Tecnologia

Operadoras de telemóvel guardam informações pessoais indevidamente

Operadoras de telemóvel guardam informações pessoais indevidamente

Um político alemão pediu à sua operadora telefónica que lhe devolvesse todos os dados que tinha armazenado sobre ele. Quando recebeu um CD com toda a informação, Malte Spitz ficou chocado.

Malte Spitz iniciou uma luta contra o armazenamento de dados pessoais por parte das operadoras de telemóveis. Tudo começou quando, em 2010, pediu à sua operadora telefónica, a T-Mobile, que lhe devolvesse todos os dados que, ao longo do tempo, tinha recolhido sobre ele.

"Queria saber o que estava a ser armazenado sobre mim e também verificar se este armazenamento estava a ser feito como vem dito na legislação", escreve o político do Partido Verde Alemão, no seu blogue na Internet.

Ainda que pudesse desconfiar do desfecho da situação, nunca imaginou que a operadora guardasse tanta informação acerca da sua vida privada. Com a ajuda do partido, e depois de mover uma ação em tribunal, Malte Spitz conseguiu que a T-Mobile lhe devolvesse um CD com toda a informação que recolhera sobre si. O Tribunal Federal Constitucional considerou, a 2 de março de 2010, a retenção de dados "inconstitucional" e ordenou que toda a informação fosse eliminada.

Todavia, Malte Spitz não recebeu todos os dados que, ao longo dos anos, colocou no seu telemóvel. O que o político recebeu, na altura, "não incluía os números de telefone das pessoas para quem eu liguei ou enviei mensagens e vice-versa. Assim, metade dos dados regularmente armazenados no telemóvel desapareceram".

O político afirma que as operadoras de telemóveis pretendem ter o máximo de informação acerca de cada cliente para poderem fazer planos de vendas direcionados e eficientes e aumentar os seus lucros.

Agora, o político tenta inverter esta situação e incitou todas as pessoas a lutar pelo direito de auto-determinação na era digital, durante uma palestra no TedGlobal 2012, em Edimburgo, Escócia.

Durante a palestra, Malte Spitz disse que as operadoras de telemóveis conseguem controlar a vida de cada cliente de uma forma mais efetiva que os serviços secretos e que têm em seu poder informações que podem mudar o rumo da história.

"Se a polícia secreta da Alemanha de Leste tivesse acesso a estes dados em 1989, talvez o muro de Berlim nunca tivesse caído", afirmou o político.