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Ex-funcionária acusa Facebook de favorecer elites e prejudicar adolescentes

Ex-funcionária acusa Facebook de favorecer elites e prejudicar adolescentes

A mulher que esteve na origem das denúncias que culminaram nos "Ficheiros do Facebook", uma investigação do "Wall Street Journal", revelou a identidade numa entrevista à CBS. Frances Haugen deixou a empresa de Mark Zuckerberg em maio, desiludida com a companhia, que acusa de pôr o crescimento acima da segurança dos utilizadores.

Frances Haugen vai testemunhar amanhã perante o Congresso dos EUA, numa audição designada por "Proteger as crianças online", que tem por base uma investigação aos efeitos do Instagram na saúde mental dos utilizadores mais jovens desta rede social assente na partilha de fotografias, que é detida pela empresa do Facebook.

A empresa do Facebook concluiu, através de uma investigação interna, que o Instagram estava a afetar a saúde mental dos adolescentes, mas não partilhou as descobertas, que sugerem que aquela plataforma de partilha de imagens é "tóxica" para os mais novos.

Segundo o "Wall Street Journal" (WSJ), os dados revelaram que 32% das raparigas adolescentes do estudo disseram que se sentiam mal com o próprio corpo e que o Instagram as fazia sentir pior.

"Havia um conflito de interesses entre o que é bom para o público e o que é bom para o Facebook", disse Frances Haugen, de 37 anos. "Vezes sem conta, o Facebook opta por otimizar os próprios interesses, como fazer cada vez mais dinheiro", adiantou, em entrevista programa "60 minutos", do canal de televisão norte-americano CBS, que em Portugal é emitido pela SIC.

Frances Haugen disse, ainda, que o Facebook tem responsabilidades no ataque ao Capitólio dos EUA, ao acabar com os sistemas de controlo de desinformações, que implementou durante as eleições norte-americanas. "Assim que a votação acabou retiraram o controlo, ou mudaram para as configurações anteriores, para dar prioridade ao crescimento em detrimento da segurança, e isso parece uma traição à democracia", disse.

Após dois anos a trabalhar no Facebook, Frances deixou a empresa desiludida com práticas da empresa. Antes de sair, recolheu documentação comprometedora, que partilhou com o WSJ As revelações incluem documentos que mostram que celebridades, políticos e pessoas importantes naquela rede social têm um tratamento diferenciado. Descobriu, ainda, que cartéis de droga e criminosos dedicados ao tráfico de pessoas exploram livremente os serviços daquela rede social.

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Outra revelação saída destes documentos, adianta a BBC, mostra que o Facebook enfrenta um processo judicial interposto por um grupo de acionistas da empresa. Os investidores alegam, entre outras coisas, que os cinco mil milhões de dólares (cerca de 4,3 mil milhões de euros) que o Facebook aceitou pagar para acabar com o escândalo da consultora Cambridge Analytica, que se apropriou dos dados de 50 milhões de pessoas, chegou a estes valores para proteger o fundador da empresa, Mark Zuckerberg, de responsabilidades pessoais.

Numa declaração por escrito enviada ao WSJ, porta-voz do Facebook, Andy Stone, contrariou as alegações de Frances. "Sugerir que encorajamos os maus conteúdos e nada fazemos é pura e simplesmente mentira", disse. "Todos os dias as nossas equipas balanceiam entre proteger o direito de milhões de pessoas de se expressarem livremente com o de manter a plataforma segura e um local positivo. Continuamos a fazer melhorias significativas para atacar a desinformação e conteúdos malignos", acrescentou.

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