Ciência

E se houver vida em Vénus? Atmosfera venusiana contém gás existente na Terra

E se houver vida em Vénus? Atmosfera venusiana contém gás existente na Terra

Astrofísica portuguesa entre os investigadores que confirmaram a "presença aparente" de fosfina (um gás existente na Terra) nas camadas de nuvens de Vénus. Estudo publicado esta segunda-feira na revista Nature Astronomy indica que a descoberta pode estar associada a um processo desconhecido ou a uma forma de vida.

É a primeira vez que este composto é descoberto num dos quatro planetas telúricos do Sistema Solar, sem contar com a Terra, explicou à AFP Jane S. Greaves, professora de astronomia da Universidade de Cardiff e coordenadora do estudo. A fosfina foi detetada através da observação da atmosfera venusiana, usando dois radiotelescópios.

A portuguesa Clara Sousa-Silva, que trabalha no Departamento de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), nos EUA, é um dos elementos envolvidos no estudo.

De acordo com a investigação, a existência deste gás em Vénus pode estar associada "a processos desconhecidos de fotoquímica ou geoquímica, ou, por analogia com a produção biológica de fosfina na Terra, à presença de vida". O composto também é encontrado em planetas gigantes gasosos do Sistema Solar, como Júpiter e Saturno, mas não é de origem biológica.

A presença de fosfina, altamente tóxica, não é incompatível com a atmosfera de Vénus, que conta com 97% de dióxido de carbono. Além disso, na superfície do segundo planeta mais próximo do sol, a temperatura é de 470º C, sendo a pressão mais de 90 vezes superior à da Terra.

Mas é na espessa camada de nuvens hiperácidas, que cobre o planeta até cerca de 60 km de altitude, que os cientistas supõem que a fosfina possa ser encontrada.

"Lá nas nuvens, a temperatura ronda os 30º C", avança o estudo, que não exclui que o gás seja formado em baixas altitudes, antes de subir. Mas de onde vem? Jane S. Greaves acredita ter tido em consideração "todos os processos que possam explicar a sua presença na atmosfera de Vénus", havendo duas hipóteses: um processo desconhecido ou uma forma de vida.

Se for o caso, explica, "pensamos que deverá ser pequena para flutuar livremente", reconhecendo, ainda assim, que a deteção do composto não é uma prova robusta de vida, "apenas de uma química anormal e inexplicada".

A equipa de investigadores defende, por isso, uma observação mais aprofundada do fenómeno, nomeadamente com um telescópio espacial ou uma nova visita de sonda à atmosfera do planeta.

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