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A perigosa guerra de um país contra o Facebook

A perigosa guerra de um país contra o Facebook

A Papua-Nova Guiné anunciou, esta semana, que vai proibir o acesso ao Facebook durante um mês inteiro. O objetivo passa por eliminar contas falsas e evitar a propagação de "fake news". Uma espécie de desinfestação digital que levanta mais perguntas do que respostas.

É uma decisão pouco comum. Principalmente para um país em que menos de 20% dos habitantes tem acesso à Internet. O perigo das notícias falsas é um dos argumentos apontados pelo ministro das Comunicações da Papua-Nova Guiné, Sam Basil.

Mas há um ponto curioso nas justificações dadas pelo responsável para uma tomada de decisão tão radical. O país equaciona a criação de uma rede social própria, "mais ajustada aos interesses do país".

Ora, mesmo num país em que o número de habitantes com acesso às redes sociais é tão reduzido, a tentação de controlar aquilo que se passa nos ambientes digitais é grande. Este é um aspeto que tem deixado alguns especialistas com o pé atrás.

Aim Sinpeng, especialista em media digitais da Universidade de Sydney, em declarações ao "The Guardian", lembra que este tipo de decisões é comum em países como a China, que vetam o acesso ao Google e ao Facebook. A vontade em controlar o que se passa online é ainda maior em períodos de pré-campanha eleitoral.

Ter uma rede social sob alçada do Governo pode transformar-se numa perigosa arma contra a democracia. Se, por um lado, há uma preocupação global sobre o risco das notícias falsas nas redes sociais, por outro, não nos podemos esquecer que cada vez mais pessoas usam este tipo de redes para se informarem.

Impor uma purga no Facebook, criando uma rede controlada por forças governamentais, é uma ameaça à liberdade de informação, tão, ou até mais perigosa do que as notícias falsas ou os robôs que partilham esses conteúdos.

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