Tecnologia

Burlas online começam por erro humano

Burlas online começam por erro humano

Embora os bancos estejam na vanguarda da segurança informática no que diz respeito a serviços de homebanking, o especialista Bernardo Trigo refere, ao JN, que "o sector bancário tem uma grande falha: a falta de formação dos seus clientes".

O "phishing" (envio de email fraudulento com o objetivo de obter códigos de acesso e dados financeiros) ataca sobretudo "a falta de conhecimento do utilizador", diz o CEO do Instituto de Resposta a Incidentes de Segurança Informática, considerando insuficientes as campanhas de sensibilização levadas a cabo quer pelas entidades bancárias quer pelas próprias entidades governamentais. "Têm feito esforços para proteger e alertar o utilizador. Porém, isto não é suficiente", assegura.

A Associação Portuguesa de Bancos (APB) contraria a tese do especialista. "Os bancos têm vindo a assumir o papel de alertar e educar os seus clientes, no sentido de adoptarem as boas práticas de segurança na utilização da Internet e, em particular, no acesso aos serviços de homebanking".

Porém, a própria APB reconhece, ao JN, que, independentemente das medidas tecnológicas adoptadas pelos bancos, como os cartões-matrizes, os teclados virtuais e confirmações por SMS, "a segurança (ou a falta dela) depende também do comportamento humano, que corresponde à parte do processo onde ocorrem as falhas que se verificam".

"A nível bancário poderá existir maior intervenção", como o fornecimento de brochuras de boas práticas de utilização destes serviços, aquando o pedido de acesso ao homebanking, defende o especialista. "Há uma falha na formação e disseminação de propaganda de boas práticas", insiste. "Os bancos deviam ter também assistentes virtuais. 'Webinars' orientando a segurança", exemplifica.

Por muitos softwares de proteção que se use, um dado é claro: a informação é a arma mais eficiente para combater ameaças externas. "A segurança informática define-se pela segurança intelectual dos seus utilizadores", defende Bernardo Trigo.