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Apps de edição no TikTok e Instagram podem desencadear casos de distúrbios alimentares

Apps de edição no TikTok e Instagram podem desencadear casos de distúrbios alimentares

Não é estranho a qualquer internauta que, no mundo das redes sociais, mostrar o lado mais bonito e positivo da vida é uma regra pré-estabelecida. Um pôr-do-sol à beira-mar, uma roupa bonita e um animal de estimação numa pose engraçada figuram entre as fotografias e os vídeos mais apreciados nos feeds de uma qualquer conta do Instagram ou do TikTok. Porém, há perigos associados. A procura pela versão perfeita de cada um de nós leva a que muitos procurem aplicações para editar o rosto e o corpo, que são cada vez mais comuns e especialmente dirigidos aos mais novos.

Danae Mercer é uma jornalista freelancer que se tornou uma estrela do Instagram ao partilhar dicas e conselhos de amor próprio e positividade corporal. Na sua conta reúne fotografias e vídeos que desmistificam as aplicações e os ângulos, que retiram quaisquer "imperfeições" dos corpos, sejam elas estrias, celulite ou falta de músculo. Mas não passa disso mesmo: um truque que engana o olhar.

A visão real de Mercer contrasta, porém, com os anúncios de aplicações no Tik Tok e no Instagram, que proliferam nas duas redes sociais, para alterar partes dos corpos menos "perfeitas". Tornar a cintura mais fina, as formas mais curvilíneas, acrescentar músculo ou até retirar o acne e as borbulhas do rosto são alguns dos milagres que estas apps promovem junto dos utilizadores.

"As aplicações criam um «eu» que é simplesmente inatingível e fazem tudo através de um clique num botão", explica a jornalista à BBC. O resultado após a edição pode ser tão irreal que nenhum treino tornaria o corpo tão musculado ou curvilíneo, esclarece Dana Mercer, que tem mais de dois milhões de seguidores no Instagram.

A questão está a ser encarada como problemática por algumas associações britânicas. A Seed, instituição de caridade em Inglaterra, registou um "aumento de 68% em crianças e adolescentes com idade entre 10 e 19 anos" a procurar ajuda para distúrbios alimentares durante a pandemia.

O problema pode tornar-se ainda mais gravoso em tempo de confinamento: jovens em todo o mundo passam demasiado tempo nas redes sociais, a analisar cada pormenor da fotografia que publicaram e editaram. "Da mesma forma, que não permitiríamos que produtos para perda de peso fossem comercializados para crianças, precisamos de fazer pressão para uma nova regulamentação em torno destas aplicações", esclarece Mercer.

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Hope Virgo, ativista que promove a saúde mental e apoia pessoas com distúrbios alimentares, vai mais longe e afirma que as empresas de redes sociais precisam de ser responsabilizadas. "O facto de o Instagram e o Tik Tok estarem atualmente a anunciar aplicações que mudam o corpo vai alimentar ainda mais a epidemia de distúrbios alimentares", defende à BBC.

As redes sociais, por seu lado, explicam que não estão a desrespeitar nenhuma regra de publicidade ao permitir o anúncio destas aplicações. Contudo, o TikTok, usado por um público mais jovem, já anunciou que está a rever a sua política, de forma a promover uma visão positiva do corpo. Tal como ele é, sem edição ou perfeição.

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