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Bruxelas aprova "com cautela" compra de pequena tecnológica pela Meta

Bruxelas aprova "com cautela" compra de pequena tecnológica pela Meta

A Comissão Europeia aprovou esta quinta-feira, "com cautela", a compra da tecnológica de pequena dimensão Kustomer pela gigante Meta, novo nome do grupo do Facebook, submetendo a operação a remédios por "reforçar ainda maiores operadores".

Em comunicado, o executivo comunitário informa que aprovou, ao abrigo do Regulamento das Concentrações da UE, a proposta de aquisição da Kustomer pela Meta (anteriormente Facebook), transação que, porém, está "condicionada ao cumprimento integral dos compromissos" assumidos pela gigante tecnológica.

"Devemos rever cautelosamente as transações que possam reforçar ainda mais os grandes operadores que dominam cada vez mais a economia digital, independentemente da dimensão da empresa-alvo. A nossa decisão de hoje irá assegurar que os rivais inovadores e os novos operadores no mercado de 'software' de gestão da relação com o cliente possam competir eficazmente", justifica a vice-presidente executiva da instituição responsável pela tutela da Concorrência, Margrethe Vestager.

Segundo Margrethe Vestager, "os compromissos oferecidos pela Meta asseguram que os seus rivais continuarão a ter acesso livre e comparável aos importantes canais de mensagens da Meta".

O aval surge após uma investigação aprofundada da proposta apresentada pela Meta de aquisição da Kustomer.

"A Kustomer, embora pequena, é um ator inovador, e de rápido crescimento, no mercado de 'software' de serviço ao cliente e apoio à gestão da relação com o cliente", realça a Comissão Europeia.

Esta empresa, fundada em 2015 e sediada nos Estados Unidos, trabalha assim com aplicações de 'software' utilizadas pelas empresas para se relacionarem com os seus clientes, respondendo a perguntas, resolvendo problemas e dando conselhos no contexto da relação entre empresa e cliente.

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Por isso, tanto a Kustomer como a Meta trabalham em mercados relacionados verticalmente, já que esta última, através dos seus populares canais de mensagens WhatsApp, Instagram e Messenger, disponibiliza importantes meios através dos quais as empresas interagem com os seus clientes.

"Durante a sua investigação aprofundada, a Comissão recolheu amplas informações e 'feedback' de concorrentes e clientes e trabalhou em estreita cooperação com as autoridades de concorrência dos Estados-membros e de todo o mundo", assinala Bruxelas.

O executivo comunitário conclui, assim, que "quaisquer dados adicionais a que a Meta possa ter acesso para melhorar o seu serviço de publicidade 'online' não resultariam num impacto negativo significativo na concorrência entre fornecedores de serviços", pelo que deu 'luz verde' à operação.

Ainda assim, a transação está sujeita a remédios com uma duração de 10 anos, que incluem um compromisso de acesso público e não discriminatório ao interface de programação de aplicativos, equidade nas atualizações e ainda um mecanismo de resolução de litígios rápido e vinculativo que pode ser invocado por terceiros.

"A Comissão concluiu que a transação proposta, tal como modificada pelos compromissos, deixaria de suscitar preocupações em matéria de concorrência. A decisão da Comissão está condicionada ao pleno cumprimento dos compromissos", adianta Bruxelas na nota.

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