Saúde

Aplicação para telemóvel dá alerta em caso de overdose de droga

Aplicação para telemóvel dá alerta em caso de overdose de droga

Investigadores da Universidade de Washington desenvolveram uma aplicação de smartphone que usa um algoritmo para monitorizar os sinais vitais de um utilizador em caso de overdose por opioides.

Pelo menos 115 pessoas morrem, em média, todos os dias nos Estados Unidos por overdose de opiáceos, de acordo com o Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas. Em 2016, os opioides injetáveis ilegais tornaram-se na droga mais comum relacionada com as mortes por overdose.

Durante uma overdose, uma pessoa respira mais lentamente ou pára de respirar completamente. Se forem detetados a tempo, os sintomas são reversíveis com o fármaco naloxona. Acontece que, em muitos casos, quem consome droga fá-lo de forma isolada, não tendo hipótese de pedir ajuda em caso de overdose.

Foi a pensar neste problema de saúde pública que uma equipa da Universidade de Washington desenvolveu uma aplicação móvel para smartphone, a "Second Chance", que utiliza tecnologia para controlar a respiração e os sentidos do utilizador, quando ocorre uma overdose por opiáceos. Os investigadores criaram um algoritmo "que é capaz de detetar overdoses, monitorizando a forma como a respiração de alguém altera antes e depois do uso de opioides". A "Second Chance" envia ondas sonoras inaudíveis a partir do telemóvel para o peito das pessoas e depois, procurando padrões específicos de respiração, avalia a forma como as ondas regressam ao telemóvel.

A aplicação, que foi apresentada na revista "Science Translational Medicine", deteta com precisão sintomas de overdose em 90% dos casos e consegue rastrear a respiração de alguém até um metro de distância.

"A ideia é que as pessoas possam usar a aplicação durante o uso de opiáceos para que, se tiverem uma overdose, o telefone possa ligar a um amigo ou a serviços de emergência para fornecer naloxona", explicou o engenheiro Shyam Gollakota, professor associado da Universidade de Washington, adiantando que quando a aplicação deteta uma diminuição ou ausência de respiração, alerta a pessoa - pedindo à pessoa que interaja - antes de contactar outra pessoa ou serviço.

Além de controlar a respiração, a aplicação também monitoriza os movimentos dos utilizadores. Segundo Rajalakshmi Nandakumar, principal autor do estudo, há movimentos característicos durante uma overdose, como a cabeça a cair, por exemplo.

De forma a testar o algoritmo por detrás da aplicação, os investigadores criaram uma parceria com um centro de consumo de droga assistido em Vancouver, no Canadá (o primeiro local legal para o efeito na América do Norte). Como parte do estudo, 94 consumidores da Insite usaram monitores nos seus peitos para controlarem as taxas de respiração.

"Pedimos aos participantes para prepararem as suas drogas como normalmente fariam, depois controlámos a sua taxa de respiração antes da injeção, para que o algoritmo pudesse obter um valor de referência", começou por explicar Nandakumar. "Depois de obtivermos uma linha de base, continuamos a monitorizar a respiração durante a injeção e cinco minutos depois, que é quando ocorrem os sintomas de overdose".

Dos 94 participantes que testaram o algoritmo, 47 registaram uma taxa de respiração mais lenta, 49 pararam de respirar por um período significativo e duas pessoas tiveram uma overdose, que exigiu tratamento com oxigénio, ventilação e/ou naloxona.

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