Privacidade

Facebook atua como "gangster digital", denuncia relatório do Parlamento britânico

Facebook atua como "gangster digital", denuncia relatório do Parlamento britânico

De acordo com um relatório sobre notícias falsas e desinformação elaborado pelo Parlamento britânico, a empresa que detém o Facebook violou a lei da privacidade e concorrência intencionalmente, vendendo, de forma abusiva, informação dos utilizadores.

Os executivos da empresa que gerem o Facebook foram descritos como "gangsters digitais" e acusados de violar deliberadamente a lei de privacidade e concorrência, de acordo com um relatório parlamentar do Reino Unido, que adverte para a necessidade de ser elaborada regulamentação urgente para enfrentar esse tipo de irregularidades.

O relatório sobre desinformação e noticias falsas, realizado pela comissão parlamentar Digital, Cultura, Media e Desporto, acusa o Facebook de obstruir propositadamente a investigação sobre as tentativas da Rússia de manipular eleições, nomeadamente nas que ditaram o Brexit, na sequência de uma investigação que durou 18 meses.

"A democracia está em risco devido à desinformação e anúncios personalizados de fontes não credíveis, partilhadas através das principais plataformas sociais que usamos todos os dias", frisou Damian Collins, presidente da comissão parlamentar britânica, citado pela BBC.

Documentos analisados pela comissão, alguns dos quais incluem correspondência entre Mark Zuckerberg e executivos da empresa, decorrentes de uma ação judicial contra o Facebook, na California, mostram ainda que a plataforma estava disposta a substituir as configurações de privacidade dos utilizadores para transferir dados para empresas depublicidade de forma a gerar mais lucro através da sua plataforma.

Assim, alega o relatório de 100 páginas, o Facebook dava prioridade ao lucros dos acionistas sobre os direitos de privacidade dos utilizadores, usando a posição dominante no mercado para anular a concorrência. "Empresas como o Facebook não devem comportar-se como gangsters digitais no mundo online, considerando-se acima da lei", advertiu o comité do parlamento britânico, segundo a CNN.

A comissão Digital, Cultura, Media e Desporto defende que as empresas têm responsabilidade quanto aos conteúdos dos sites que operam e que deve ser exigida uma regulamentação mais rigorosa nas redes sociais. Afirma ainda que a lei britânica está desatualizada e carece de uma urgente atualização, propondo regulações mais abrangentes, incluindo um código de ética obrigatório e um regulador independente com poder para instaurar processos.

Para além das acusações feitas à rede social, o cofundador e presidente executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, é acusado de desprezar o Parlamento ao recusar três exigências separadas para prestar um depoimento e, em vez disso, enviar funcionários incapazes de responder às perguntas do comité.

"Mesmo que Mark Zuckerberg não acredite que é responsável perante o Parlamento do Reino Unido, é responsável para milhares de milhões de utilizadores do Facebook em todo o mundo", afirmou Damian Collins.

Facebook diz não violou leis

Em resposta ao relatório, o Facebook afirmou que não violou as leis de proteção de dados ou de concorrência. Karim Palant, diretor de relações externas do Facebook nos Estados Unidos, mostrou-se satisfeito pela empresa ter contribuído para a investigação que levou à realização do relatório e afirmou aceitar as alterações legislativas.

"Estamos abertos a regulamentações significativas e apoiamos as recomendações do comité para a reforma da lei eleitoral", disse Karim Palant. "Já fizemos mudanças substanciais para que todos os anúncios políticos no Facebook tenham que ser autorizados", acrescentou.

O Facebook é um dos principais alvos da investigação conduzida ao longo de mais de um ano por esta comissão parlamentar sobre o fenómeno das noticias falsas e o impacto nas recentes eleições no Reino Unido, incluindo o referendo sobre o "Brexit" em junho de 2016.