Ciência

Astrónomos captam primeira imagem de campo magnético de buraco negro

Astrónomos captam primeira imagem de campo magnético de buraco negro

O grupo de astrónomos que descobriu o primeiro buraco negro do mundo, em 2017, capturou, agora, outra imagem histórica - um campo magnético na orla deste monstro devorador de estrelas.

Uma imagem que vale mais do que mil palavras, porque é a primeira vez que conseguiu medir a polarização tão perto da borda de um buraco negro.

As novas observações, baseadas em dados recolhidos pelo Event Horizon Telescope (EHT), em 2017, são fundamentais para perceber como uma galáxia projeta feixes de energia milhares de anos-luz para lá do núcleo.

"Estamos a olhar para uma peça crucial para perceber como funcionam os campos magnéticos à volta dos buracos negros", disse a coautora do estudo, Monika Moscibrodzka, professora assistente na Universidade de Radboud, na Holanda. "A atividade nesta zona compacta do espaço pode resultar em feixes compactos que se estendem bem para lá da galáxia", acrescentou, em declarações à agência France Presse.

Depois de terem revelado a histórica imagem do super-massivo buraco negro no coração da galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz de distância, os investigadores descobriram que uma fração significativa da luz que o rodeia é polarizada.

"A polarização da luz contém informações que nos permitem compreender melhor a física por trás da imagem vista em abril de 2019, o que não era possível antes. Este é um grande passo", ressaltou Ivan Marti-Vidal, coordenador de um dos grupos de trabalho do EHT e investigador da Universidade de Valência (Espanha).

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"O que acontece lá dentro continuará um mistério. O desafio é, portanto, entender o máximo possível o que acontece ao redor, porque está necessariamente interligado", explica Frédéric Gueth, vice-diretor do Instituto de Radioastronomia Milimetrada (Iram).

O processo para analisar os dados demorou anos, recordou Vidal, que considerou esta imagem como "um marco" na história da exploração espacial. Da mesma forma que certos óculos de sol refletem a luz de superfícies brilhantes, os cientistas conseguem ver melhor as regiões em torno de um buraco negro olhando par a forma como a luz é polarizada.

A imagem do buraco negro, com a sua sombra e luz polarizada, permitiu aos cientistas ver pela primeira vez a forma como a matéria é ejetada. "Observamos de verdade o que os modelos teóricos previam, o que é incrivelmente satisfatório", observou Gueth,.

"O campo magnético na borda do buraco negro é forte o suficiente para repelir gás quente e ajudá-lo a resistir à força da gravidade", explica Jason Dexter, da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos.

Nenhuma matéria sai de um buraco negro uma vez engolida. Mas, por mais poderoso que seja, não engole tudo, uma parte escapa. A matéria que não é capturada - cerca de 10% - é ejetada, e o campo magnético desempenha um papel fundamental neste mecanismo.

Acredita-se que a interação das forças descobertas pelo EHT atue em todos os buracos negros, desde os menores até os super-massivos que espreitam no centro da maioria das galáxias, incluindo a Via Láctea.

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