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O que nos ensinaram os "Coletes Amarelos"?

O que nos ensinaram os "Coletes Amarelos"?

Prometiam parar as estradas em Portugal, mas não o fizeram. Só em pequenos pontos, e apenas nas primeiras horas do dia, é que provocaram alguns constrangimentos. Longe do que prometiam nas redes, o que podemos aprender com os "coletes amarelos"?

Primeiro, nem tudo o que vem à rede é peixe. Ou, nem tudo o que é prometido na Internet é verdade. Isto porque, apesar da página do movimento "Vamos parar Portugal como forma de Protesto" contar com mais de 40 mil confirmações antes de ser apagada, poucas pessoas saíram à rua envergando o famoso colete que varreu França nos últimos fins de semana.

Mais uma prova de que o militantismo social que começa nas redes sociais nem sempre tem concretização no mundo real. Sendo a rede um espaço propenso aos discursos emotivos é natural que na hora da verdade o racional venha ao de cima.

O que esta manifestação teve de verdadeiramente novo é a forma como foi preparada às escondidas. Se o Facebook era a ferramenta preferida para este tipo de movimentos, o WhatsApp ganhou preponderância. As mensagens circulam de forma mais rápida, são mais pessoais e o sistema funciona de um modo mais secreto do que no Facebook ou Twitter.

Este é o terreno favorável para a circulação de informação que não é verdadeira e que depois é partilhada sem que haja uma curadoria capaz de separar o trigo do joio. As eleições europeias estão à porta e as legislativas a poucos meses. Estamos preparados para o que aí vem?