Medicina

Novo dispositivo médico tece teia para tratar queimaduras

Novo dispositivo médico tece teia para tratar queimaduras

A empresa israelita Nanomedic desenvolveu um dispositivo médico para tratamento de queimaduras, feridas crónicas e cirúrgicas. O Spincare produz um "substituto da pele" semelhante a uma teia, que é aplicado diretamente nas queimaduras e evita curativos dolorosos nos pacientes, nomeadamente nas crianças.

Com o objetivo de diminuir os curativos dolorosos dos pacientes queimados, a empresa israelita desenvolveu o Spincare, um dispositivo que permite a aplicação de um tecido semelhante a uma teia branca na pele. É um "substituto de pele" respirável, que se espera que auxilie a recuperação, que permita uma maior mobilidade do doente e que seja possível tomar banho, um processo que normalmente é complicado com os pensos tradicionais.

"Esta é uma estrutura de nanofibras totalmente personalizada que imita tecidos humanos e melhora a regeneração", diz Josef Haik, diretor da especialidade de cirurgia plástica e dos cuidados intensivos de queimados, do centro hospitalar de Sheba, em Israel.

A camada, para além de ser semelhante a uma teia, é ainda translúcida, o que permite aos médicos examinar a ferida, sem lhe tocar, reduzindo assim o risco de infeção. O "Electrospinning" é a criação de malhas 2D de fibras com tamanhos ajustáveis através da utilização de eletricidade. Apesar de já ser uma técnica utilizada há vários anos na medicina, o dispositivo torna-se inovador por ser mais pequeno, permitir o seu transporte até à cama dos pacientes e ter uma forma diferenciadora de aplicação, diferenciando-se assim das máquinas anteriormente disponíveis, assegura a empresa ao "The Guardian".

Gary J Sagiv, vice-presidente de marketing e de vendas da Nanomedic, explicou que o preço do dispositivo varia de país para país, mas assegura que é mais rentável para as instituições em relação a outras ligaduras avançadas para o tratamento de feridas, já existentes no mercado. Um hospital da Alemanha já o utilizou em queimaduras faciais, nas quais os tratamentos são dispendiosos, revela.

O médico Baljit Dheansa aplicou o tecido em cinco doentes no hospital de Queen Victoria, em Inglaterra, e os resultados foram positivos em queimaduras superficiais. "Tens este belo material esbranquiçado que é bastante robusto e parece lidar com a maioria das feridas", diz. Salienta que em queimaduras mais profundas, o método não é tão eficaz.

PUB

O produto chegou numa altura em que se debate, no seio da comunidade médica, se a abordagem tradicional da mudança de ligaduras para avaliar as feridas era contraproducente, afirma Dheansa ao jornal britânico. Porém, já existem ligaduras especializadas que não necessitam de ser trocadas com tanta frequência.

"O Spincare remete-nos à ideia de proteger uma ferida e deixar a natureza fazer o que tem a fazer", afirma. A teia é aplicada através de um laser apontado para a zona queimada da pele. "Com este tipo de curativo o paciente não precisa de aprender a fazê-los, são mais flexíveis", o que permite ao doente relaxar e mover-se.

O médico britânico espera vir a fazer uma investigação sobre a eficácia do novo dispositivo, uma vez que o hospital de Queen Victoria já assegurou a compra de mais cinco cápsulas de utilização única. "Tentamos ao máximo ter uma visão bastante independente. Entramos de forma bastante inocente e vamos avaliar o que realmente faz", elucida.

Outras Notícias