Segurança

Apple bloqueia acesso da polícia aos iPhones

Apple bloqueia acesso da polícia aos iPhones

A Apple prepara alterações às configurações de segurança do iPhone que vão proteger os utilizadores dos "hackers", dos serviços secretos e da polícia.

A Apple anunciou que vai mudar as definições por defeito do sistema operativo do iPhone, o IOS, cortando a comunicação através da porta de carregamento do telefone se o aparelho não for desbloqueado durante uma hora.

A alteração vai fechar a porta de entrada usada por peritos forenses na análise de telemóveis da Apple em caso de investigação judicial.

O objetivo, assumido como primordial, pela Apple é proteger a privacidade dos utilizadores do iPhone, mas a reconfiguração vai dificultar o trabalho da polícia em aceder aos telemóveis.

Conhecida pelo zelo com que põe a privacidade dos clientes à frente das investigações judiciais, como aconteceu no caso de um suspeito de terrorismo, nos EUA, em 2016, a Apple alega que desconhecia o uso dado pelas polícias (e serviços secretos) da porta de entrada para o carregador.

"Temos o maior respeito pelas forças de seguranças e não concebemos as nossas melhorias para dificultar-lhes o trabalho", garantiu a Apple em comunicado.

"Estamos constantemente a reforçar as proteções de segurança em todos os produtos da Apple, para ajudar os nossos consumidores a defenderem-se dos hackers, ladrões de identidade e intrusões nos dados pessoas", explica a empresa.

Uma justificação com ervilha debaixo dos colchões. Em fevereiro 2016, uma juíza norte-americana exigiu que a Apple fornecesse "uma assistência técnica razoável" ao FBI para aceder ao conteúdo encriptado do iPhone de um dos autores do tiroteio de San Bernardino, que fez 14 mortos no início de dezembro na Califórnia. A Apple recusou e anunciou que ia contrariar a ordem judicial "sem precedentes" e que era "uma ameaça" para os clientes.

"Não esperávamos estar nesta posição, mas estimamos que temos a obrigação de proteger os vossos dados e a vossa vida privada", declarou Tim Cook, na ocasião. "É um assunto que nos afeta a todos, e não recuaremos perante as nossas responsabilidades", acrescentou.

Não tardou muito a ter um apoio de peso. "Não acho que exigir acessos secundários a dados encriptados vá ser uma forma eficaz de aumentar a segurança ou seja realmente a coisa certa a fazer. Estamos bastante solidários com Tim e a Apple", disse Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, nos dias que mediaram este braço de ferro jurídico entre o Governo dos EUA e empresa da maçã dentada.

O caso cessou nos tribunais um mês depois, quando o FBI conseguiu aceder ao telemóvel do suspeito. "A decisão de terminar a litigância deveu-se exclusivamente, com a assistência recente de uma terceira parte, a sermos agora capazes de desbloquear este iPhone sem comprometer qualquer informação no telefone", afirmou a procuradora Eileen Decker, em comunicado, a 29 de março.

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