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Fortnite: truques do sucesso e dicas para os pais sobre o fenómeno de milhões

Fortnite: truques do sucesso e dicas para os pais sobre o fenómeno de milhões

É o videojogo do momento e atrai miúdos e graúdos. Tem mais de 125 milhões jogadores em todo o mundo e fatura milhões de dólares. O Fortnite foi criado com "truques" para ser um sucesso e um ano após o lançamento é um fenómeno - todos jogam ou já ouviram falar dele.

Fortnite é um videojogo de sobrevivência, que inclui combate e construção. Está disponível online em computadores, consolas e telemóveis.

Existem duas versões: uma gratuita (Fortnite Battle Royale) e uma paga (Fortnite: Save the World). Na primeira, podem estar em jogo até 100 pessoas, que tentam "eliminar" os inimigos. Quem sobrevive, ganha a batalha. Na opção paga, luta-se contra zombies mas o objetivo é o mesmo: sobreviver.

A Epic Games lançou o Fortnite em meados de 2017 e num ano valorizou oito mil milhões de dólares (quase sete mil milhões de euros). O jogo tornou-se um fenómeno: soma mais de 125 milhões de jogadores em todo o mundo e gera milhões de dólares de receitas por mês. Até ao final do ano a estimativa aponta para ganhos de dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros). É que, apesar de o jogo ser gratuito, tem custos opcionais - por exemplo, o jogador pode comprar itens para personalizar as suas personagens do jogo, como as "skins" (roupas), mochilas ou paraquedas. É ainda possível comprar "passes de batalha" que permitem desbloquear novos itens.

É o jogo mais lucrativo da história da App Store - rendeu mais de 300 milhões de dólares (260 milhões de euros) à Epic Games em 200 dias, segundo a aplicação estatística Sensor Tower. O outro jogo que se aproximou deste valor foi o conhecido Clash Royale, com 228 milhões de dólares no mesmo período.

"A grande diferença do Fortnite é a construção e o estilo artístico. Neste jogo, é possível construir estruturas, torres ou bases de diversos materiais, que tornam o jogo mais estratégico e dinâmico". Quem o diz é Tiago Agostinho, 20 anos, conhecido entre os gamers como Tiaguitos. O seu canal no YouTube onde transmite jogos em streaming tem mais de 95 mil subscritores.

"Algo que me cola a este jogo é o facto de o jogador escolher a sua forma de jogar. Não há uma forma definida de ganhar. Há jogadores que apostam mais nas mecânicas do jogo e outros são mais estratégicos. Sinto que o jogo é sempre novo devido aos jogadores serem sempre diferentes", descreve ao JN.

Tiaguitos destaca ainda que no Fortnite "há sempre espaço para aprender e melhorar" e "novos acontecimentos" que dão uma dinâmica muito característica ao jogo.

A popularidade é tanta que celebridades jogam, jogadores de futebol festejam vitórias e golos com danças Fortnite e é comum ver crianças a abanar os braços freneticamente numa dança que "saltou" para o jogo por sugestão de um fã (parece fácil?...)

Mas afinal, a que se deve tamanho sucesso?

Na "raiz" da criação de um videojogo há "truques" estudados para que seja um sucesso e a equipa do Fortnite levou esta máxima muito a sério.

Celia Hodent, doutorada em psicologia e diretora de UX (User Experience) da Epic Games entre 2013 e 2017, explica que "quando o UX de um jogo é feito corretamente, parece natural. Dá prazer jogar. O jogador nem nota. Além da importância do design, a usabilidade é a chave, exigindo pouco esforço cognitivo ao jogador".

E há estratégias para tornar o jogo mais intuitivo. "Usamos 'pop-ups' (...) para mostrar que tipo de arma está usar e que tipo de munições precisa para ela. Ou mostrar os comandos necessários para mudar do modo de construção para modo de ataque. Mostrando os controlos, o jogador age de forma natural", revela Celia Hodent.

Outro "truque" é "a interação do jogador com o jogo e itens do jogo, para garantir que vai ser interessante e divertido". Por exemplo: há a pinhata em forma de lama que reage aos movimentos do jogador - os olhos fecham quando o jogador se prepara para a partir e obter recompensas.

Também a recolha de material - madeira, ferro, tijolos para as construções - foi estudada para não ser uma tarefa aborrecida - há locais-chave que a tornam mais eficiente e rápida. E as diferentes ferramentas utilizadas produzem sons específicos.

A comunicação entre a Epic Games e os gamers é outro aspeto a sublinhar. "A comunidade aprecia a equipa que está por detrás do jogo, sempre a atualizar e a tentar melhorar cada vez mais o Fortnite. Há muitos jogos que após atingirem sucesso começam a ter medo de mudança, mas a equipa do Fortnite está sempre a tentar inovar", refere Tiaguitos.

Os mais novos já são "prós". O que devem fazer os pais?

Ao mesmo tempo que conquista os jovens, "o Fortnite também é um jogo com um estilo mais infantil [mundo de fantasia], ou seja, toda a família pode jogar", segundo o gamer português de 20 anos. E é isso mesmo que defende a psicóloga Ivone Patrão: "Recomendo que os pais joguem com os filhos, uma vez por outra, que se interessem". Se não o fizerem quando são pequenos, "não vai acontecer quando os filhos tiverem 15 ou 16 anos", alerta.

O jogo é aconselhado a partir dos 12 anos, mas há jogadores que são "prós" muito mais novos... A psicóloga Ivone Patrão já se cruzou com o fenómeno Fortnite. "Tive e tenho algumas crianças e jovens em consulta que jogam". Neste caso, "têm de sobreviver, estão em perigo, isso coloca-os numa situação de ansiedade". Há sinais de alerta a que se deve estar atento: se a criança está mais irritada e agressiva, mais ansiosa e com perturbações do sono. Mas, desdramatiza: "faz parte da fantasia das crianças poder exprimir os seus comportamentos, da mesma forma como brincam aos piratas, aos cowboys, aos polícias e ladrões".

Com vários anos de experiência a acompanhar crianças, jovens e famílias na área das dependências da Internet, a autora do livro "Geração Cordão" diz que "tem de haver negociação sobre o uso da tecnologia". É preciso "não fazer disto um drama. Assim como combinam com eles outras atividades familiares e outras regras da gestão familiar, esta é mais uma".

Ao mesmo tempo, deve-se dar o exemplo e evitar o "modelo virtual negativo" da família, que "não desliga" à refeição, à noite...

A sexta temporada do Fortnite começou no final de setembro com novas "skins", novas danças, mascotes que os jogadores transportam nas mochilas às costas, novas localizações na "ilha" de jogo e o poder de ficar invisível! Já se anunciam novidades temáticas com a aproximação do Halloween. E o tempo já está a contar, a próxima temporada chega daqui a 55 dias... 54....

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