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Estado Islâmico deixa Facebook e segue para o Telegram

Estado Islâmico deixa Facebook e segue para o Telegram

A rede terrorista que suporta o Estado Islâmico mudou-se de armas e bagagens do Facebook para o Telegram, uma aplicação que encripta mensagens e as autodestrói.

Depois de estar debaixo dos holofotes do mundo pelas piores razões e incitar uma guerra cibernética com o grupo de piratas informáticos Anonymous, o Estado Islâmico (EI) decidiu mudar de tática e abandonar o Facebook.

O grupo já tinha tido problemas com o Twitter, onde as suas contas iam sendo sucessivamente apagadas, pelo que passou a optar por uma nova ferramenta, menos conhecida e mais secreta, para disseminar a sua propaganda.

Os membros mudaram-se para o Telegram, uma aplicação para "smartphone" e web que encripta mensagens e oferece a opção de as apagar após a sua distribuição.

O Telegram foi criado por dois irmãos russos, Nikolai e Pavel Durov, e anda à boleia do VKontakte, o "Facebook" da Rússia.

Há pouco tempo tornou-se, segundo o jornal "El Mundo", no refúgio dos jiadistas, ao permitir a criação de canais de conversação e a disseminação de qualquer tipo de ficheiros para um número ilimitado de utilizadores.

"O EI tem usado o Telegram para abrir canais onde agregam o conteúdo oficial preparado pelas suas divisões mediáticas", assegura um especialista ao jornal espanhol, admitindo que a organização terrorista o faz "diariamente".

Foi neste serviço que mais se espalhou informação a 31 de outubro (data em que um avião russo, com 224 pessoas a bordo, se despenhou no Sinai) e a 13 de novembro (noite dos atentados em Paris). Com a informação também seguiram manifestações de felicidade por parte dos terroristas e simpatizantes.

A ferramenta foi de tal maneira "invadida" que os responsáveis pela mesma decidiram, na passada quarta-feira, apagar 78 canais do Telegram, operados e povoados por militantes do EI, que os alimentavam em diversas línguas.

"Ficamos preocupados ao saber que os canais públicos do Telegram estavam a ser utilizados pelo Estado Islâmico para difundir a sua propaganda", garantiu a empresa sediada em Berlim e que tem acompanhado atentamente o crescimento exponencial da sua ferramenta.

E não é para menos: nos últimos tempos, diversos canais vinculados ao grupo jiadista têm duplicado o seu número de membros a cada semana e as mensagens que lá publicam são "à prova de espiões" e encriptadas.

Outra função que não ajuda os serviços secretos é a de autodestruição das mensagens: o utilizador pode ordenar que a mensagem seja destruída um segundo ou até uma semana depois de ser visualizada.

A utilização por parte do EI, no entanto, não surpreende um dos seus criadores, Pavel Durov, que criou o Telegram desta forma para tornar a comunicação impermeável às agências de inteligência russas (e até oferece uma recompensa de centenas de milhares de dólares a quem conseguir decifrar o código utilizado para encriptar as conversações privadas).

Mas, apesar de tudo, Durov garante que não vai mudar o Telegram. "A privacidade é mais importante que o medo de que coisas terríveis aconteçam, como é o caso do terrorismo. Não acredito que estejamos a colaborar com estas ações, nem nos devemos sentir culpados. Estamos a fazer o que é correto, que é proteger a privacidade dos nossos utilizadores", garantiu.