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Os influenciadores saíram do computador e dominam todos os meios

Os influenciadores saíram do computador e dominam todos os meios

"Quando for grande quero ser influenciador". É esta a resposta que cada vez mais crianças dão à pergunta que se faz desde sempre. As estrelas das redes sociais são um dos fenómenos da década. Fogem das regras impostas pelos media tradicionais e são seguidos por milhares de crianças e adolescentes. Um mercado que não para de crescer e onde uma foto pode valer 1500 euros.

"A palavra influenciador é, sem dúvida, uma das mais repetidas nas conversas diárias, da mesa do café às salas de reuniões, onde se decidem importantes estratégias de marketing", atira Miguel Raposo, diretor de marketing de influência. "Os influenciadores das redes sociais convertem os relacionamentos que criam em seguidores leais", justifica Susie Khamis, da Universidade de Tecnologia, em Sydney, que estuda o crescimento destas figuras.

A economia da atenção

A atenção que merecem não passa despercebida às grandes marcas que patrocinam vídeos no YouTube, Instagram e publicações em blogues ou contas de Facebook.

Um relatório recentemente publicado pela Izea, uma consultora digital, revela que, por exemplo, um vídeo que, em 2014, valia menos de 500 euros pode, atualmente, pode passar os seis mil euros. "Conseguem monetizar a atenção associando-se a importantes marcas", refere Ana Jorge, professora de Comunicação na Universidade Católica e na Universidade Nova de Lisboa.

As antigas celebridades "não estão tão próximas ou disponíveis" e os "influenciadores aparecem com menos intermediários e até respondem às audiências". A própria forma como comunicam os produtos é diferente. "A publicidade tradicional assume-se dessa forma, enquanto que a que acontece nas redes sociais é muitas vezes difícil de ser apercebida como tal", alude Susie Khamis. Marcelo Rebelo de Sousa foi mais um que se rendeu ao fenómeno, convidando, em outubro, alguns dos principais influenciadores para uma reunião no Palácio de Belém.

E, se somam seguidores nas plataformas digitais, rapidamente extravasam esse território e saltam para os tradicionais, como a televisão, multiplicando os ganhos em publicidade. "Com um investimento relativamente baixo, as marcas conseguem um retorno incrível", justifica Miguel Raposo. "Atingem um determinado estatuto no digital e depois passa para outras plataformas, com campanhas totalmente offline ou híbridas", acrescenta Ana Jorge.

As polémicas e a regulação

Mas nem tudo corre de forma fluida e a recente polémica a envolver importantes YouTubers e casas de apostas ilegais em Portugal fez soar os alarmes sobre a regulação neste campo. "As regras existem. As da publicidade aplicam-se ao espaço digital e até há um guia da Direção-Geral do Consumidor para influenciadores e anunciantes", explica a investigadora portuguesa.

O principal problema, explica Miguel Raposo é que "não há nenhuma entidade preparada para intervir e tomar medidas para o cumprimento das regras e o problema começa logo aí".

E qual é a rede do futuro?

Num ambiente em constante mudança, ninguém arrisca a fazer um prognóstico sobre qual será a rede do futuro. Ainda assim, a investigadora australiana Susie Khanmis acredita que as redes do futuro "vão falar cada vez mais de forma específica, para comunidades online de nicho".

Já Ana Jorge, destaca a força que ferramentas efémeras, como as Instastories, principalmente para áreas como o Marketing. "São conteúdos que por desaparecerem obrigam os seguidores a estarem sempre atentos àquilo que os influenciadores estão a fazer", explica.

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