com apenas 14 anos e aos 16 sagrava-se campeão do mundo, após conquistar o campeonato nacional da Polónia. Confuso? O jogador explica: “O campeonato nacional qualificava-me para o campeonato do mundo. Da primeira vez que fui ao campeonato do mundo fiquei em 3.º, que já era o melhor resultado português de sempre. Em 2011, deixou de haver campeonato em Portugal, mas na Europa havia em Espanha, França, Inglaterra e Polónia. Fui à Polónia, sagrei-me campeão nacional polaco e consegui a qualificação para Los Angeles, onde me sagrei campeão do mundo.”

Pelo meio, passou pela inglesa Team Dignitas – recentemente adquirida pela equipa da NBA Philadelphia 76ers, a primeira equipa profissional norte-americana a entrar nos eSports –, onde começou a receber o primeiro “salário”, que rondava os 300 euros. Em agosto, assinou contrato de um ano pelo Sporting, o primeiro clube português a investir nos desportos eletrónicos em Portugal. Um investimento tímido (e cujas verbas não são suportadas pelo clube), mas com perspetivas de futuro.

“Vai ser um processo lento. Vamos com calma, tentar formar os melhores jogadores e ter as melhores equipas”, explica Pedro Silveira, coordenador da secção de eSports dos leões. Neste momento, “Quinzas” é o único jogador desta modalidade, mas já estão a ser recrutados mais atletas através do torneio interno “Lion Games”.

A aposta deverá prosseguir com a contratação de jogadores de Pro Evolution Soccer, também através de torneios organizados pelo clube. “Aqui também está a funcionar a lógica de recrutamento e formação do Sporting”. Tudo com videojogos individuais, ao contrário de “League of Legends” ou “Counter Strike” que exigem equipas e verbas mais elevadas.

O Sporting é um dos mais de 20 clubes profissionais com equipas de eSports. O primeiro passo foi dado pelo Besiktas, em janeiro de 2015, seguindo-se outros clubes de futebol como o VFL Wolfsburg, Schalke 04, Manchester City, Ajax, Paris St. Germain ou clubes de basquetebol e hóquei como o Philadelphia 76ers e o IFK Helsinki, respetivamente.

Há expectativa de que F.C. Porto, Benfica e Braga entrem nos eSports em 2017

Os modelos de negócio variam: uns começam por contratar apenas um jogador, outros compram equipas inteiras já com provas dadas. “Temos informações que o Paris St. Germain vai investir 20 milhões na sua secção de eSports.

É impensável, em Portugal, termos qualquer coisa desse género”, revela Silveira. Os outros grandes do desporto-rei têm-se mantido na retaguarda, mas, ao que o JN conseguiu apurar, no sector há a expectativa de que F.C. Porto, Benfica e Braga entrem nos eSports em 2017, apesar de nenhum dos clubes confirmar essa intenção.

De treinador de basquete a 'mister' de "League of Legends"



Nome André Guilhoto
Idade 22 anos
Naturalidade Lisboa
Habilitações Estudante do 3.º ano de Engenharia Informática
Jogo Treinador de League of Legends dos K1ck eSports
Remunerado desde 2015
Vencimento varia consoante os prémios das competições


O "boom" dos eSports


Portugal não quer passar ao lado deste fenómeno que, segundo o portal de estatísticas Statista, deverá gerar, em 2016, lucros globais de cerca de 837 milhões de euros e, em 2019, deverá ultrapassar os mil milhões de euros. A Ásia e os Estados Unidos são responsáveis pela grande fatia dos lucros e pela grande loucura dos eSports, mas prevê-se que em 2016 a Europa consiga gerar 252 milhões de euros.

Milhões e mais milhões em prémios para jogadores, em patrocínios e em bilhetes para espetáculos ao vivo que em tudo distam da embrionária realidade dos eSports em Portugal. Mas há trabalho em marcha para tentar inverter o jogo.

Em 2016, a ESPL quer chegar aos 150 mil euros em prémios

Há um ano, João Semedo, de 27 anos, decidiu imprimir algum profissionalismo aos torneios de videojogos que se iam realizando no país e criou a ESPL - eSports Portugal League, para promover a competitividade entre as melhores equipas lusas. "Tal como o futebol cresceu nos últimos dez anos, em dez anos o desporto eletrónico terá o mesmo nível", acredita o CEO da empresa que detém a ESPL e que tem planos para aproximar a Liga lusa das congéneres estrangeiras.

O ano de 2016 serviu para afinar o formato e em 2017 a ESPL vai arrancar, em janeiro, com quatro ligas – "Counter-Strike: Global Offensive", "League of Legends", "Overwatch" e "Heartstone" – e duas divisões para cada jogo, sendo que a primeira divisão contará com oito equipas.

Em 2016, a ESPL distribuiu 22 mil euros em prémios e espera chegar aos 150 mil no próximo ano. Valores modestos comparados, por exemplo, com os 20 milhões de euros distribuídos na final do Campeonato do Mundo de Dota 2, um dos jogos mais rentáveis a nível internacional mas que tem despertado pouco interesse por cá.

Segundo dados da ESPL, os videojogos que vão integrar as quatro ligas do próximo ano são os mais populares entre os jogadores portugueses, que de um universo de 175 mil jogadores diários online se resumem a cerca de mil competitivos. Os clubes de eSports portugueses – cerca de 20, dos quais se destacam os For The Win eSports, Eletronik Generation, K1ck eSports, GroW UP Gaming e AlienTech – também se estão a preparar para a chegada do futuro.

Os K1ck, que já "venderam" dois jogadores, passaram este ano de associação a empresa e investiram numa equipa espanhola, para competir num mercado que já leva avanço em relação ao português. Não só nos valores dos prémios como na dimensão dos eventos. Mas apesar de algumas reticências de quem trabalha nesta área, em especial por tudo indicar que não existe um interesse em larga escala para assistir a espetáculos de desportos eletrónicos ao vivo em Portugal, 2017 promete trazer o primeiro grande evento nacional exclusivamente dedicado a este desporto.

"Estamos muito no início, mas queremos começar já a fazer as coisas em grande"

O evento, organizado pela empresa que detém a ESPL - eSports Portugal League, vai realizar-se nos dias 25 e 26 de março, na FIL, em Lisboa. "O objetivo é convidar as melhores equipas a nível europeu para participarem num torneio físico, com um prémio que deverá rondar os 25 mil euros", explica João Semedo, detalhando que a aposta é na componente espetáculo e experiência, com a recriação de um estádio dentro da FIL, bilhetes VIP, encontros com jogadores e festas.

"Estamos muito no início, mas queremos começar já a fazer as coisas em grande. Neste momento, não é o mesmo que na Coreia, que tem eSports há 12 anos, ou que em Espanha, que já tem alguns dos maiores eventos de eSports, como a DreamHack. Queremos conseguir apanhá-los nos próximos três anos", explica. A larga experiência de Pedro Silveira como organizador de eventos dedicados videojogos, e agora como coordenador de eSports do Sporting, fá-lo ser mais cauteloso.

O diretor da Lisboa Games Week acredita que há público para eventos de eSports em Portugal, mas destaca que é preciso um grande investimento das marcas e empresas para erguer eventos que coloquem o país no mapa. "As coisas demoram o seu tempo a entrar em Portugal. Há marcas que investem nos eSports que nem têm representação cá", explica, com a convicção de que "há público para encher arenas com eventos só de eSports", mas que o caminho se fará devagar.

 

FOTO Jorge Amaral/Global imagens

Atletas federados de eSports?

A ambição de João Semedo com a criação da ESPL - eSports Portugal League é dar o empurrão que falta para que eSports deixe de ser “palavrão”, para que as empresas percebam o seu potencial e para que as equipas que participam na Liga consigam ser profissionais no seu país.

A criação de uma federação, à semelhança do que já acontece noutros países, seria o desejável para a profissionalização dos jogadores. Neste momento, a International eSports Federation, criada em 2008, já conta com 46 países membros e 17 são europeus. O Japão, o último a aderir, comprometeu-se a trabalhar para que os eSports sejam oficialmente reconhecidos como um desporto no país e a aproveitar as oportunidades que possam surgir no âmbito dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 para alavancar a modalidade.

A necessidade de uma federação de eSports nacional é corroborada pelo dono dos K1ck eSports, que garante ser “difícil segurar os jogadores cá em Portugal”. Nos K1ck não pagam salários nem a jogadores nem a treinadores, apenas tentam “ajudá-los o mais que podem”. Cobiçados pelas equipas estrangeiras devido ao bom desempenho nas competições, nem sempre os jogadores se sentem aliciados pelos salários propostos ao ponto de deixarem o conforto da casa dos pais e o país.

Ao contrário de Francisco “Xico” Antunes, alguns jogadores recusam ir jogar para a Turquia com receio de atentados e da situação política do país. Pedro Fernandes, dono dos K1ck, também recorda o caso de um jogador que foi contratado por uma equipa de topo alemã, mas que não gostou do ambiente e passado mês e meio regressou à equipa lusa.

Na AlienTech, que “vendeu” recentemente João “KillDream” Ferreira, Ricardo Miguéis, o dono, garante que todos ganham um “salário”, mas que não vai além dos 200 euros. Valores a “euros luz” dos 2,5 milhões amealhados ao longo da carreira pelo americano Saahil “UNIVeRsE” Arora, de 27 anos.

 
O negócio dos eSports
837
milhões de euros em 2016
73
milhões de euros em prémios
334
milhões de espectadores da final de "League of Legends"
 
 

Os milhões que os clubes querem agarrar

Os números que alimentam este entusiasmo dos clubes profissionais são fáceis de perceber: segundo o portal Statista, em 2016, os eSports deverão gerar 837 milhões de euros, dos quais 621 milhões são em patrocínios e publicidade, 73 milhões em prémios, 55 milhões em apostas e sites, 38 milhões em pequenos e médios torneios, 32 milhões na venda de bilhetes e 18 milhões em merchandising.

O negócio das transmissões também é francamente promissor, com o Twitch – a mais popular plataforma de vídeos, em direto ou diferido, dedicada aos jogos – a registar, no mês de outubro, mais de 280 milhões de horas de vídeos vistos.

Fãs de eSports são homens entre os 25 e os 34 anos

Destacado na liderança está o jogo “League of Legends” com 103,57 milhões de horas, números que vão ao encontro dos 334 milhões que assistiram, ao longo de dois meses, às finais do Campeonato do Mundo de 2015, cuja final foi vista por 36 milhões de pessoas.

Um número estrondoso, em especial quando comparado à final deste ano da NBA, que contou 20 milhões de espectadores.

E há um bónus: estudos realizados nos Estados Unidos indicam que os fãs de eSports são, na sua maioria, homens com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos, seguidos da faixa etária dos 18 - 24. Um público a que qualquer marca ambiciona chegar.

 

FOTO Jorge Amaral/Global imagens

As dicas dos pros a um pretendente

Conselhos aos pais e jogadores

Maria João Andrade, psicóloga especializada em eSports, dá conselhos aos pais e aos jogadores para melhor lidarem com esta realidade:

Pais
Compreensão

Compreender porque é que os filhos gostam de jogar e o impacto positivo e negativo que os videojogos têm na vida deles

Jogar com eles

Conhecer os videojogos que os seus filhos jogam e até jogar com eles, criando uma ligação que permita compreender melhor o “mundo” deles

InformaÇÃO

É importante que os pais “falem a mesma língua” que os filhos e se informem sobre o tema

Atenção

Comprar videojogos para as idades recomendadas na informação do produto

Regras

Definir algumas regras práticas em conjunto relativamente aos jogos

SoCIALIZAÇÃO

Promover competências psicossociais e o jogo online com outras pessoas, nomeadamente através de associações de videojogos que fomentam a socialização

PARTICIPAÇÃO

Ir a eventos presenciais com os jovens jogadores ou assistir a competições em que estes participem

Estatísticas

Em caso de suspeita de risco de adição, procurar apoio especializado



Jogadores
Prioridade aos estudos

Dar prioridade aos estudos e a uma rede financeira de segurança, uma vez que os eSports não são rentáveis para todos os jogadores

Não jogar sozinho

Jogar com outras pessoas e participar em eventos

gerir o tempo

Aprender a gerir o tempo e criar rotinas que permitam conciliar o jogo com as demais atividades

Comer de forma saudável

Alimentar-se de um modo equilibrado e a horas adequadas

dormir bem

Dormir, no mínimo, oito horas

fazer pausas

Fazer pausas de duas em duas horas de jogo

Ajudar a família

Ajudar a família a compreender o mundo dos videojogos

outras atividades

Realizar atividades com os amigos além do jogo online