Espanha

"Influencers" fazem publicidade a medicamentos e deixam autoridades em alerta

"Influencers" fazem publicidade a medicamentos e deixam autoridades em alerta

O aumento das vendas de um produto farmacêutico, apenas vendido com receita médica, fez soar os alarmes. O medicamento tinha sido amplamente divulgado por vários "influencers" e as autoridades sanitárias espanholas desencadearam uma caça aos vídeos promocionais.

O medicamento em causa é o Eridosis, usado para combater a acne e promovido como se fosse um mero produto de limpeza de pele. O problema, segundo escreve o jornal "El País", é que se trata de um antibiótico que necessita de receita médica para ser comprado. A publicidade a este tipo de produtos é proibida por lei e o uso sem acompanhamento médico pode causar problemas de saúde.

Apesar de a lei não permitir que este produto seja publicitado para o grande público, vários "influencers", com milhares de seguidores, fizeram vídeos e publicações mostrando o produto. E este não é o único medicamento que pode ser encontrado nos vídeos e nas publicações dos "influencers" mais conhecidos em Espanha.

Farmacêutico deu alerta nas redes sociais

O farmacêutico Guillermo Martín Melgar já há algum tempo que tinha reparado neste fenómeno, em que utilizadores com um grande número de seguidores fazem anúncios a produtos farmacêuticos como se fossem livros, jogos ou perfumes. Desde setembro do ano passado que, através de uma conta do Twitter, denuncia os vários produtos que encontrou nas redes sociais.

Além do creme para o acne, viu menções ao Mupirocina, uma pomada usada para tratar infeções, ao Aciclovir, um antiviral usado contra o herpes ou o Dercutane, que pode ser aplicado contra o acne. Todos produtos sujeitos a receita médica e sobre os quais não pode haver publicidade.

Ministério de Saúde atento ao problema

O caso chegou ao Ministério da Saúde que começou a procurar estes conteúdos nas redes sociais. A primeira plataforma a ser analisada foi o YouTube. Os alertas chegaram mesmo à Google, empresa detentora do YouTube, que no final de dezembro demonstrou estar disponível para retirar os conteúdos que não respeitassem a lei.

Porém, ao diário espanhol, a Google explicou que apenas poderá atuar quando receber links específicos, para depois os analisar um a um e determinar em que situações são violadas as regras de utilização e as do próprio país.

E o YouTube não é a única plataforma onde foram encontrados conteúdos promocionais que não são permitidos pela lei em Espanha. No Instagram, principalmente nas Instastories, foram analisados vídeos em que os utilizadores fazem publicidade a produtos médicos apenas disponibilizados com receita médica. E é precisamente esta plataforma que comporta o maior desafio para as autoridades. Grande parte dos vídeos desapareceram com o tempo, sendo mais difícil para as autoridades encontrá-los.

Produtos podem ser perigosos

Ana López-Casero, do Conselho Geral dos Colégios de Farmacêuticos de Espanha, explica que o principal risco está relacionado com o desconhecimento da população sobre este tipo de medicamentos. "Muitas pessoas julgam que se trata de mais um produto de consumo, como roupa ou um disco, mas não é isso, é um bem de saúde.Não queremos criminalizar estes "influencers". De certeza que não o fizeram por mal. Mas as regras de publicidade para um fármaco são muito restritas", disse a especialista.

Apesar de grande parte destes medicamentos não representaram, por si só, um problema de saúde, a má utilização dos antibióticos pode criar resistências contra bactérias, alertam as autoridades.

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