Saúde

Aplicação britânica para controlo da covid-19 está em testes. Saiba como funciona

Aplicação britânica para controlo da covid-19 está em testes. Saiba como funciona

A equipa do Conselho de Profissionais de Saúde do Reino Unido vai testar, esta terça-feira, a aplicação que permite controlar os contágios pelo novo coronavírus. A Apple e a Google já têm uma versão para descarregar. O objetivo da aplicação é alertar as pessoas que estiveram em contacto com doentes infetados.

O presidente-executivo da unidade de transformação digital do Sistema Nacional de Saúde (NHS, na sigla inglesa), Matthew Gould, citado pela BBC, reconhece que será difícil conseguir que 80% da população descarregue a aplicação, apesar dos esforços para respeitar "a privacidade das pessoas e, ao mesmo tempo, ser eficiente em proteger as pessoas". A esperança das autoridades é que a população descarregue a aplicação, pois esta é mais uma medida de prevenção no combate ao novo coronavírus.

O ministro da Saúde, Matt Hancock, revelou que o sistema de rastreamento de casos de pessoas infetadas procura alertar os que estiveram em contacto próximo com doentes, para que possam ser monitorizados, testados ou entrarem em isolamento.

Como funciona a aplicação

A aplicação vai usar "bluetooth' para registar anonimamente os utilizadores que estiverem em contacto próximo, mantendo os dados nos telemóveis.

Se uma pessoa mais tarde se registar como infetada, um alerta será enviado a outras pessoas consideradas com alto risco de contágio, tendo por base a proximidade entre os telemóveis e o tempo de exposição.

Posteriormente, se um deles desenvolver sintomas do novo coronavírus ou for diagnosticado, poderá acionar o envio dos dados para um servidor central para que os contactos possam ser alertados.

Os criadores da App enfatizam que os dados pessoais armazenados na aplicação, no registo inicial, serão a primeira parte do código postal dos utilizadores e dados de localização adicionais serão registados apenas se os utilizadores concordarem com uma solicitação de inclusão adicional, onde se poderá ler: "Faça o download da aplicação para proteger o NHS e salvar vidas".

O secretário com a pasta da Saúde, Matt Hancock, lembrou aos moradores da Ilha de Wight - onde será primeiramente testada a aplicação - que "ao descarregar a aplicação, todos protegerão a sua própria saúde dos seus entes queridos e a saúde da comunidade."

O teste na Ilha de Wight ajudará o NHS a testar o desempenho do sistema na prática, bem como avaliar o quanto a população está disposta a instalar e usar o software.

Também por cá, uma aplicação foi apresentada no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. Esta funcionalidade parece-se com a criada no Reino Unido, uma vez que permite descobrir através da aplicação instalada no telemóvel se nos últimos 14 dias houve um contacto presencial com alguém infetado com a covid-19.

A App foi criada por um conjunto de investigadores, sob a coordenação do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência.

O governo britânico tem recusado revelar quando e como vai fazer o fim do confinamento, em vigor desde 23 de março e prolongado até ao início de maio.

O primeiro-ministro, Boris Johnson, prometeu preparar um plano com "a maior transparência possível", em consenso com empresas, diferentes regiões do Reino Unido e também com os partidos da oposição.

O Reino Unido é atualmente um dos cinco países com maior número de mortes derivadas da pandemia de covid-19.