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Negociador do Brexit diz que processo é uma "escola de paciência" e "tenacidade"

Negociador do Brexit diz que processo é uma "escola de paciência" e "tenacidade"

O negociador-chefe da União Europeia (UE) para o Brexit, Michel Barnier, considerou, esta terça-feira, o processo de saída do Reino Unido uma "escola de paciência, de tenacidade" e salientou que a ratificação do acordo "não será o fim da história".

"O Brexit é uma escola de paciência, de tenacidade. E mesmo com a ratificação do acordo não será o fim da história. Não é um destino, é um passo para construir uma nova parceira com o Reino Unido", indicou Michel Barnier no segundo dia da cimeira tecnológica Web Summit que decorre até quinta-feira no Parque das Nações, em Lisboa.

Michel Barnier admitiu que a União Europeia tem "uma tarefa secundária muito mais difícil para reconstruir uma nova parceria com o Reino Unido" que vai permanecer "amigo, aliado e parceiro" da UE.

O responsável que discursava no palco principal da Web Summit considerou que "o 'Brexit não é apenas o divórcio entre a União Europeia e o Reino Unido", mas também está relacionado com a construção de "uma nova parceria" que "beneficia cidadãos e novas empresas que estão a trabalhar dentro e com o Reino Unido" e que apoia a "estabilidade" no continente.

Para Michel Barnier é necessário encontrar "uma solução que proteja as empresas e os consumidores no mercado único da União Europeia" e também "a integridade constitucional do Reino Unido".

"Até agora, ninguém me conseguiu explicar o valor acrescentado do 'Brexit'. Ninguém. E nem mesmo Nigel Farage [líder do Partido do 'Brexit']", lamentou Barnier acrescentando que o "local onde o 'Brexit' cria maiores riscos e problemas é na Irlanda".

"Aqui [na Irlanda] não estamos a falar apenas de uma economia e comércio. Estamos a falar de pessoas, de paz e estabilidade nesta região", sublinhou o responsável.

O negociador-chefe da União Europeia (UE) para o 'Brexit' alertou ainda que "o risco de uma saída sem acordo continua" e que é necessário continuar "vigilantes e preparados para esse possível resultado".

No entanto, se se conseguir "completar essa negociação no curto espaço de tempo, embora o 'Brexit' seja uma perda para ambos os lados" pode-se "conseguir uma relação de amizade, cooperação e a ambição conjunta de um futuro melhor", argumentou Barnier.

O Reino Unido tinha previsto sair da UE a 31 de outubro, mas acabou por aceitar um novo prolongamento até 31 de janeiro.

As eleições legislativas são vistas como uma forma de romper o impasse no parlamento, que chumbou três vezes um acordo negociado por Theresa May e recusou aprovar em três dias o acordo negociado por Boris Johnson, inviabilizando assim a saída no final de outubro.