Tecnologia

Pandemia obrigou a "upgrade" dos lares

Pandemia obrigou a "upgrade" dos lares

O confinamento obrigou a montar e equipar áreas de trabalho em casa e as cozinhas também foram alvo de "upgrades". Vendas de portáteis, caixas de TV e congeladores dispararam e houve fortes aumentos de procura por robôs de cozinha, frigoríficos de três portas e aspiradores verticais.

Em poucos dias, entre março e abril, a maioria dos portugueses teve de se adaptar a um novo mundo. Um mundo confinado aos próprios lares e dependente de tecnologias digitais para trabalhar, aprender e até socializar. As casas tiveram de fazer um "upgrade" para se tornar escritórios e salas de aula, muitas vezes simultaneamente.

Segundo uma análise ao consumo de bens tecnológicos efetuada pela consultora GfK, os portugueses digitalizaram-se à pressa e em força. Em Portugal, o mercado informático teve um aumento de vendas de 46% entre março e maio, contra apenas 7% de subida nos maiores cinco países da União Europeia.

Explosão de vendas

Nos nove primeiros meses do ano, os equipamentos necessários para o teletrabalho ou para a escola em casa, como computadores, webcams, monitores, impressoras, teclados e ratos, tiveram um forte crescimento nas vendas.

Todavia, a grande explosão deu-se entre março e abril, após o decretar do primeiro estado de emergência e a obrigatoriedade do teletrabalho e o início do programa Estudo em Casa. Nestas poucas semanas, as vendas de portáteis cresceram 149%, os computadores gaming 117% e as caixas de TV 52%. Em sentido contrário, os telemóveis tiveram uma queda de 55%.

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Armazenar e cozinhar

Além dos escritórios em casa, as cozinhas também beneficiaram de fortes "upgrades". A necessidade de confecionar mais refeições, mais variadas, e também de armazenar mais alimentos levou a vários apetrechamentos. Logo em abril, as vendas de congeladores sofreram um aumento de 114%. Mas nos primeiros nove meses do ano, também se venderam bem mais robôs, batederias, liquidificadoras, aspiradores verticais e frigoríficos de três portas. Refira-se ainda que outro bem com grande procura foram os aparadores de cabelo, com um aumento de 121% de vendas.

Adaptar-se a novos hábitos

Rita Magalhães deixou de ser professora há 10 anos. Aposentada, com 72 anos, fazia ginástica, frequentava a Universidade Sénior e mantinha um convívio regular com a família e um grupo de oito amigas. Usava o computador para aceder à internet, espreitava as redes sociais e fazia alguns jogos virtuais. A pandemia e o confinamento vieram transformar tudo.

"Faço parte de um grupo de risco e tive mesmo de ficar em casa", explica. Mas Rita não desistiu, nem se acomodou. Sempre lidou com computadores e não foi difícil adaptar-se. Comprou um portátil, instalou o Zoom e o convívio continuou.

"Não é no café, é na net"

"Criámos um grupo e todas as semanas, as oito amigas, fazemos um encontro no zoom. Não é no café, é na net". E também passou a ter aulas de ginástica e da universidade em direto e por videoconferência. "Não é a mesma coisa, mas ajudou imenso. Foi uma maneira de ver pessoas amigas".

Com o confinamento, também se acabaram as idas às compras, mas Rita voltou a recorrer à tecnologia. "Comecei a investigar como é que se fazia e tornei-me fã. Estou perfeitamente rendida. Depois da pandemia, pelo menos as compras online vão ficar", admite.

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