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A desregulação de quem regula

A desregulação de quem regula

Em 2018, o JN deu conta de uma rede que espalhava noticias falsas relacionadas com futebol. Publicadas primeiro em sites, eram depois replicadas em páginas de Facebook que somavam milhares de seguidores. Uma forma simples de fazer dinheiro com publicidade.

Desde então muito mudou. Este tipo de redes tornou-se mais comum e surgiram novos sites. Mais sofisticados, cada vez mais parecidos com jornais verdadeiros e que conseguem maior visibilidade. Deixaram de versar tanto sobre futebol, preferindo temas políticos. Em comum com o esquema revelado pelo JN têm a desinformação e a publicidade alojada nos sites.

Há, porém, dois aspetos mais perigosos nestes novos sites de noticias falsas, em que se pode destacar o "Notícias Viriato" ou o "Bombeiros 24". As peças surgem assinadas, mesmo não tendo jornalistas nos quadros, e os portais são validados pela ERC, a entidade responsável pela regulação dos media em Portugal. Confrontada com a situação, a ERC diz que os sites cumprem os requisitos, sublinhando, também, que a lei não obriga os sites de informação a ter jornalistas.

Ora, se a instituição responsável pela regulação dos media usa estes argumentos, o que podemos esperar das plataformas privadas tecnológicas como o Facebook, onde estes conteúdos circulam? Na era da desinformação, e com níveis de literacia mediática tão baixos, temos - todos, leitores e jornalistas - que exigir mais de quem regula o setor.

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