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Gearbest não dá sinal de vida e deixa clientes sem dinheiro e encomendas

Gearbest não dá sinal de vida e deixa clientes sem dinheiro e encomendas

O site da GearBest está em baixo há vários dias. A empresa de venda de produtos eletrónicos online não deu explicações e há clientes sem dinheiro e sem as encomendas.

É um mistério o que se passa com a GearBest, um site de venda online que chegou a ser um dos mais importantes do mundo, que está em baixo desde o início de setembro. No Portal da Queixa ou no "Trust Pilot" acumulam-se as queixas de clientes que estão à espera das encomendas ou da devolução do dinheiro. Nenhum teve qualquer resposta da empresa.

A todos, percursos comuns. Pagaram a pronto e esperam pelas encomendas. Em comum ainda a falta de resposta da empresa, que, até ao momento, ninguém conseguiu contactar.

O site e as contas nas redes sociais da GearBest estão em baixo. E a empresa não responde aos emails, de clientes ou jornalistas. É como se tivesse desaparecido da face da terra.

A GearBest destacou-se, em Portugal, como uma das principais lojas online de produtos tecnológicos chineses. A "Priority Line", uma opção de compra que fintava a alfândega e permitia aos consumidores portugueses a aquisição de produtos eletrónicos a preços mais baratos, ajudou à popularidade e ao crescimento da empresa.

Com sede em Shenzhen, na China, a GearBest sobressaiu através de uma estratégia agressiva no Youtube, multiplicando-se em canais e parcerias com empresas ou pessoas conhecidas.

Daniel Camilo, um português a viver na China, trabalhou na GearBest durante quase três anos. Foi diretor de "marketing" da empresa e rosto de muitos vídeos promocionais no Youtube dirigidos ao mercado português.

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"Tendo trabalhado lá durante alguns anos, e sabendo que tem gente muito boa, não queria vangloriar-me com a queda... mas estavam mesmo a pedi-las", escreveu Daniel Camilo no Twitter.

"A GearBest é o exemplo perfeito dos típicos unicórnios de falso crescimento de Shenzen, suportadas por um esquema de investimento tipo ponzi em que basicamente é preciso gastar milhões em anúncios para impulsionar o tráfego e mostrar aos investidores o que cresceste para conseguir mais milhões e investir em mais anúncios", escreve Daniel Camilo.

"É o exemplo acabado do que não se deve fazer num negócio sustentável, no marketing, nas vendas e, de uma forma geral, na cultura empresarial", diz o ex-funcionário da GearBest.

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