Ciência

Cientista do Porto diz ser possível criar colónias noutros planetas no séc. XXII

Para o astrofísico, é importante haver a consciência de que a única forma de mitigar os efeitos nocivos do ambiente em que vivemos e do ambiente cósmico é o conhecimento científico

Foto Arquivo / Global Imagens

O diretor do Departamento de Astrofísica da Faculdade de Ciências da Universidade Porto disse esta sexta-feira que existe um "impulso irresistível" da espécie humana em expandir-se e considera possível a criação de colónias noutros planetas no próximo século.

Essa necessidade de expansão pode levar à procura de "novos ambientes", sendo "inevitável a expansão pelo espaço", o que pode "minimizar a hipótese de um evento de cataclismo cósmico extinguir a humanidade", indicou Orfeu Bertolami.

O cientista falava à Lusa a propósito das comemorações do Dia do Asteroide, num evento que decorreu hoje na Fundação de Serralves, no Porto, e que pretende ser um movimento de alerta global para consciencializar a sociedade dos riscos associados ao impacto de asteroides e das medidas necessárias para dotar a humanidade de recursos para a sua deteção precoce.

Questionado sobre as ações para evitar possíveis colisões de asteroides com a Terra, o cientista acredita que se devem apostar em medidas preventivas, afirmando que já existe atualmente capacidade para monitorizar esses objetos, bem como meios para desviá-los se, porventura, houver a possibilidade de causarem danos, que considera muito remota.

Para o astrofísico, é importante haver a consciência de que a única forma de mitigar os efeitos nocivos do ambiente em que vivemos e do ambiente cósmico é o conhecimento científico.

Segundo indicou, o Dia do Asteroide tem como intuito "sensibilizar e mobilizar a opinião pública para o facto de sermos, continuamente, bombardeados por objetos que vêm do espaço" e para "a necessidade de termos capacidade astronómica para monitorizar a aproximação dos mesmos".

A maior parte desses objetos, referiu o cientista, são desintegrados na atmosfera terrestre, alguns manifestam-se através de um fenómeno designado por estrelas cadentes e outros, consideravelmente grandes, são capazes de causar impacto na crosta terrestre, como já aconteceu ao longo da História.

O Dia do Asteroide é um movimento internacional que teve início em 2005, sendo a comemoração em Portugal assinalada e organizada pela Faculdade de Ciências da Universidade do Poro (FCUP), pelo Centro de Astrofísica da Universidade do Porto e pela Fundação de Serralves.

O evento de hoje contou com apresentações dos investigadores da FCUP Orfeu Bertolami, Manuel Silva e Teresa Seixas, e da astronauta da NASA Nicole Stott.

Durante a manhã, houve espaço para atividades direcionadas para crianças, dirigidas por membros do Planetário do Porto - Centro Ciência Viva e do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA).

O evento disponibilizou também uma visita guiada a uma exposição de meteoritos, a visualização de filmes e leituras de excertos do livro "O Principezinho", de Antonie de Saint-Exupéry.