Projeto Sirius

Futuros colonos em Marte poderão revoltar-se e declarar independência da Terra

Futuros colonos em Marte poderão revoltar-se e declarar independência da Terra

Os futuros habitantes de outros planetas podem vir a revoltar-se contra a população da Terra, revela um estudo científico sobre as consequências físicas e psicológicas da colonização extraterrestre.

Seis pessoas estão, desde o início deste mês, a viver numa colónia extraterrestre simulada, na qual estão a ser constantemente monitorizados. A experiência faz parte do Projeto Sirius, um teste internacional de colonização de oito meses em Moscovo, na Rússia. O estudo é um dos que está a ajudar os cientistas a aprender mais sobre as consequências com as quais os futuros colonos lunares ou marcianos podem ter de lidar.

Com o objetivo de ser o mais realista possível, os participantes do Projeto Sirius passaram por uma descolagem e aterragem como se estivessem mesmo a ser transportados para outro planeta. De seguida, foram isolados em câmaras, receberam mantimentos em abundância e aprenderam a usar estufas a bordo.

Apesar de o Projeto Sirius só ter começado no passado dia 4 de novembro, já há vários dados de testes feitos com os mesmos participantes entre 2017 e 2019. Uma equipa de cientistas descobriu, por exemplo, que os participantes, chamados membros da "sociedade fora da Terra", tornaram-se cada vez mais autónomos e comunicaram os seus sentimentos progressivamente com menos frequência com a equipa de controlo.

Segundo o estudo publicado na "Frontiers in Physiology", a independência pode ser promissora numa potencial sociedade marciana, uma vez que os colonos funcionarão por conta própria e trabalharão em equipa, aproveitando o conforto uns dos outros e aliviando a ansiedade individual.

Por outro lado, ao longo da missão, houve uma convergência de estilos de comunicação entre os tripulantes e um aumento na coesão do grupo. "As características de comunicação dos membros da tripulação com diferentes personalidades, géneros e culturas tornaram-se mais semelhantes durante a missão", explicou Dmitry Shved, da Academia Russa de Ciências e do Instituto de Aviação de Moscovo, ao "CNet".

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Deixar o controlo nas mãos dos colonos também pode levantar alguns desafios. "O lado negativo é que [a equipa de] controlo perde a possibilidade de entender as necessidades e problemas da tripulação, o que consequentemente prejudica a capacidade de controlo da missão de fornecer suporte", continuou.

Além disso, se a tripulação atingir um alto nível de autonomia e coesão, pode desligar-se por completo das estruturas externas de Governo e revoltar-se contra os terráqueos. Shved considera, porém, que não há muito a temer - pelo menos para já: "Durante o período em que as colónias de Marte ainda dependerem de reabastecimentos e pessoas vindas da Terra, a probabilidade de rutura das relações diplomáticas parece bastante baixa."

Um futuro próximo?

Com o interesse cada vez mais generalizado nas viagens espaciais e na colonização de outros planetas, exacerbado por programas espaciais privados, agências e Governos terão de tomar decisões sobre leis extraplanetárias mais cedo ou mais tarde. Atualmente, grande parte da legislação está significativamente desatualizada.

Legalmente, os futuros astronautas terão uma maior hipótese de criar uma comunidade, mas não um país novo, uma vez que as missões ainda estarão sob a responsabilidade do Governo anfitrião. Contudo, parece provável que haverá leis planetárias em Marte.

Em 2016, recorde-se, Elon Musk, fundador da SpaceX, afirmou pretender que, em Marte, fosse instituída uma democracia direta, na qual os colonos votariam nas questões em vez de escolher políticos como acontece nas democracias representativas da Terra.

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